“Desmaiou em cinco minutos”: caso de aluno internado revela perigo de bebida popular entre adolescentes

A Purple Drank, conhecida por vídeos e músicas na internet, está no centro de uma investigação após um estudante passar mal dentro da sala de aula

Purple drank

Purple Drank é uma bebida que normalmente mistura xaropes para tosse contendo substâncias opioides, especialmente codeína, com refrigerantes e doces (Pexels)

O consumo de uma mistura que combinava bebida alcoólica e medicamentos levou um adolescente à UTI em Fortaleza. O caso ocorreu dentro de uma escola particular da capital cearense e mobilizou familiares e equipes médicas.

O caso chamou a atenção para uma substância que vem ganhando popularidade entre adolescentes e jovens nas redes sociais: a chamada Purple Drank, também conhecida como Lean, Sizzurp ou Dirty Sprite.

Segundo relato da mãe do estudante ao portal G1, o filho desmaiou cerca de cinco minutos após ingerir a bebida oferecida por um colega de sala. Com sinais de intoxicação, o jovem foi atendido por equipes de emergência e levado a uma unidade hospitalar em Fortaleza. Na unidade, permaneceu internado na UTI para acompanhamento cardíaco e observação clínica.

De acordo com a mãe, que preferiu não se identificar, o adolescente não sabia exatamente o que estava consumindo. O colega teria insistido para que ele experimentasse a mistura, afirmando que o faria se sentir melhor.

Poucos minutos depois, ele perdeu a consciência ainda dentro da sala de aula. “Quando ele tomou, deu cinco minutos e ele desmaiou”, relatou a mãe.

Ela contou que recebeu uma ligação da coordenação da escola logo no início da manhã informando que o filho apresentava sinais semelhantes aos de embriaguez. Ao chegar à instituição, encontrou o adolescente completamente desorientado, sem conseguir caminhar sozinho e com dificuldades para manter os olhos abertos.

Com o adolescente sob cuidados médicos, familiares procuraram a escola para esclarecer qual substância havia provocado a intoxicação. Segundo o relato, colegas encontraram uma lista de substâncias descartada no lixo. Um dos estudantes teria assumido a preparação da mistura.

O que é a Purple Drank?

A Purple Drank é uma bebida que normalmente mistura xaropes para tosse contendo substâncias opioides, especialmente codeína, com refrigerantes e doces. O nome faz referência à coloração arroxeada que alguns xaropes apresentam.

Originária dos Estados Unidos, a bebida ganhou notoriedade por aparecer em músicas, videoclipes e conteúdos publicados nas redes sociais.

Nos últimos anos, especialistas têm observado um aumento da curiosidade de adolescentes em relação à substância, muitas vezes apresentada como uma forma de relaxamento ou diversão.

O problema é que a combinação de medicamentos com álcool pode provocar efeitos extremamente perigosos para o organismo.

Por que a Purple Drank pode ser tão perigosa?

O médico Bruno Cavalcante, que participou do atendimento ao adolescente, explicou que o jovem chegou ao hospital apresentando sintomas muito mais graves do que uma simples embriaguez.

Segundo ele, além do álcool, a mistura continha diferentes medicamentos, incluindo anti-histamínicos, anti-inflamatórios e outras substâncias capazes de agir diretamente sobre o sistema nervoso central.

Quando combinados, esses compostos potencializam seus efeitos sedativos. O resultado pode ser uma desaceleração das funções vitais do organismo.

Entre os principais riscos estão sonolência intensa, confusão mental, alteração da consciência, dificuldade para caminhar, queda da pressão arterial, alterações cardíacas, depressão respiratória, convulsões, coma e morte.

Especialistas alertam que o perigo aumenta ainda mais quando a bebida é consumida junto com álcool, maconha, benzodiazepínicos ou outras substâncias que também deprimem o sistema nervoso central.

Purple Drank pode causar dependência?

A codeína, frequentemente presente na composição original da Purple Drank, pertence ao grupo dos opioides, uma classe de medicamentos reconhecida mundialmente pelo elevado potencial de dependência química.

O uso repetido pode provocar:

  • Tolerância, exigindo doses cada vez maiores;
  • Dependência física;
  • Dependência psicológica;
  • Sintomas de abstinência quando o consumo é interrompido.

Por isso, profissionais da saúde reforçam que a bebida não deve ser encarada como uma brincadeira ou uma tendência passageira da internet.

Como a bebida chega aos adolescentes?

Um dos aspectos que mais preocupa pais, educadores e autoridades é a facilidade com que a Purple Drank pode ser transportada sem levantar suspeitas.

Em muitos casos, ela é armazenada em copos térmicos, squeezes e garrafas fechadas. Como o conteúdo não fica visível, torna-se difícil identificar que se trata de uma mistura potencialmente perigosa.

Além disso, relatos de especialistas indicam que alguns adolescentes recebem a bebida sem saber exatamente o que ela contém, acreditando tratar-se apenas de refrigerante, energético ou outra bebida comum. O caso registrado em Fortaleza reforça esse alerta.

Pais e responsáveis devem ficar atentos a sintomas que podem surgir após o consumo da substância: sonolência excessiva; fala lenta ou desconexa; falta de coordenação motora; confusão mental; dificuldade para permanecer acordado; alterações repentinas de comportamento; queda no rendimento escolar; e isolamento social.

Caso esses sinais sejam observados, a orientação é procurar ajuda médica imediatamente.

O papel das redes sociais

Médicos e especialistas em dependência química apontam que plataformas digitais têm contribuído para a popularização da Purple Drank entre adolescentes.

Vídeos curtos e publicações frequentemente apresentam a bebida de forma romantizada, minimizando seus riscos e associando seu consumo a diversão, status ou pertencimento social.

Para jovens que ainda estão desenvolvendo sua percepção de risco, esse tipo de conteúdo pode influenciar decisões perigosas.

Por isso, especialistas recomendam que pais acompanhem a vida digital dos filhos e mantenham conversas abertas sobre drogas, medicamentos e tendências que circulam na internet.

Quando procurar atendimento de emergência?

A busca por atendimento médico deve ser imediata quando houver suspeita de consumo da bebida acompanhada de sintomas como:

  • Dificuldade para respirar;
  • Perda de consciência;
  • Convulsões;
  • Sonolência extrema;
  • Desmaios;
  • Suspeita de overdose.

No caso do adolescente de Fortaleza, a rápida identificação do problema e o encaminhamento ao hospital foram fundamentais para evitar consequências ainda mais graves.

Polícia investiga o caso

A Secretaria da Segurança Pública do Ceará informou que equipes da Polícia Militar foram acionadas para atender a ocorrência na escola. Alunos e demais envolvidos foram encaminhados para prestar depoimento à Delegacia da Criança e do Adolescente.

Em nota, o Colégio Antares informou que adotou todas as medidas necessárias após identificar a situação, acionando as famílias, providenciando atendimento médico e registrando boletim de ocorrência.

A instituição também declarou que está colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pela investigação.

Enquanto o caso segue sob apuração, especialistas reforçam um alerta importante: medicamentos aparentemente comuns podem se tornar extremamente perigosos quando usados sem orientação médica ou combinados com álcool.

Em tempos de desafios virais e tendências que se espalham rapidamente pelas redes sociais, informação, diálogo e prevenção continuam sendo as principais ferramentas para proteger adolescentes e evitar novas ocorrências.