Desistência de Michelle Bolsonaro muda cenário da direita e reforça Flávio como principal nome do PL para 2026

A saída da ex-primeira-dama do PL Mulher ocorre em meio a desgaste interno e após pesquisa indicar desempenho inferior em eventual disputa contra Lula

Michelle Bolsonaro olhando para a frente e falando com a câmera

Michelle publicou a manifestação nas redes sociais após a grande repercussão dos vídeos em que relatou que o enteado a maltratou, desrespeitou e humilhou durante uma discussão (Reprodução/Instagram)

A decisão de Michelle Bolsonaro de deixar a presidência do PL Mulher deve reorganizar a corrida eleitoral do Partido Liberal (PL) para 2026. O movimento ocorre após uma crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e coincide uma pesquisa, divulgada nesta quarta-feira (1º), que mostra a derrota da ex-primeira-dama em uma suposta disputa presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Segundo levantamento AtlasIntel/Bloomberg, Lula aparece com 48,7% das intenções de voto em um cenário de segundo turno contra Michelle, que registra 38,9%. A diferença de 9,8 pontos percentuais é superior à observada no cenário em que o adversário do presidente é Flávio Bolsonaro.

Na mesma pesquisa, o senador alcança 42,3% das intenções de voto, enquanto Lula soma 48,8%, reduzindo a distância para 6,5 pontos percentuais. Os números reforçam a percepção de que, entre os nomes ligados ao bolsonarismo testados pelo instituto, Flávio apresenta maior capacidade de disputa eleitoral.

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Saída fortalece reorganização interna do PL

Michelle Bolsonaro comunicou ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que deixará o comando do PL Mulher, função exercida desde o início de 2023. Em nota, ela afirmou que a decisão foi tomada após conversas com Jair Bolsonaro e disse que pretende dedicar-se aos cuidados da filha e do ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

O anúncio ocorre depois de divergências dentro da família Bolsonaro. Na semana anterior, Michelle publicou vídeos afirmando ter sido desrespeitada e humilhada por Flávio Bolsonaro durante uma conversa ocorrida em 2025. A repercussão levou o senador a divulgar um pedido público de desculpas, negando que tivesse intenção de ofendê-la.

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Embora aliados tenham afirmado que o conflito foi superado, o episódio alimentou questionamentos sobre a unidade do principal grupo da direita brasileira em um momento de definição das estratégias para a sucessão presidencial.

Pesquisa reduz especulações sobre candidatura de Michelle

Nos últimos anos, Michelle Bolsonaro foi considerada uma das principais alternativas do PL caso Jair Bolsonaro permanecesse impedido de disputar a Presidência. Seu desempenho em pesquisas anteriores e a identificação com o eleitorado conservador, especialmente entre mulheres e evangélicos, fizeram crescer as especulações sobre uma eventual candidatura.

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Apesar do apelo conservador para a Presidência, a ex-primeira-dama sinalizava interesse em disputar o cargo de Senadora. No entanto, as divergências familiares estariam interferindo na decisão de Michelle em meio à despedida do PL Mulher. Ao que tudo indica, os parlamentares aliados tentam convencê-la de permanecer na corrida eleitoral.