Quase todos os dias Maria Luzia Silva dos Santos, 55 anos, sai pelas ruas de São Vicente buscando ajuda para amenizar o seu sofrimento. Solitária, com uma faixa nas mãos e alguns panfletos escritos em letra cursiva, compartilha seu drama com as pessoas que encontra. Mãe de Claudio Silva dos Santos, de 33 anos, portador de transtornos mentais, e esposa de um homem que vivencia as sequelas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), ela precisa do apoio da família para seguir na luta de cuidados aos dois. No entanto, seus parentes estão a quilômetros de distância, no município de Itabaiana, em Sergipe, separados pela barreira da falta de recursos.
“Vim morar em São Vicente com 16 anos, com o meu marido, quando me casei. Aos 19 anos engravidei e meu filho nasceu com problemas mentais. Levávamos uma vida normal. Meu marido trabalhava, e, em 2008 aconteceu o pior. Meu marido teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Eu tive um câncer de mama – fiz duas cirurgias da mama direita. Câncer de Mama. Meu filho frequentava a Apae só que ele não quis mais sair de casa e se trancar em casa. Toda a minha história mudou. Meu marido foi demitido porque ficou doente. O AVC deixou sequelas nele. Minha vida mudou totalmente”, contou Luzia.
A Reportagem encontrou a dona de casa em frente a um supermercado no Centro de São Vicente. Já estava voltando para a casa de dois cômodos, onde reside com o filho e o marido, no Catiapoã. Para sair – fica fora por aproximadamente duas horas – deixa o rapaz trancado no quarto e o esposo na sala. A rotina é a mesma desde o início do ano, quando decidiu compartilhar seu problema com as pessoas, inclusive em uma página no Facebook. Esgotada com os cuidados aos dois, que dependem exclusivamente dela, e com necessidade de voltar a cuidar de sua própria saúde, Luzia quer voltar para Itabaiana, cidade onde nasceu, para contar com o apoio da família.
“Comecei uma luta tentando ir embora para Sergipe. Voltar para a minha terra. Minha família toda está lá. Não tenho ninguém aqui. Só meu marido e meu filho. Meu marido hoje é interditado. Eu que cuido do meu marido e do meu filho. Por isso decidi sair na rua com essa faixa. Como é um paciente psiquiátrico a médica só libera ele para ir embora com ambulância, transporte aéreo ou van”, destacou Luzia. O custo para esse tipo de transporte é de aproximadamente R$ 10 mil.
Depois do AVC o marido de Luzia ficou com sequelas que o fazem esquecer de quase tudo. Claudio, o filho, tem diagnóstico de deficiência intelectual moderada e comportamento autista e apresenta comportamento disruptivo na rua, que envolve risco de atropelamento, queda e violência contra pessoas inespecíficas. Ele faz tratamento psiquiátrico, no Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) III Mater, e é acompanhado por visitas domiciliares periódicas. Segundo a Secretaria de Saúde de São Vicente, para seguir junto com a mãe para Sergipe é necessário que o jovem tenha transporte especializado (ambulância ou transporte aéreo), além de sedação para realizar a remoção.
“Não tem como tirar ele de casa. É agressivo. Cinco minutos ele está bem e cinco minutos agressivo. Ninguém consegue tirar ele de casa. Ninguém consegue chegar perto dele. A não ser que ele conheça. Em 2015 ele ficou internado cinco vezes. Essas cinco vezes precisei ficar com ele. Eu tinha que voltar em casa para cuidar do meu marido, dar os remédios para ele, porque se deixar ele esquece e não toma”, disse Luzia.
A única renda da família é da aposentadoria do marido de Luzia, que é um pouco mais de um salário mínimo. O dinheiro é destinado para o aluguel da casa onde moram e alimentação. Os remédios de alto custo recebe gratuitamente. A dona de casa buscou ajuda da Prefeitura de São Vicente para conseguir o transporte, mas ouviu que o valor para a remoção era muito alto. Sem condições de arcar com essa despesa, e cada vez mais esgotada com a situação, ela tenta chamar a atenção e levantar fundos para, então, conseguir fazer a viagem e ficar ao lado de sua família.
“Eu preciso da minha família para me apoiar. Para quando eu precisar fazer as minhas coisas e para cuidar da minha saúde, porque eu não tenho com quem deixar o meu filho. Meu marido não pode ficar com ele. O meu filho fica trancado no quarto. E o meu marido na sala. Os dois não podem ficar juntos. Os dois se pegam. Meu filho vai e agride o meu marido. Eu necessito mesmo de alguém que me ajude e que me leve. A minha situação é muito difícil. Estou no limite do limite. Não estou aguentando mais. Eu preciso muito ir embora para a minha cidade”, apelou Luzia.
Quem puder ajudar a Luzia a voltar para Sergipe o contato é o (13) 3013-4870. Ela também disponibilizou uma conta para o depósito de qualquer quantia. Banco Bradesco – Agência 0537-1 conta corrente 9870-1.
