Desconforto e atrasos marcam travessias Santos-Guarujá, dizem usuários

Embarcações param por problemas mecânicos, aparelhos de ar-condicionado não são suficientes, barulho dos motores prejudicam os ouvidos e há superlotação das barcas e atrasos

Em janeiro do ano passado, a novidade. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) entregava a embarcação LS-03 ‘Guará’, a terceira de quatro equipamentos que contam com aparelhos de ar-condicionado, poltronas com encosto de cabeça e permitem o embarque de 370 pessoas cada.

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Novembro de 2015. As promessas de mais qualidade no transporte hidroviário praticamente ‘caem por terra’ diante das inúmeras reclamações dos usuários das barcas que fazem a travessia Santos-Guarujá. A Reportagem viajou em uma das embarcações e conversou com usuários. Segundo eles, muitas embarcações param por problemas mecânicos; os aparelhos de ar-condicionado não são suficientes para minimizar o calor; o barulho dos motores prejudicam os ouvidos; algumas televisões não funcionam e são constantes as reclamações de atrasos nas viagens, o que, segundo os usuários, causa superlotação nas embarcações, atrapalhando a vida de quem tem horário para ingressar no trabalho.

O investimento do total das barcas foi de R$ 26, 8 milhões. Em média 18 mil passageiros utilizam diariamente o serviço de travessia por lanchas entre Vicente de Carvalho e a Praça da República, em Santos. Para a questão dos atrasos nas viagens, uma frase em tom de sátira já se tornou comum como justificativa aos patrões: “furou o pneu da barca”, afirma o segurança Cristiano da Silva. Ele afirma que as barcas chegam a quebrar em pelo menos três dos seis dias úteis da semana.

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“Deveria ter uma reserva para mudar essa situação”, completa.

Horário de pico

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A Reportagem fez uma viagem de ida e volta. O custo é de R$ 1,35 por viagem. Ou seja, o usuário gasta R$ 2,70 por dia. Segundo um funcionário da Dersa, o horário de maior movimento é o das 5 às 8 horas. Ele disse, na última quinta-feira (19), que três embarcações estavam trafegando e acredita que os problemas mecânicos ocorrem porque os motores são feitos para longas distâncias e não para curtas. “As paradas e os arranques são constantes. A cada 12 minutos sai uma viagem”, conta.

Do lado de Vicente de Carvalho, a Reportagem constatou que a lancha LS-01 estava parada para manutenção e que a antiga Itapema 1 – uma embarcação bem sucateada – estava ancorada como reserva. O repositor Adolpho Felippo Gianetto, usuário do sistema, disse que “semana passada três embarcações quebraram e as operações foram realizadas apenas por uma e a velha Itapema”. “Outro dia, houve um choque com um barco no meio do canal. Em outro, a lancha quebrou e uma de serviço teve que rebocá-la. Um absurdo”, revelou.

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A operadora de Telemarketing Maria Thais Alves Santos disse que as faltas constantes de embarcações causam tumultos. “Na maioria das vezes os aparelhos de ar-condicionado não estão ligados. Atrasos ocorrem com frequência”, conta. Na LS-04, a Reportagem constatou a falta de um extintor de incêndio e pessoas sentadas nos degraus da embarcação. “A disposição dos coletes salva-vidas também estão erradas. Eles se concentram de um lado só da embarcação”, afirma a usuária Rosane Dias.

Ao lado dela, o cozinheiro Walter Bernardo disse que estava na embarcação que se chocou com outra no meio do canal, conforme denunciou o repositor Adolpho Gianetto. “Foi uma correria muito grande. Gente desmaiando e pessoas se batendo para pegar um salva-vidas. Momentos tensos sofremos aqui”.

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Um usuário usou esta semana as redes sociais para desabafar: “precisei ir a Santos para tratar de problemas médicos. Na segunda-feira (11), os passageiros ficaram aglomerados no saguão da estação e, quando a barca atracou, abriram-se os portões e as pessoas ficaram se espremendo para tentar entrar. As que não conseguiram ficaram sobre a plataforma flutuante, que não tem qualquer proteção, esperando a próxima barca”, escreveu, pedindo providências à Capitania dos Portos. “Estão esperando acontecer algo de mais grave para tomar alguma providência?”.

Dersa

A Desenvolvimento Rodoviário S/A (DERSA) informa que a frota utilizada é composta por cinco embarcações, sendo quatro do tipo catamarã, com capacidade para 374 passageiros cada, e uma do tipo convencional, com capacidade para 185 passageiros. “De maneira programada, as embarcações são retiradas para reparos que visam a própria segurança dos usuários e a qualidade do serviço prestado”, afirma a empresa.

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Ainda, segundo a Dersa, quando é necessário, e principalmente nos horários de pico, o trabalho é feito em regime de “bate-e-volta”.

Quanto às reclamações sobre superlotação, a Dersa nega. De acordo com a resposta enviada à Redação, a empresa alega haver um equívoco, “pois quando uma embarcação atinge sua lotação máxima, os portões são fechados em cumprimento às regras de segurança que visam o bem estar dos usuários”, diz a resposta.

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Já os aparelhos de ar-condicionado funcionam ininterruptamente, de acordo com a Dersa, e também passam por manutenções preventivas rotineiras.