Cotidiano

Descoberta no Nordeste: anfíbio 'vegetariano' de 280 milhões de anos é o mais antigo do mundo

Fósseis encontrados no Piauí e Maranhão revelam a espécie Tanyka amnicola, o animal mais antigo do mundo com dieta baseada em plantas

Luna Almeida

Publicado em 12/04/2026 às 17:00

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O achado é considerado um marco para a paleontologia mundial / Divulgação/UFPI

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Uma pesquisa internacional que se estendeu por mais de uma década culminou na descoberta de uma espécie de anfíbio até então desconhecida, que habitou o solo brasileiro muito antes da era dos dinossauros. Denominado Tanyka amnicola, o animal viveu há cerca de 280 milhões de anos. 

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A identificação foi possível graças ao achado de nove mandíbulas fossilizadas nos municípios de Nazária, no Piauí, além de Timon e Pastos Bons, no Maranhão. 

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O estudo, coordenado pelo professor Juan Carlos Cisneros, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), foi publicado na renomada revista científica Proceedings of the Royal Society B.

O achado é considerado um marco para a paleontologia mundial, pois apresenta o registro mais antigo de um anfíbio herbívoro. 

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De acordo com os pesquisadores, essa característica é extremamente rara, uma vez que a vasta maioria dos anfíbios, tanto as espécies extintas quanto as atuais, possui hábitos carnívoros. 

O nome batizado para a espécie traduz sua origem e modo de vida: significa "mandíbula que mora no rio", refletindo o ambiente onde os restos foram preservados entre 2012 e 2023.

Anatomia bizarra 

O nome batizado para a espécie traduz sua origem e modo de vida: significa "mandíbula que mora no rio" / Divulgação/Imagem adaptada por IA
O nome batizado para a espécie traduz sua origem e modo de vida: significa "mandíbula que mora no rio" / Divulgação/Imagem adaptada por IA
O Tanyka amnicola é classificado como um tetrápode basal / Divulgação/UFPI
O Tanyka amnicola é classificado como um tetrápode basal / Divulgação/UFPI
O achado é considerado um marco para a paleontologia mundial / Divulgação/UFPI
O achado é considerado um marco para a paleontologia mundial / Divulgação/UFPI

A análise detalhada dos fósseis revelou aspectos anatômicos que os cientistas descrevem como fora do comum. 

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O Tanyka amnicola é classificado como um tetrápode basal, mantendo características primitivas que o colocam próximo à base da árvore evolutiva dos animais de quatro patas. 

Entre os pontos que mais chamaram a atenção da equipe internacional, composta por especialistas dos Estados Unidos, Argentina, Alemanha, África do Sul e Reino Unido, estão a mandíbula de formato irregular e os dentes projetados lateralmente.

Essa disposição dentária é justamente o que sustenta a tese da herbivoria. O formato incomum sugere que o animal era capaz de processar matéria vegetal, como folhas e frutos, uma inovação dietética para a época. 

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A descoberta desafia o conhecimento prévio sobre a ecologia dos primeiros tetrápodes, sugerindo que a diversificação alimentar desses animais era muito mais complexa do que se imaginava no período Permiano.

Desafios

O processo de identificação da nova espécie exigiu um esforço logístico e técnico considerável. Como o animal nunca foi encontrado por completo, a confirmação de que as nove mandíbulas pertenciam à mesma espécie exigiu comparações rigorosas com acervos de museus na América do Norte e na Europa. 

A ausência de fósseis similares em território brasileiro para comparação direta tornou o processo mais longo e oneroso, dependendo também de técnicos estrangeiros para a limpeza e consolidação do material.

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Para Juan Carlos Cisneros, o rigor aplicado é fundamental para validar resultados de tal impacto internacional. 

A descoberta não apenas preenche uma lacuna na história evolutiva dos anfíbios, mas também consolida o Nordeste brasileiro como uma região de importância global para a paleontologia. 

Os pesquisadores acreditam que o Tanyka amnicola abre caminho para novos achados que podem ajudar a reconstruir o ecossistema que existia no Brasil milhões de anos antes da fragmentação dos continentes.

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