Cotidiano

Descoberta inédita no fundo do oceano que pode reescrever a história da vida

Cientistas planejam nova expedição a 11 km de profundidade para testar se rochas metálicas produzem oxigênio sem luz, em meio a disputas com a mineração submarina

Ana Clara Durazzo

Publicado em 24/01/2026 às 18:00

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Os resultados podem ser a peça final para confirmar que o oxigênio, motor da vida complexa, nasce também no mais absoluto breu das profundezas oceânicas / ImageFX

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Uma nova expedição às profundezas abissais do Oceano Pacífico pode mudar tudo o que sabemos sobre a biologia. O ecologista marinho Andrew Sweetman lidera uma missão para provar que o 'oxigênio escuro' é real — um fenômeno onde rochas metálicas no fundo do mar geram oxigênio sem precisar de uma única partícula de luz solar.

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A 'Bateria' do Fundo do Mar

A hipótese, que abalou a comunidade científica em 2024, sugere que nódulos polimetálicos (rochas ricas em manganês e cobalto) funcionam como baterias naturais.

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  • O Processo: Essas rochas geram pequenas correntes elétricas.

  • A Reação: A eletricidade divide a água do mar em hidrogênio e oxigênio ($O_2$).

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  • Onde: Na Zona Clarion-Clipperton, a 4.000 metros de profundidade, onde a fotossíntese é impossível.

Tecnologia Extrema: A 11 km de profundidade

Para silenciar os críticos, a equipe desenvolveu novos módulos de pouso subaquático capazes de suportar pressões 1.200 vezes maiores que as da superfície.

'Estamos levando sensores inéditos para medir a 'respiração' do fundo do mar de forma direta', afirma Sweetman.

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Isso muda a história da vida?

Se confirmada, a descoberta do oxigênio escuro tem implicações astronômicas:

  1. Origem da Vida: A vida aeróbica pode ter surgido antes mesmo das plantas e algas.

  2. Astrobiologia: Se rochas produzem oxigênio no escuro, luas geladas de Júpiter ou Saturno podem abrigar vida complexa.

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  3. Mineração vs. Ciência: A descoberta coloca em xeque a mineração submarina para baterias de carros elétricos, já que extrair essas rochas poderia 'asfixiar' o ecossistema abissal.

Próximos Passos

A nova missão está marcada para maio de 2026. Os resultados podem ser a peça final para confirmar que o oxigênio, motor da vida complexa, nasce também no mais absoluto breu das profundezas oceânicas.

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