O tubarão-branco nunca desapareceu completamente da região / Pexels/Vova Kras
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Uma captura inesperada feita por pescadores no Mar Mediterrâneo levou cientistas a reverem mais de um século e meio de registros sobre o grande tubarão-branco. Em abril de 2023, ao largo da costa espanhola, um exemplar juvenil da espécie surgiu nas redes, contrariando a crença de que o predador praticamente não habitava aquela área.
O animal, identificado como Carcharodon carcharias, media pouco mais de 2,1 metros e pesava entre 80 e 90 quilos.
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O registro foi analisado por uma equipe liderada pelo Instituto Espanhol de Oceanografia, que posteriormente revisou cerca de 160 anos de ocorrências da espécie no Mediterrâneo Ocidental.
O levantamento histórico reuniu registros desde 1862 até 2023 e revelou que o tubarão-branco nunca desapareceu completamente da região, apesar de avistamentos extremamente raros. Por isso, a população local era frequentemente descrita como uma população fantasma.
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A descoberta de um indivíduo jovem é considerada especialmente relevante, pois pode indicar que a reprodução ocorre no Mediterrâneo.
A presença de juvenis costuma sugerir que determinadas áreas funcionam como berçários naturais, onde os filhotes nascem ou passam as primeiras fases da vida.
O grande tubarão-branco é classificado como vulnerável na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), com tendência global de declínio populacional.
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Diante disso, os pesquisadores defendem programas contínuos de monitoramento, rastreamento e cooperação com pescadores para entender melhor os deslocamentos da espécie.
Segundo o pesquisador José Carlos Báez, os tubarões-brancos desempenham papel essencial nos ecossistemas marinhos.
Como predadores altamente migratórios, ajudam a redistribuir energia e nutrientes ao longo de grandes distâncias e também atuam como limpadores naturais ao se alimentarem de carcaças, contribuindo para o equilíbrio ambiental.
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Os cientistas destacam ainda que, mesmo após a morte, esses animais continuam relevantes, pois seus corpos fornecem alimento para organismos das profundezas oceânicas.
A presença contínua, ainda que discreta, sugere que o Mediterrâneo pode ser mais importante para a sobrevivência do tubarão-branco do que se imaginava. A revisão histórica reforça a necessidade de proteger habitats e compreender melhor o comportamento da espécie.
Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica Acta Ichthyologica Et Piscatoria, contribuindo para atualizar o conhecimento sobre um dos predadores mais emblemáticos dos oceanos.
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