Descaso e demora no PS do Irmã Dulce

Pacientes também relatam falta de vagas na principal unidade de saúde do município

Um carro chega na porta do pronto-socorro do Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande. No Corsa preto, uma senhora desacordada. O filho desce do veículo e, gritando, busca atendimento à mãe, que havia sofrido uma queda na rua. A unidade está lotada de pessoas à espera de atendimento médico. Entre os que aguardam, um senhor resume em uma frase a situação: “O jeito é pedir a Deus para dar saúde para não ter de passar por isso aqui”. 

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“Ela caiu na rua perto da Usafa (Unidade Saúde da Família) da Vila Sônia. Deixaram ela jogada na rua. Não quiseram acionar a ambulância. Há meia hora trouxe ela na emergência e disseram que não podiam fazer nada, que era para ver se ela se está respirando. Agora trouxe de novo e vão ter que atender”, disse Evandro Jesus da Silva, enquanto buscava atendimento a mãe. Inconformado com a situação, ele pedia à Reportagem que observasse as próximas cenas.

Uma funcionária do pronto-socorro pediu que ele entrasse com a senhora na unidade. Outra paciente pegou a cadeira de rodas e ajudou Evandro a retirar a mãe do carro e seguir então para a emergência. Ela também acompanhava a mãe, de 88 anos, que aguarda há uma vaga no hospital. 

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“Minha mãe tem 88 anos e está sentada em um ‘cadeirão’ há quase dois dias esperando uma vaga para ser internada. Falaram que não tem vaga. Tem muita gente lá. Uma mulher teve convulsão. A saúde está difícil por aqui. Não tem ambulância. Meu irmão que trouxe a minha mãe de carro”, disse Maria Ivânia dos Santos, moradora da Vila Tupiry, a senhora que ajudou Evandro a retirar a mãe do carro com a cadeira de rodas.

Desorganização

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 Keilane Sólis, moradora do Jardim Guilhermina, aguardava há quatro horas o marido, que estava com falta de ar, ser atendido. Os bancos de espera do PS estava lotados. Do lado de fora, as pessoas relatavam a falta de médicos na unidade. 

“Só tem um Clínico Geral atendendo. Tudo desorganizado. Moro na cidade desde que nasci e a cada ano que passa está pior. A infraestrutura de Praia Grande de fato é muito boa. Cidade bonita. Mas falta tudo, principalmente saúde. Posto de Saúde você vai pegar remédio e nunca tem”, afirmou Keilane. 

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“Tem muita gente para ser atendida. Cai de moto de madrugada. A gente liga e não tem ambulância. Agora pouco teve uma confusão aí dentro. Passaram uma pomada no meu ferimento e disseram que não iam atender agora. Estou esperando. Cheguei aqui às 10 horas”, disse uma jovem que não quis se identificar. A Reportagem conversou com ela do lado de fora da unidade por volta das 13 horas. 

Unidades 

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O Diário do Litoral foi até as outras duas unidades de emergência do município: a UPA do Quietude e a UPA do Samambaia. Nos equipamentos, a Reportagem não ouviu reclamações com relação a falta de médicos, mas a saúde, em geral, recebeu críticas. 

“Acho que os governos deveriam investir mais em saúde. Quando chega em época de eleição, eles lembram de nós. Depois que a eleição acaba, esquecem”, disse Rodrigo Pereira Brandão, morador do Jardim Anhaguera. Ele aguardava atendimento para a filha na UPA Quietude. 

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Diário do Litoral flagra, mas Prefeitura nega 

Os relatos foram colhidos pela Reportagem na última terça-feira (16) no pronto-socorro do Hospital Irmã Dulce. Apesar do Diário do Litoral presenciar as cenas e as reclamações, a Prefeitura de Praia Grande, por meio da Fundação ABC, que administra a unidade, negou a falta de médicos e a demora no atendimento. 

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“Com relação à falta de médicos no Pronto Socorro Central, a Diretoria Técnica do Complexo Hospitalar Irmã Dulce salienta que a unidade conta com equipe completa de médicos e que também não procede a reclamação de demora no atendimento. O PS Central possui sistema de triagem, de modo que pacientes com urgência no atendimento são priorizados. Não tem sido registrada espera superior a uma hora para casos não urgentes”, diz a nota encaminhada à ­Reportagem. 

Sobre a falta de vagas para internação, a Prefeitura de Praia Grande não confirma, mas diz que o problema é regional. “Com relação à falta de vagas para internação, vale salientar que o Hospital Municipal possui leitos pactuados com Governo do Estado e vem registrando alta demanda com muitos pacientes provenientes de outros municípios. A regulação dos leitos é feita pela Secretaria da Saúde do Estado e, portanto, a destinação de vagas de leitos não compete ao Município”, afirmou.

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Com relação à reclamação sobre a falta de ambulâncias, a Administração Municipal disse que a frota está dimensionada de acordo com número de habitantes do Município, respeitando a legislação vigente.

Ressaltou ainda que o Município conta com 5 equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) sendo 4 de Suporte Básico e uma de Suporte Avançado. A Cidade conta ainda com 10 Unidades de Transporte de Saúde (UTS), sendo que 8 em atividade e 2 reservas técnicas.

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Sobre a reclamação de falta de medicamentos, a Prefeitura informou que “a maioria dos itens da farmácia básica estão disponíveis nas unidades, no entanto ocorre que alguns itens estão em falta no mercado, desta forma dificultando a compra”. ?