Desalojados, invasores protestam em Cubatão

Famílias que perderam suas casas nas enchentes foram retiradas, nesta quinta-feira (14), do Bolsão 9

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15 MAR 201315h30

“Quem invadiu vai sair”. A ordem da prefeita de Cubatão, Marcia Rosa, foi clara e objetiva e, na manhã desta quinta-feira (15), foi devidamente cumprida. 463 famílias, que perderam suas casas nas enchentes que castigaram a Cidade no dia 22 de fevereiro, foram retiradas de conjuntos habitacionais da Prefeitura e da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) no Bolsão 9.

Cerca de 200 policiais militares, além do policiamento de choque, acompanharam e deram apoio à ação judicial de retirada das famílias, desabrigadas principalmente dos bairros Pilões e Água Fria. Segundo a tenente Cláudia Gomes, porta-voz do 21º BPMI, no início da ação houve resistência de alguns moradores, mas nenhuma ocorrência mais grave além disso.

As famílias saíram, mas com o desespero de ficarem desabrigadas, muitas foram andando do Bolsão 9 até o Paço Municipal para protestar. Chegando lá, os moradores exigiram uma reunião com representantes da Administração Municipal para reivindicar auxílio-moradia e a estadia em pousadas para mulheres grávidas, crianças e idosos.

Retirada - Desabrigados carregavam móveis sem ter para onde ir (Foto: Luiz Torres/ DL)

Isso porque os próprios munícipes que estão sem ter onde morar contam que os abrigos que a Prefeitura oferece, o Centro Esportivo Castelo Branco ou a Associação Cubatense de Defesa dos Direitos das Pessoas Deficientes, se encontram em péssimas condições de higiene.

“Tem criança dormindo nas arquibancadas do Castelão, gente dormindo no banheiro, não tem colchão para todo mundo, as pessoas dormem em cima de pedaços de papelões, está uma situação deplorável”, conta a cozinheira Marli Aparecida de Jesus, que também foi retirada do Bolsão 9 e seguiu para o centro esportivo ainda na quinta-feira.

Prefeitura

De acordo com a Administração Municipal, de todas as famílias que foram retiradas do Bolsão 9, 30 foram abrigadas no Centro Esportivo Castelo Branco, juntando-se as 79 que já se encontravam em atendimento pela Prefeitura, totalizando, até o início da noite de ontem, 109 famílias ou 307 pessoas no local.

Sobre o protesto em frente ao Paço Municipal, a Prefeitura explica que uma comissão de desabrigados foi recebida por secretários e técnicos municipais, que procuraram prestar esclarecimentos sobre a situação. Mais tarde alguns manifestantes tentaram invadir o prédio da Prefeitura, quebrando algumas portas e janelas, no que foram contidos pela Polícia Militar.

Já, sobre a limpeza dos abrigos disponibilizados pela Prefeitura, a assessoria diz que os alojados receberam conjuntos de material de limpeza e higiene, e foram orientados pela Cruz Vermelha de que deveriam manter limpos os espaços ocupados.

Em nota, a assessoria da Prefeitura diz ainda que os colchões estão sendo fornecidos conforme as necessidades. “De fato, todos os espaços no Castelão estão ocupados, com a chegada de novas famílias, mas nesta sexta-feira deverá haver uma melhor organização, por conta da saída de várias famílias, que estarão recebendo o auxílio-moradia, especialmente as procedentes de Água Fria”, explica.

Desalojados os desabrigados se dirigiram para o Paço Municipal onde protestaram (Foto: Luiz Torres/ DL)

Invasão

Quando forte chuva afetou Cubatão e deixou a Cidade em estado de calamidade pública, foram invadidas 597 unidades habitacionais do empreendimento da CDHU.

Dos apartamentos invadidos, 221 já estavam finalizados e seriam entregues aos seus destinatários finais na mesma semana da invasão, segundo a Companhia. As outras 376 unidades estavam em obras, a serem finalizadas e entregues até abril.

Dentre as unidades já prontas que foram invadidas, 31 delas foram ocupadas pelos seus próprios mutuários finais, que fariam sua mudança nos dias seguintes, portanto tiveram sua situação regularizada pela CDHU e permaneceram no local. Outras 103 unidades em obras foram liberadas espontaneamente pelos seus invasores ao longo dos dias seguintes até ontem, então não foi preciso retirá-los.

Ainda de acordo com a CDHU, as famílias que já estavam inscritas no atendimento do Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar têm direito ao auxílio-moradia mensal de R$ 400,00 até receberem a moradia definitiva.