Cotidiano

Desafio do Paracetamol: O jogo mortal no TikTok que está levando crianças ao hospital

O fenómeno tem sido registado em diversos países europeus, como Alemanha, Bélgica, Espanha, França e Suíça. Também há relatos nos Estados Unidos e na Argentina

Ana Clara Durazzo

Publicado em 21/02/2026 às 15:00

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

A sobredosagem pode provocar lesão hepática grave e irreversível, evoluindo para insuficiência hepática aguda, necessidade de transplante e, em casos extremos, morte / ImageFX

Continua depois da publicidade

As redes sociais voltaram ao centro de uma polémica internacional. Desta vez, a preocupação envolve um desafio perigoso que incentiva crianças e adolescentes a ingerirem deliberadamente doses elevadas de paracetamol e a filmarem o momento como parte de uma competição online.

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

A tendência tornou-se viral principalmente no TikTok, onde jovens disputam quem consegue tomar mais comprimidos sem precisar de atendimento hospitalar.

Continua depois da publicidade

Leia Também

• GUIA PRÁTICO: Influenza, ibuprofeno ou paracetamol? Especialistas cravam o melhor para a sua dor

• Salto de barco vira tendência mortal no Tik Tok e já tem quatro vítimas

Não é a primeira vez que um desafio do Tik Tok gera risco de vida para jovens. Em 2023, pelo menos quatro pessoas morreram participar de um desafio viral do aplicativo.

Casos em vários países

O fenómeno tem sido registado em diversos países europeus, como Alemanha, Bélgica, Espanha, França e Suíça. Também há relatos nos Estados Unidos e na Argentina.

Continua depois da publicidade

Segundo o jornal espanhol El País, adolescentes entre 11 e 14 anos deram entrada no Hospital Materno-Infantil de Málaga, nas últimas semanas, com sintomas associados à ingestão excessiva do medicamento.

Há casos relatados de jovens que consumiram cerca de 10 gramas de paracetamol de uma só vez — o equivalente a 20 comprimidos de 500 mg.

Alerta das autoridades de saúde

A Ordem dos Farmacêuticos (OF) em Portugal já se manifestou, classificando o desafio como um 'risco sério para a saúde'.

Continua depois da publicidade

Em comunicado, a entidade alertou que a toxicidade do paracetamol pode ocorrer antes mesmo do aparecimento de sintomas clínicos evidentes.

'O paracetamol não é inócuo e, tal como todos os medicamentos, apenas deve ser utilizado quando necessário e de acordo com a posologia indicada pelo médico, farmacêutico ou constante do folheto informativo', destaca a nota.

A sobredosagem pode provocar lesão hepática grave e irreversível, evoluindo para insuficiência hepática aguda, necessidade de transplante e, em casos extremos, morte. Em situações menos frequentes, também podem ocorrer danos renais, sobretudo quando há uso prolongado ou ingestão excessiva.

Continua depois da publicidade

Qual é a dose segura?

Para adultos, a dose máxima diária recomendada é de 4 gramas, podendo ser administrados entre 500 mg e 1 g a cada quatro a seis horas.

Nas crianças, a dose é calculada com base no peso corporal, sendo, em geral, indicada a administração de 60 mg por quilo por dia, divididos ao longo do dia. Especialistas recomendam que os pais utilizem apenas simuladores de dose confiáveis e sigam orientação médica.

Sintomas de intoxicação

Os primeiros sinais de sobredosagem podem surgir nas primeiras 24 horas e incluem:

Continua depois da publicidade

  • Náuseas

  • Vómitos

  • Sudação

    Continua depois da publicidade

  • Letargia

Com a progressão dos danos no fígado, podem aparecer dores abdominais intensas e complicações graves. Em caso de suspeita de ingestão excessiva, a orientação é procurar assistência médica imediata.

Medicamento comum, risco real

O paracetamol é um dos fármacos mais utilizados no mundo para aliviar dor e febre, devido à sua ação analgésica e antipirética. Quando utilizado corretamente, é considerado seguro.

Continua depois da publicidade

No entanto, especialistas alertam que a banalização do medicamento e a influência de desafios virais podem transformar um remédio comum em um risco grave à saúde.

Autoridades reforçam a importância da vigilância parental e do diálogo com crianças e adolescentes sobre os perigos de reproduzir comportamentos incentivados nas redes sociais.

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software