A Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), empresa que opera as travessias litorâneas no Estado, informou ontem que suspendeu a decisão de, a partir do próximo dia 1° de julho, interromper o transporte de passageiros, no período da 1h40 e 4h20 da madrugada, entre o Centro de Santos (atrás da Alfândega) e Vicente de Carvalho, em Guarujá.
Uma faixa avisando a medida estava afixada nos terminais mas, segundo a Dersa, já foi retirada e os serviços seguem mantidos.
A iniciativa iria atingir dezenas de trabalhadores portuários e de outros segmentos profissionais que teriam que andar cerca de dois quilômetros para atravessar de catraia, pelo terminal de embarque e desembarque que fica atrás do Mercado Municipal, na Vila Nova.
A também iria penalizar os cerca de 80 catraieiros, que seriam obrigados a assumir a demanda imposta. Atualmente, aos catraieiros transportam oito mil pessoas por dia. As barcas da Dersa transportam entre 25 e 30 mil. O número de madrugada é reduzido, mas vai gerar desconforto.
Regulamentação
Além de assumir o contingente da Dersa sempre que há uma situação inusitada, como a pandemia, por exemplo, os catraieiros reclamam que, desde 1986, quando o decreto ministerial foi assinado, a categoria aguarda a tão regulamentação do transporte.
“Existe um grande número de trabalhadores portuários que trabalham a noite que ficaram sem transporte. As catraias não serão responsáveis pelas atitudes errada da Dersa. Já fizemos inúmeros pedidos de reunião com a Secretaria de Logística e Transportes do Estado de São Paulo no sentido de fazer valer o decreto”, afirma o catraieiro Adilson Santos, da Associação dos Catraieiros de Santos e Vicente de Carvalho.
Ele também luta por um reajuste das tarifas, congeladas há um ano no valor de R$ 1,55.
França
Segundo Santos, o ex-governador Márcio França teria baixado um decreto exigindo a regulamentação. “Mas também não foi seguido. A Marinha só fiscaliza equipamentos e embarcações. A regulamentação facilitaria a fiscalização, inclusive do Ministério Público; a definição de tarifas; investimentos em atracadouros; enfim, melhoria do serviço de travessia. Temos autorização do transporte, mas não o regulamento”, enfatiza.
A Reportagem tentou obter um posicionamento da Secretaria de Logística e Transporte e obteve a seguinte resposta: “a Dersa informa que é responsável pelo transporte público de passageiros por meio de lanchas e balsas. As catraias são privadas e, portanto, não são regulamentadas pela empresa”.




