Deputado federal questiona praticidade da CPI do Senado

Para Roberto Freire (PPS), CPI é um mecanismo de desvio de atenção que não pretende investigar a Petrobras

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24 MAI 201400h36

Para oposição é claro o papel que os senadores da base aliada do governo estão desempenhando na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), instalada na casa, que investiga os escândalos que envolvem a Petrobras. O ponto de vista é reforçado pelo deputado federal, Roberto Freire (PPS), em visita à redação do Diário do Litoral, na tarde de ontem. Para o deputado, “a CPI do senado não é uma CPI, é um mecanismo de desvio e de empastelamento de investigação dos escândalos da Petrobras. Aquilo não é para funcionar”.

Freire fez críticas aos senadores que compõe a CPI, e afirma que foi desmoralizante “o chamado depoimento de Sérgio Gabrielli (ex-presidente da Petrobras), que foi dar a versão que interessa ao governo, e trataram- no, não como alguém que sob ele pesa, no mínimo, decisões equivocadas”. Em depoimento a CPI do Senado, na última terça-feira (20), Gabrielli afirmou que a compra da refinaria de Pasadena foi um bom negócio, “com um preço barato”, mas se tornando um mau negócio em 2008, devido à crise econômica. No depoimento, não havia nenhum representante da oposição, que abandonou a CPI em forma de protesto, pois com a decisão de formar a comissão levando em conta a proporcionalidade dos partidos, a base da oposição teve direito a apenas três vagas. “Aquela CPI que foi instalada lá (Senado), não está nem tendo participação das oposições. É uma CPI chapa branca do governo. Desmoraliza até o Congresso Nacional, e o Senado especificamente”, disse o deputado.


Freire cita que o julgamento do mensalão saiu da CPI que investigou os Correios (Foto: Matheus Tagé/DL)

Segundo Freire, a esperança da oposição e, consequentemente o esforço dos deputados, é a instalação da CPI mista na Câmara. O deputado afirma que a CPMI pode vir a ser um instrumento de investigação, pois os deputados aliados são mais independentes que os do Senado. “Será mais difícil para o Governo controlar, porque com a presença da Câmara, a própria base de sustentação do governo tem uma maior independência do que a do Senado. O Senado é mais submisso aos interesses do governo”, afirmou Roberto Freire. Para a CPI na Câmara ter o andamento necessário para investigar as acusações de irregularidades na Petrobras, é preciso a participação do PMDB, que detém o maior número de deputados. Freire acredita que, na Câmara, o PMDB tem um nível de independência maior, e se tiver “uma posição de independência pode ter uma CPI que possa investigar alguma coisa”. Para o deputado, mais importante, e o foco da CPI “é o de ajudar a Petrobras e o Brasil”.

Na visita ao DL, Roberto Freire abordou outros temas, como Copa do Mundo e as promessas não cumpridas de modalidade urbana, falta de estrutura nas cidadessede, os gastos elevados, e os atrasos nas obras a 19 dias do mundial. Tratou também de economia e sobre “o controle ineficiente da inflação” por parte do PT, e da política econômica do governo Dilma Rousseff. Freire também comentou a última pesquisa do Ibope que apontou o crescimento das candidaturas da oposição à presidência, tanto de Aécio Neves, destacando o “crescimento de Eduardo Campos, que quase duplicou o percentual de intenção de votos, saindo de 6% e indo para 11%”.

“Dilma não cresceu na pesquisa do Ibope. Ela voltou para o mesmo patamar. Essa pesquisa espanta o “Volta Lula”, e consolida o crescimento dos candidatos de oposição. O Eduardo quase dobrou na sua intenção de voto”, finalizou.