DENÚNCIA: Santos não cumpre TAC para combater a exploração sexual de crianças

Falta integração das secretarias, profissionais especializados, verba e busca ativa. Profissionais de Núcleo ficam ociosos.

A Prefeitura de Santos está descumprindo o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado com o Ministério Público (MP), em 19 de maio do ano passado, para combater a exploração sexual de crianças e adolescentes em Santos. A falta de integração das secretarias municipais, de profissionais especializados, de verba e busca ativa foram os principais motivos apontados na reunião da Promotoria Comunitária, ocorrida na última quarta-feira (31), na Universidade Católica de Santos (UniSantos).

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A situação pode causar problemas ao prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) e secretários, caso a Promotoria da Infância e Adolescência de Santos resolva ingressar com uma ação na Justiça. O TAC é um instrumento extrajudicial utilizado pelo MP para ajustar uma conduta considerada ilegal por parte dos poderes públicos.

Pelo documento, a Prefeitura de Santos deveria ter implantado, em 19 de julho do ano passado (60 dias após a assinatura) um serviço especializado de abordagem social de crianças e adolescentes vítimas de exploração e trabalho infantil.

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Em 19 de agosto do ano passado (90 dias após a assinatura do TAC), a Administração Paulo Alexandre teria que ter aumentado as equipes de profissionais dos centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) das zonas Leste e Noroeste, com duas duplas de psicólogos e assistentes sociais em cada equipamento. Além disso, criar equipes de busca ativa.

A única obrigação cumprida pela Prefeitura e, mesmo assim, com muito atraso (em 18 de setembro do ano passado), foi a implantação do Núcleo Integrado de Articulação e Atendimento à Crianças e Adolescentes, que funciona dentro do Mercado Municipal, mas que está na iminência de fechar por conta justamente da falta de busca ativa.

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Desde sua implantação, só 10 crianças foram encaminhadas ao Núcleo. Ele iniciou suas atividades sob pressão do MP e conta com um assistente social, um terapeuta, um oficial administrativo, um psicólogo e um orientador social, que passam boa parte do tempo ociosos.

MULTA

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O MP vem sendo tolerante com a Administração. O TAC previa multa diária de R$ 3 mil por descumprimento de prazo e nunca foi aplicada. O dinheiro seria revertido ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. O não pagamento das multas implicaria em cobrança, com correção monetária de 1% ao mês e multa de 10% sobre o montante apurado. A assinatura do TAC não esgotava a possibilidade da Prefeitura implementar melhorias na rede municipal de serviços, que envolve o atendimento a crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual.

DEMANDA REPRIMIDA

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Os assistentes sociais, conselheiros tutelares e outros profissionais que participaram da reunião na UniSantos foram unânimes em afirmar que o descumprimento do TAC é o principal responsável pela demanda reprimida e o possível fechamento do Núcleo. “Talvez isso venha sendo feito propositadamente para fechar o equipamento. Era preciso estratégias, mapeamento e abordagem das crianças. Pessoas que fizessem o trabalho nos equipamentos sociais, de saúde e escolas municipais. Existe crianças exploradas no centro, no porto, na orla e até na Zona Noroeste, perto do sambódromo, inclusive meninos. Não adianta ficar aguardando as crianças e adolescentes no Núcleo”, dispara o vice-presidente do Conselho Municipal da Criança e Adolescente (CMDCA), Edmir Santos Nascimento.

A conselheira tutelar Idalina Xavier já havia revelado que “o Núcleo não vai para frente sem a busca ativa. Nenhuma menina explorada sexualmente vai se apresentar por uma questão constrangimento e até de segurança. Os exploradores controlam seus passos. Muitas sequer têm noção que estão sendo exploradas. É preciso que equipes, com profissionais habilitados, saiam às ruas, entre 22 horas e cinco da madrugada, para fazer abordagens e convencê-las a serem assistidas pelo Núcleo”.

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O promotor aposentado e coordenador da Promotoria Comunitária, Ivan da Silva confirmou que cláusulas do TAC não foram cumpridas. “Os técnicos da Prefeitura não foram ouvidos e isso seria fundamental para cumprimento do TAC. Agora, a Promotoria vai ver se é caso de judicialização ou não”.

O assessor jurídico da Prefeitura, Octávio Borba de Vasconcelos Filho, disse algumas medidas serão tomadas, como uma reunião urgente com o MP para uma possível reavaliação do TAC. “Também buscaremos verba para realizarmos a busca ativa, além fiscalizar comércios fomentam a exploração e envolver todas as secretarias e polícia civil num trabalho conjunto”, disse Borba.

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O vereador Fabiano Batista Reis, o Fabiano da Farmácia (PL), que preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente na Câmara, está propondo uma audiência pública e promete fazer o que a Prefeitura deveria ter feito: reunir representantes da cidade com o objetivo de propor políticas públicas e estudar possibilidade de uma força tarefa para o enfrentamento do problema social.