DENÚNCIA: Moradores do Jardim São Manoel relatam coação e fraude

Munícipes citam casos de intimidação do Poder Público para assinatura de documentos com valores alterados.

Moradores de imóveis localizados na rua João Carlos da Silva, no Jardim São Manoel, em Santos, denunciam o Poder Público e empresas relacionadas de coagir e forçar famílias, em sua maioria de baixa renda, a abandonar residências para realocação em Conjunto Habitacional.

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As denúncias são de coação e fraude com o intuito de forçar a evacuação dos moradores de suas casas, tanto para a construção de uma ponte da nova entrada de Santos, quanto para a recuperação do ecossistema existente no local, o manguezal, que foi danificado devido as moradias irregulares.

“Pessoas foram coagidas, isso tem que ser investigado. Famílias com renda menor do que um salário mínimo foram pressionadas a assinar documentos que dizem ganhar mil reais e algumas que ganham um salário mínimo, foram coagidas a assinar documentos que constam ganhar salários de dois ou três mil reais e hoje não conseguem arcar com os custos dos apartamentos,” relata o morador Wagner Barros.

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Para o presidente da Sociedade de Melhoramentos do bairro, Edimilson Duarte, uma negociação melhor deveria ser feita. “Propor uma indenização por seus imóveis como forma de quitar a dívida do apartamento, ou ao menos amenizar a conta, seria uma alternativa, já que além da prestação mensal do imóvel, essas pessoas precisam arcar com gastos como gás encanado e altas contas de energia de uma hora pra outra”.

De acordo com a empreendedora Ana Santos, que há 15 anos tem uma loja de artesanato na rua João Carlos e mora no local há duas décadas, os moradores estão alertas e receosos.”Até agora não fomos notificados oficialmente e não sabemos de nenhum tipo de projeto relacionado a essas retiradas. Portanto, eles (Cohab Santista, CDHU e Prefeitura) agem de forma totalmente arbitrária e ameaçadora”.

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A Cohab Santista nega as acusações e diz tratar de cumprimento de decisão judicial com acompanhamento do Ministério Público Estadual (MPE), que determina o reassentamento de famílias da rua João Carlos da Silva, que vivem em área de preservação ambiental, para o Conjunto Habitacional Santos “O”, no bairro São Manoel.

REUNIÃO DO MPE

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Em reunião realizada no dia 15 de julho com a Promotoria de Justiça e a Cohab Santista, representantes de moradores da rua João Carlos da Silva externaram que alguns aceitam a mudança, os que moram em palafitas e construções de risco sobre a maré. Porém, outros moradores, que residem em casas de alvenaria, não pretendem deixar suas residências, tendo em vista o investimento na construção de seus imóveis.

A Promotoria informou que a decisão de deixar ou não o local era uma opção deles, já que não há decisão judicial que os obrigue a sair, mas não seria possível paralisar o processo de remoção de outras famílias que concordem em sair da área para um conjunto habitacional.

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Diante da negativa, os representantes dos moradores solicitaram que, ao menos, a ordem das áreas a serem desocupadas, devido ao acordo judicial entre Ministério Público, Prefeitura e Cohab Santista, fosse alterada para que a área em que esses moradores, que não querem sair, residem fosse a última do processo”.

A Promotoria afirmou que estudaria o assunto com o Município (que não estava representado naquela reunião) e solicitou à Cohab que, até que esse pedido fosse decidido, suspendesse o cumprimento do acordo judicial.

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Entretanto, na manhã do dia seguinte (16), após ouvir o Município e a Cohab, a Promotoria chegou à conclusão de que “a alteração da ordem de desocupação das áreas não se justificava, e poderia, até mesmo, devido à fragmentação da sequência de desocupações, fragilizar a fiscalização preventiva contra invasões das áreas desocupadas”.

Consequentemente determinou à Cohab que desse seguimento com o cumprimento do acordo judicial.

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A Cohab destaca que todas as famílias foram cadastradas previamente e fazem parte de um plano de pré-ocupação.

MAIS TRANSTORNOS

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Moradores que já foram transferidos para o novo conjunto habitacional Santos “O”, alegam que os apartamentos sofrem com problemas estruturais, de goteiras, infiltrações a rachaduras.

A CDHU afirma que “não há problemas estruturais nos prédios nem foram verificadas infiltrações nas unidades” e que realizou vistoria prévia em todos os apartamentos.

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“No momento da mudança e ocupação da unidade é efetuado ainda check-list com a presença dos moradores. A construtora responsável permanece no local durante todo o período de mudanças para atender os moradores e realizar possíveis reparos quando solicitados”, esclarece a companhia.

Já a Cohab Santista reafirma que não há problemas de estrutura e ressalta que “todos os futuros moradores do Conjunto Habitacional escolheram espontaneamente as suas unidades habitacionais, inclusive optaram pelos andares, blocos e seus respectivos vizinhos”.