Dengue na Baixada: apenas 2 cidades vacinaram mais da metade do público com a 1ª dose

Levantamento revela adesão abaixo do esperado na região; cenário muda em 2026 com a chegada da nova vacina do Butantan

Balanço revela cenário preocupante no litoral

Balanço revela cenário preocupante no litoral | Reprodução/Freepik

Enquanto o Brasil se prepara para contar com duas vacinas contra a dengue em 2026, os dados de 2025 revelam um cenário de baixa cobertura vacinal na Baixada Santista, mesmo com a oferta da vacina Qdenga no SUS desde o início do ano passado. 

O balanço, compilado a partir de informações municipais, mostra que apenas duas das noves cidades da região, Santos e Cubatão, vacinaram mais da metade do público-alvo (adolescentes de 10 a 14 anos) com a primeira dose.

Os números da imunização (1ª dose) na região são os seguintes:

  • Cubatão: 68,40%
  • Santos: 57,40%
  • Mongaguá: 43,96%
  • Guarujá: 44,51%
  • Itanhaém: 42,36% 
  • Peruíbe: 40%
  • São Vicente: 7.373 doses da 1ª dose aplicadas (percentual não divulgado)
  • Bertioga: 20,98%
  • Praia Grande: Não informou os números

Estado de São Paulo 

Os dados contrastam com a situação epidemiológica do estado. De acordo com o último boletim da Sala de Situação Estadual de Enfrentamento às Arboviroses, São Paulo contabilizou 844.175 casos confirmados de dengue e 1.082 óbitos em 2025. 

Os dados mostram a queda no número de casos, cerca de 58,2%, em comparação ao ano anterior, quando o Estado bateu um recorde de mais de 2 milhões de casos confirmados. 

Contudo, o boletim estadual aponta que, no segundo semestre de 2025, houve aumento da incidência em diversas Regiões, com destaque para áreas como Alta Sorocabana, São José do Rio Preto e o Litoral Norte paulista.

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Contexto Nacional

A dengue permanece como um grave desafio de saúde pública no Brasil. Após bater recordes históricos em 2024, com 6,6 milhões de notificações e 6,3 mil mortes, o país registrou uma redução significativa em 2025, com aproximadamente 1,65 milhão de casos e 1,8 mil óbitos. 

Apesar da queda, especialistas alertam que a situação está longe de ser controlada. A doença, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, continua a sobrecarregar as unidades de saúde, especialmente nos períodos mais quentes e chuvosos.

Duas Vacinas no Cenário

O ano de 2026 pode marcar uma virada na estratégia de combate à doença. Pela primeira vez, o Brasil disporá de duas vacinas contra a dengue. 

Além da Qdenga (Takeda), em uso restrito desde 2024, a Anvisa aprovou, no fim de novembro, a Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan. Esta última é a primeira vacina de dose única do mundo contra a dengue.

A expectativa é que, mesmo sem uma produção em larga escala imediata, a disponibilidade de duas ferramentas vacinais torne o panorama mais favorável para o controle da doença nos próximos anos. 

Enquanto isso, a conscientização sobre a completação do esquema vacinal (com duas doses, no caso da Qdenga) e a manutenção das medidas de combate ao mosquito continuam sendo fundamentais para evitar novos surtos e mortes.