'Demos poder demais ao Judiciário'

Ao Diário, o major Adriano da Costa e Silva, diferente de muitos militares radicais, não acredita em intervenção, mas na conquista do poder pelo voto

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13 AGO 2018Por Carlos Ratton11h12
Adriano da Costa e Silva  é oficial do Exército e largou a farda para ser pré-candidato ao Governo do Estado pelo Democrata Cristão (DC)Adriano da Costa e Silva é oficial do Exército e largou a farda para ser pré-candidato ao Governo do Estado pelo Democrata Cristão (DC)Foto: Rodrigo Montaldi/DL

Ele é oficial do Exército e largou a farda para ser pré-candidato ao Governo do Estado pelo Democrata Cristão (DC). Ao Diário, o major Adriano da Costa e Silva, diferente de muitos militares radicais, não acredita em intervenção, mas na conquista do poder pelo voto. Confira os melhores trechos da entrevista:  

Diário do Litoral – Quais serão suas primeiras medidas caso conquiste o Palácio dos Bandeirantes?
Major Costa e Silva – 
Só no Palácio tem  400 cargos de livre indicação do governador. Eu estive lá e confesso que não vi como ter tanta gente comissionada num único local. Onde estão eles? Em que pese a responsabilidade do governador, acredito que é um pouco exagerado. Uma auditoria bem feita vai mostrar que boa parte é ­desnecessária.

Diário – A economia começa por aí?
Costa e Silva –
Sim e já seria monstruosa. Se cortarmos boa parte, vamos ver que tudo vai continuar funcionando e muito bem. Também dá para enxugar os contratos e aumentar a eficiência da aplicação dos recursos públicos, colocando pessoas mais qualificadas e compromissados. O serviço público vem sendo mal prestado.

Diário – A Baixada deixou de receber R$ 62 bilhões nos últimos anos. Se for eleito, vai olhar com mais atenção a região?
Costa e Silva –
Vou olhar o Estado todo. Temos potencial, mas está deixado de lado. Não deve existir política partidária quando você assume o governo. Não vai me interessar se o prefeito é do meu partido, do aliado ou da oposição. Todos serão atendidos sem distinção. Vou olhar os problemas de forma diferenciada, baseado no grande número de pessoas assistidas. É impossível resolver todos os problemas em quatro anos, mas um novo rumo pode ser dado. 

Diário – Tem como sair a ponte Santos-Guarujá?
Costa e Silva –
Uma ponte construída no Brasil é bem mais cara do que em outro lugar do Mundo. Temos que ter pé no chão e buscar uma alternativa financeira para realizar esse projeto. É uma necessidade para região. 

Diário – Como o senhor avalia as questões ambientais do Estado? 
Costa e Silva –
O Rio Tietê, por exemplo, é um esgoto a céu aberto. Um problema nunca resolvido. A primeira coisa a ser feita é um estudo bem aprofundado de todos os problemas. Não adianta ficar remediando, gastando dinheiro público e não resolver o problema.

Diário – O Estado precisa de mais 12 mil policiais. Tem como melhorar a segurança pública.
Costa e Silva –
Minha vice é cabo da Polícia Militar. A cabo Fátima é um exemplo do que passa a PM paulista. Mulher, mãe de cinco filhos e já avó, ela vivia fazendo a Operação Delegada, que é o bico institucionalizado, que acaba tirando ela de casa por mais tempo. O PM não possui bem-estar, respaldo jurídico para atuar e nem bom salário. Se mata é punido e se não mata morre. Um soldado da PM paulista ganha R$ 2.700,00 líquidos e é o mais preparado do País. Precisamos proporcionar melhores condições a ele e para os policiais da Polícia Civil. Temos que estimular videoconferências para não sobrecarregar o efetivo e economizar ­dinheiro.

Diário – O senhor é a favor da Guarda Municipal armada?
Costa e Silva –
Sim e do porte de arma para o cidadão. Em 24 anos de Exército eu só usei uma arma fora da atividade uma vez e respondi inquérito porque reagi a um assalto. No entanto, ninguém se preocupou em correr atrás do marginal que ameaçou minha família. 

Diário – Policial deveria parar de fazer segurança em estádios de futebol porque é um evento particular?
Costa e Silva –
Discordo. É um evento de grande movimentação de pessoas. Além disso, o tipo da tropa que faz esse trabalho é especializada. Segurança privada não é uma alternativa segura por falta de preparo técnico e equipamentos. 

Diário – A intervenção no Rio é pirotecnia?
Costa e Silva –
Do jeito que foi implantada sim e colocou o Exército na berlinda, pois essa força é preparada para a guerra e, a urbana, requer outro tipo de preparo. As limitações legais concedidas ao Exército são muito grandes. Os casos têm que ser julgados pela Justiça Militar e não pela comum, porque a militar é, tecnicamente, melhor para avaliar o que ocorre nas ações. Os nossos juízes, em que pese o conhecimento, não tem a mesma percepção. 

Diário – Como o senhor avalia o Poder Judiciário?
Costa e Silva –
A primeira constituição brasileira criou quatro poderes: Legislativo, Executivo, Judiciário e o Moderador. Quando o Império acabou, também chegou ao fim o Moderador. No entanto, a Constituição de 88 o recriou, pois o Judiciário rediscute o que já foi decidido pelo Congresso e ainda dá ordens ao Executivo. Temos decisões absurdas que acabam tendo dois pesos e duas medidas. Demos poder demais ao Judiciário. Aliás, vivemos a ditadura do Judiciário. 

Diário – Hoje, muita gente pede a volta dos militares pela força e não pelo voto.
Costa e Silva –
Vivemos uma crise moral. Quando eu ouço pedidos da volta dos militares, eu não entendo que querem homens nas ruas, com armas, com truculência. Querem o retorno dos valores que a instituição cultua e que eu acredito. Por isso, tirei minha farda e me ofereço como pré-candidato. Mas só gostaria de exercer mandato por intermédio do voto, pela democracia. Ditadura, jamais. O Exército, hoje, é extremamente legalista. É uma instituição de Estado e não de Governo. Do povo brasileiro e para garantir a segurança. O dia que eu tiver que usar minha arma contra um cidadão para impor a minha vontade, eu terei certeza que enterrei a ­democracia.