Demissão é 'absurda', diz fiscal que denunciou Donato

Ao MPE, ela disse que o bando financiou a campanha de Donato para vereador em 2008. Hoje, ele é o homem forte da gestão Fernando Haddad

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08 NOV 201311h47

Após acusar o secretário municipal de Governo, Antonio Donato, de receber dinheiro da quadrilha responsável por fraudar a arrecadação do Imposto sobre Serviços (ISS), Paula Sayuri Nagamati classificou de "absurda" sua demissão de um cargo de confiança na Prefeitura. Ao Ministério Público Estadual (MPE), ela disse que o bando financiou a campanha de Donato para vereador em 2008. Hoje, ele é o homem forte da gestão Fernando Haddad (PT).

Abordada ontem pela reportagem, a ex-chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Finanças na gestão Gilberto Kassab (PSD) não quis se estender: "O que eu tinha para dizer foi dito ao Ministério Público". Anteontem, a coluna Direto da Fonte revelou o teor do depoimento de Paula ao MPE no dia 31 de outubro. Aos promotores, disse ter ouvido do ex-subsecretário da Receita Ronilson Bezerra Rodrigues, apontado como líder da quadrilha que teria desfalcado a Prefeitura em até R$ 500 milhões, que o grupo "apoiou a campanha" de Donato com "dinheiro fruto da fiscalização". O secretário nega.

A exoneração de Paula do cargo de supervisora técnica da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social foi publicada no Diário Oficial da Cidade de ontem, em portaria assinada por Donato.

Desconfortável

Ontem, Haddad justificou a exoneração de Paula. "Se o secretário está desconfortável com a situação, em função da proximidade dela, dos conhecimentos que ela tem sobre o assunto, mesmo que não tenha envolvimento direto, o fato de não ter informado antes isso (a fraude no ISS) faz com que a pessoa se retraia, é natural", disse Haddad.

Paula Sayuri Nagamati acusou o secretário municipal de Governo, Antonio Donato, de receber dinheiro da quadrilha responsável por fraudar a arrecadação do ISS (Foto: Divulgação)

Segundo ele, Paula "poderia ter evitado muitos transtornos à Prefeitura se tivesse contado o que sabia antes". Haddad disse que "as pessoas muito próximas do grupo estão perdendo cargo de chefia". Ele afirmou ainda que outros servidores devem ser exonerados. (Colaborou Fabio Leite).