Deficiente visual diz que São Vicente não tem política de acessibilidade

Paulo sofreu quedas em um ponto de ônibus por causa de um buraco na calçada

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04 MAR 201322h34

Paulo Hilário dos Santos, de 44 anos, é ferroviário aposentado. Há seis anos ele ficou cego por causa da diabetes. Doença que descobriu somente aos 37 anos, embora fosse portador desde que nasceu. A perda da visão e outras complicações de saúde surgiram após o diagnóstico tardio. Paulo teve que se aposentar e desde então passou por um longo processo de adaptação devido a sua deficiência, para continuar independente.

Paulo mora sozinho e dá conta dos seus afazeres domésticos. Hoje ele estuda Direito e é assistido no Lar das Moças Cegas de Santos. O aposentado superou muitas dificuldades, mas ainda não consegue driblar a falta de acessibilidade nas ruas da Cidade onde reside. “São Vicente tem mais de 200 pessoas com algum tipo de deficiência visual, mas não temos um programa voltado para acessibilidade na Cidade”, afirmou.

Segundo Paulo, as calçadas e os pisos, principalmente no Centro da Cidade, são irregulares e apresentam muitos buracos que aumentam os riscos para os deficientes. Caminhando próximo a Praça 22 de Janeiro (Biquinha), Paulo aponta algumas irregularidade. A calçada só é rebaixada em frente a faixa de pedestres da Praça 22 de Janeiro, já na faixa da Rua Padre Anchieta que cruza a via não tem rebaixamento, dificultando a travessia.

Paulo afirmou ainda que falta sinalização sonora nos semáforos para orientar os deficientes visuais. Os pisos das calçadas em mosaico também são obstáculos. “A bengala-guia prende entre as pastilhas no chão”. Mas sua preocupação maior é com os buracos que encontra nas ruas e calçadas. “Aqui neste ponto de ônibus (Praça João Pessoa) já caí várias vezes por causa desse buraco”, afirmou apontando para um buraco grande.

A secretária de Planejamento de São Vicente, Elizabeth Correia, afirmou que ao poucos a Administração Municipal está adequando o Município as condições de acessibilidade para melhor atender a população. A secretária disse ainda que rampas e faixas-guia já estão previstas nos projetos de urbanização da Linha Azul e a da praia do Itararé, que estão em andamento na Cidade.

Em nota, a Secretaria de Obras e Meio Ambiente informou que “que intimará o proprietário para que faça os reparos na calçada com buracos, como determina a lei 502/06. Já na Rua Padre Anchieta, um técnico da Secretaria de Planejamento irá ao local fazer uma vistoria para, se necessário, tomar as providências cabíveis. Quanto à sinalização sonora, o Município ainda não possui o sistema”.