Defensoria de Santos insiste na cesta básica

Ação quer obrigar a Prefeitura de Santos a estender o amparo social a todas as famílias que tenham renda de até R$ 522,50

A Defensoria Pública ingressou com um agravo de instrumento (recurso judicial) contra a decisão da Justiça em não conceder uma liminar (decisão provisória) na ação civil pública para obrigar a Prefeitura de Santos a estender o amparo social a todas as famílias que tenham renda per capta de meio salário mínimo (R$ 522,50) na Cidade, independentemente de estarem no Cadastro Único (CadÚnico) e desde que não recebam benefício educacional pelo Município, sob pena de multa diária no valor de R$ 10 mil.

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O magistrado amparou sua decisão argumentando que não pode substituir o administrador (Prefeitura) no que tange ampliar programa assistencial ou criar benefício em favor de determinada faixa populacional. “Escolhas dessa natureza são por um exame sistêmico, com análise financeira e orçamentária do Município, a partir do altiplano da administração pública”, decidiu o juiz Márcio Kammer de Lima, da 2ª Vara da Fazenda Pública de Santos.

A ação tem por base na vulnerabilidade temporária das pessoas pela calamidade pública por conta da pandemia de Covid-19. Segundo o defensor Thiago Santos de Souza, a criação de benefício eventual por vulnerabilidade temporária e calamidade pública independe de lei orçamentária e a limitação da inscrição no Cadastro Único (CadÚnico), pois a renda per capta de R$ 89,00 deixa diversas famílias em abandono social.

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“O pedido pertencente ao mínimo existencial digno de proteção às famílias em situação de vulnerabilidade, não se tratando de pedido supérfluo e, assim, não há empecilho para o Poder Judiciário, na omissão do Poder Executivo, determinar a efetivação da política pública de ampliação de amparo e proteção social”, afirma Souza.

O defensor ainda argumenta que, embora os recursos públicos sejam finitos, Santos não sofreria nenhuma lesão grave ou de difícil reparação, inclusive no aspecto econômico, “já que durante a pandemia, realizou obras na orla trocando bancos e inaugurando placas. Esperamos que saia a tutela antecipada recursal, sob perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo”, finaliza.

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Prefeitura

A Prefeitura já havia se manifestado, reiterando que, desde o início da pandemia da Covid-19, o programa Cesta Básica Solidária já distribuiu kits de alimentos a mais de 17 mil famílias de alunos matriculados nas 85 escolas municipais. A ação é destinada a pessoas em situação de vulnerabilidade social.

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Também criou o Cartão Bolsa- Alimentação, benefício destinado às famílias em situação de extrema pobreza, cadastradas ou não no programa Bolsa Família, e famílias em situação de pobreza que recebem a contribuição federal. A busca foi realizada a partir dos dados do CadÚnico. O auxílio está sendo pago, conforme estabelecido na legislação.

Os valores individuais estão disponíveis nos cartões: R$ 101,00 para os alunos de creche, R$ 63,00 para os de pré-escola e R$ 55,00 para os de Ensino Fundamental. O programa tem apoio do setor privado, por meio da ONG Comunitas, parceria que permite que seja dobrado o valor para todos os beneficiários apenas pelo primeiro mês do projeto, para cada faixa de ensino: R$ 202,00 para creche, R$ 126,00 para pré-escola e R$ 110,00 para Ensino Fundamental.