Decoração do Carnabonde é a mais ecológica das 18 edições

Este ano, a folia, que prossegue até as 15h, tem como tema Turistas do Bairro Chinês, nome de um dos blocos pioneiros do carnaval santista

Cestas plásticas transformadas em luminárias chinesas, bocas de garrafas PET pintadas e revestidas com paetês, EVA, tecido dublado, TNT, bolas de isopor e papel. O bonde escocês de prefixo 32 se fantasiou com motivos orientais para o Carnabonde, tradicional festa carnavalesca da família a ser realizada neste sábado, às 11h, na Praça Mauá, e desde 2001 atrai milhares de foliões para o Centro Histórico. Este ano, a folia, que prossegue até as 15h, tem como tema Turistas do Bairro Chinês, nome de um dos blocos pioneiros do carnaval santista.

A festa, aliás, terá o bonde mais ecologicamente correto das 18 edições do Carnabonde, de acordo com André Leahun, artista plástico que desde 2006 responde pela ornamentação do elétrico. É que 90% dos materiais utilizados na decoração vieram de outros carnavais. “Esse é um grande exercício de criatividade, pois é preciso reaproveitar, conferindo às peças um aspecto absolutamente novo”, comentou ele, enquanto iniciava, na tarde desta sexta (9), a ornamentação do bonde, junto com as cinco pessoas que há 15 dias vêm trabalhando na confecção das peças decorativas.

O bonde circulará com dois dragões chineses, orquídeas de papel, luminárias, cestos com ouro e bandôs com ideogramas que significam paz, família, alegria, amor e felicidade, entre outros itens.

História

O carnaval santista nasceu no bairro Chinês, onde havia chácaras de orientais, com dois grandes blocos: o Baby dos Jardins da Infância e o Turistas do Bairro Chinês. Eles promoviam brincadeiras e batalhas de confete nas ruas do Centro e, à noite, seguiam com a festa em outros pontos da Cidade, até chegar à praia.

Incorporado ao Valongo nos anos 1960, o bairro Chinês renasceu em 2011, com a atualização das leis de Uso e Ocupação do Solo – ele está localizado do sopé dos morros São Bento, Pacheco e Penha até a Avenida Getúlio Vargas, entre a Rua São Bento e o Saboó.  

Em 1956, o bairro recebeu turistas espanhóis, visita devidamente fotografada e que serviu de inspiração. Dois anos depois, o bairro realizou a primeira grande batalha de confete, comemorando a inauguração da segunda pista da Avenida Visconde de São Leopoldo, que ficava em seus limites e até hoje é o acesso principal para entrada e saída de Santos. Tudo registrado para a posteridade.