Cotidiano
O ex-galã dos anos 1990 morreu aos 66 anos, após quase três décadas convivendo com sequelas de um tiro na cabeça; segundo parentes, a emissora manteve plano de saúde vitalício ao artista
Um dos galãs da televisão brasileira nos anos 1990, Brenner se destacou em novelas da TV Globo e consolidava uma carreira promissora, antes de ter sua trajetória interrompida por um atentado em 1998 / Captura de tela/YouTube/maiconnews7
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Após a tragédia com o ex-galã de novela, Gerson Brenner, internautas acusaram a TV Globo de não ter ajudado o ator nos aspectos necessários à sua reabilitação. No entanto, esse ponto foi refutado pela própria filha do artista, Victória Brenner; ela explicou que a emissora manteve o pagamento do plano de saúde vitalício. A esposa de Brenner, Marta Mendonça, também reforçou o ponto de Victória durante entrevista ao jornal Extra, afirmando que o convênio proporcionou cuidados médicos constantes ao ator.
As suposições tiveram origem em 2016, mas vieram à tona agora, visto que Brenner morreu na noite dessa segunda-feira (23), aos 66 anos. O falecimento foi confirmado após períodos de internações e tratamentos médicos; a causa consistiu na falência múltipla de órgãos, resultados de sequelas de um tiro na cabeça do ator em 1998.
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Em consequência aos danos causados pelo episódio, Brenner foi afastado das telas desde o fim da década de 90. No entanto, o ex-galã permaneceu como símbolo nostálgico da teledramaturgia brasileira, tendo uma história marcada por sucesso precoce, quase trés décadas de reabilitação, além do cuidado e apoio familiares.
Nascido em São Paulo, no dia 22 de dezembro de 1959, Brenner iniciou sua carreira artística como modelo e ator de comerciais, antes mesmo de migrar para o teatro e a televisão. Ao longo dos anos 1980 e 1990, ele também participou de dezenas de campanhas publicitárias, aos poucos ganhando notoriedade nas novelas brasileiras.
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Destacou-se principalmente em produções da Globo, incluindo Top Model, Rainha da Sucata, Deus Nos Acuda, Olho no Olho e Vira Lata. Teve seu último trabalho na novela Corpo Dourado, interpretando o "Jorginho"; na trama, ele fazia par romântico com a atriz Danielle Winits.
Como resultado de seu trabalho, Brenner foi considerado um dos galãs em ascensão da dramaturgia brasileira, naquela época.
Gerson Brenner contracenou com Danielle Winits na novela Corpo Dourado, seu último trabalho na televisão antes de ser baleado durante uma tentativa de assalto. Captura de tela/YouTube/maiconnews7No fatídico dia 17 de agosto de 1998, a trajetória de Brenner foi brutalmente interrompida; ele viajava de São Paulo ao Rio de Janeiro para gravar o último capítulo de Corpo Dourado, quando foi vítima de uma emboscada na estrada. Os criminosos haviam espalhado pedras na pista para forçar motoristas a parar.
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Ao descer do carro, o artista tentava trocar um pneu estourado; contudo, naquele momento, Brenner foi baleado na cabeça. A bala atravessou o lado esquerdo do cérebro, ficando alojada na nuca. Como resultado, o ator perdeu massa encefálica e permaneceu em coma por cerca de 16 dias.
Mesmo depois do episódio, o artista sofreu graves sequelas neurológicas, apresentando comprometimento da fala e da mobilidade - sobretudo do lado direito do corpo -. Sua condição o obrigou a abandonar definitivamente a carreira artística.
Condenado por tentativa de latrocínio, um dos criminosos envolvidos chegou a cumprir aproximadamente 20 anos de prisão.
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Posteriormente, Brenner passou por inúmeros tratamentos de reabilitação, como fisioterapia, acompanhamento neurológico, além de cuidados permanentes para alimentação e locomoção. Devido à perda da capacidade de deglutição, ele já precisou receber alimentação por gastrostomia.
Apesar das limitações físicas, familiares relatavam que suas funções cognitivas foram em grande parte preservadas, permitindo que ele compreendesse conversas e acompanhasse conteúdos televisivos.
Nos últimos anos, o ator também enfrentou sérias complicações de saúde, incluindo infecções pulmonares e episódios de pneumonia que exigiram internações hospitalares.
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Após sobreviver ao tiro na cabeça, Brenner passou quase três décadas em reabilitação e cuidados médicos, acompanhado pela esposa Marta Mendonça, que se dedicou ao tratamento do ator até sua morte aos 66 anos. Captura de tela/YouTube/maiconnews7Grande parte da trajetória após o atentado foi acompanhada pela psicóloga Marta Mendonça, que, inicialmente, fazia parte da equipe de reabilitação do ator.
Com o passar do tempo, os dois se aproximaram e iniciaram um relacionamento. O casal permaneceu junto por décadas, e Marta se tornou uma das principais responsáveis pelos cuidados diários do marido.
Em entrevistas, ela relatou que muitas vezes ouviu críticas de pessoas que afirmavam que ela havia “anulado a própria vida” ao cuidar do ator. A psicóloga, porém, sempre rejeitou essa ideia, afirmando que a relação foi construída com base em afeto e compromisso.
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Marcada na memória do público brasileiro, a história de Brenner se destacou não apenas por seus papéis em novelas, mas, simultaneamente, por todas as lutas que o artista teve de enfrentar no restante de sua vida. Portanto, sua morte encerra um dos capítulos mais dramáticos da história recente da televisão brasileira.
*O texto contém informações dos portais Veja, Terra, Wikipédia, Gshow e NaTelinha