Danos a santuário serão discutidos em audiência na Câmara de Santos

Denúncia do arqueólogo Manoel Gonzalez sobre possível extinção da história do santuário será discutida em audiência pública, no próximo dia 22

O Movimento Valongo Minha Casa vai realizar no próximo dia 22, às 14 horas, no auditório Vereadora Zeny de Sá Goulart, na Câmara de Santos (Praça Tenente Mauro Batista de Miranda, 1 – Vila Nova), uma audiência pública para debater a recente denúncia do arqueólogo Manoel Gonzalez, publicada com exclusividade pelo Diário do Litoral, na matéria “História ameaçada: Santuário do Valongo sob risco de extinção“, dando conta que a construção da nova sede da Unidade de Exploração e Produção de Gás e Petróleo da Bacia de Santos, da Petrobras deverá acabar com todo o acervo histórico, arquitetônico e arqueológico do Valongo.

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A audiência vem sendo orquestrada pela vereadora santista Fernanda Vannucci (PPS), que é membro da Valongo Minha Casa e da entidade Amigos de Antônio. Manoel Gonzalez revela a existência de um sítio arqueológico no Santuário do Valongo, muito importante para a história da Cidade. Gonzalez foi o primeiro arqueólogo a estudar o subsolo da área do Santuário do Valongo, cuja pedra fundamental foi assentada em julho de 1640 — quase 375 anos atrás.

A audiência poderá ser acompanhada ao vivo pelo site da Câmara (www.camarasantos.sp.gov.br). Além dos participantes do Movimento, foram convidados a participar 15 pessoas, entre secretários municipais, técnicos, especialistas, representantes de entidades governamentais, do Ministério Público e da própria Petrobras, que não se pronuncia sobre a questão.

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O encontro não descarta a possibilidade do arqueólogo entrar com uma ação junto ao Ministério Público no sentido de exigir o embargo das obras da Petrobras. Ele garante que houve prejuízos arqueológicos e arquitetônicos, além da Petrobras não ter respeitado os limites para construções próximas a prédios tombados, que são de 300 metros.

Segundo Gonzalez, as obras já iniciaram uma verdadeira destruição ao cortar ao meio um galpão histórico, que possuía telhas francesas, material semelhante apenas encontrado na Hospedaria dos Imigrantes, localizado na Rua Silva Jardim, nº 95, que será recuperada pelo Governo do Estado.

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“Atrás e no entorno da Igreja do Valongo eu encontrei cemitérios (primeiros santistas), cujos sepultamentos foram iniciados em 1700, de valor histórico inestimável para resgatar tudo que ocorreu durante as primeiras ocupações em Santos. Tenho um cadastro com nomes de 250 pessoas que foram enterradas no local”, contou Gonzalez, garantindo que a empresa estaria agindo de forma “irregular e criminosa”.

A maior indagação do arqueólogo diz respeito a estudos realizados pela Petrobras dando conta que nada existe no subsolo da área de entorno do santuário. “Eu liguei para o IPHAN (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), pedi para que os técnicos levantassem a ficha cadastral e eles confirmaram o sítio arqueológico. Liguei para a Promotoria Pública que confirmou a situação e pediu relatórios à Petrobras, mas os documentos nunca foram enviados”, disse Gonzalez.

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O arqueólogo garante que não é contra as torres da Petrobras, desde que, antes de tudo, o material arqueológico fosse retirado com cuidados técnicos. “Cemitério é fundamental para a arqueologia. Por intermédio dos restos mortais pode-se identificar a razão sexual, biotipo, altura, os problema de saúde, datas das mortes e outros dados valiosos, que permitem identificar e estudar a sociedade”, garantiu Gonzalez.

Igreja pode desabar

Além do sítio arqueológico, Gonzalez revela que as obras da Petrobras estariam destruindo o prédio da Igreja do Valongo, que foi construída com pedra, cal de sambaqui (conchas moídas), óleo de baleia e areia, e não aguenta impacto, pois não possui alicerce. “Existem grandes rachaduras, o teto está desabando e há descolamentos de paredes e vigas de sustentação que são de madeira. A probabilidade da parede cair em cima das pessoas é muito grande”.  

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Ele lembra a campanha do frei Rozântimo (responsável pela restauração do Santuário do Valongo) pela proibição do tráfego de caminhões pesados nas ruas do entorno, porque estariam comprometendo estrutura da Estação do Trem e da Igreja do Valongo, que podem não resistir.

“Hoje existe um projeto chamado Gestão do Patrimônio Arqueológico do Convento de Santo Antônio do Valongo, em parceria com a SOS Orquidário, que me credencia como responsável por tudo relacionado à história desse patrimônio. Posso garantir que, em pouco tempo, os prédios da Petrobras vão ficar e a igreja vai sumir”, explicou.