“Acusar é fácil, difícil é provar”: defende irmã de Deolane Bezerra em publicação nas redes sociais

Daniele Bezerra usa as redes sociais para rebater denúncias do Ministério Público, apontando perseguição e condenando a espetacularização da Justiça

Deolane e irmãs

Deolane e irmãs

A nova decretação de prisão preventiva da influenciadora e advogada Deolane Bezerra gerou uma reação imediata de sua família. Alvo de uma operação conjunta entre o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Polícia Civil, Deolane é investigada por um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Poucas horas após a notícia vir a público, a irmã da influenciadora, a também advogada Daniele Bezerra, utilizou suas redes sociais para fazer uma defesa contundente, apontando falhas na condução midiática do caso e alegando que a irmã é vítima de uma perseguição contínua.

O “espetáculo” da Justiça: A visão da defesa

Para Daniele, as acusações carecem de provas definitivas e se baseiam em “ilações e narrativas”. Em publicações no Instagram, ela criticou duramente a forma como o caso foi exposto, destacando o perigo da condenação prévia pelo tribunal da internet.

“No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expõe, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública… Para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi dito. E isso é grave” — declarou Daniele Bezerra.

A advogada também ressaltou que a decretação de prisões não deve ser banalizada: “Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social”.

A alegação de perseguição ganha contornos pelo histórico recente de Deolane, que em setembro de 2024 já havia sido presa na Operação Integration (envolvendo lavagem de dinheiro e jogos ilegais), chegando a passar pelo regime domiciliar antes de retornar ao presídio por descumprimento de medidas cautelares.

Os detalhes da Operação Vérnix: Como funcionava o esquema?

Apesar da forte defesa familiar, as acusações do MP-SP na Operação Vérnix são ricas em detalhes operacionais. A investigação mira um núcleo financeiro ligado a parentes de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC.

As autoridades afirmam que as contas pessoais e empresariais ligadas a Deolane foram usadas entre 2018 e 2021 para receber valores oriundos do crime organizado. Dois mecanismos principais chamaram a atenção dos investigadores:

1. O uso de laranjas e empresas de fachada

O inquérito aponta que duas empresas associadas à influenciadora receberam cerca de R$ 716 mil de uma companhia que se apresentava como um “banco de crédito”. A fraude foi detectada quando a polícia descobriu que o dono formal desse banco era, na verdade, um homem residente na Bahia cuja renda mensal era de apenas um salário mínimo — o clássico uso de um “laranja” para mascarar a origem do dinheiro.

2. A tática do Smurfing

A investigação revelou que mais de R$ 1 milhão foi movimentado através de uma técnica de lavagem de dinheiro conhecida no jargão policial e financeiro como Smurfing.

  • O que é Smurfing? Trata-se da prática de fracionar uma grande quantia de dinheiro ilícito em vários depósitos de pequeno valor (neste caso, sempre abaixo de R$ 10 mil). O objetivo é não acionar os alertas automáticos do sistema bancário e dos órgãos de controle financeiro (como o COAF), passando despercebido pela fiscalização.

O impacto financeiro: Bloqueios milionários

Para estancar a sangria financeira e garantir a recuperação de ativos, a Justiça determinou medidas drásticas contra os alvos da operação:

  • Deolane Bezerra: Teve R$ 27 milhões bloqueados em seu nome. A Justiça justificou a medida alegando que a origem desse valor não foi comprovada e apresenta fortes indícios de lavagem.
  • O Grupo como um todo: Além das prisões e mandados de busca em imóveis de luxo (como em Barueri, SP), a Justiça autorizou o congelamento estratosférico de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros dos investigados, além da apreensão e bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões.