Cursos de costura têm até fila de espera na Região

Procura pela atividade tem diversos motivos, entre eles terapia.

Encontrar hoje uma costureira para fazer ajustes, reformas ou peças do zero é muito mais difícil do que já foi um dia. E, de acordo com a professora de costura e modelagem, Cristiane Trevisan, que dá aula há 15 anos, esse é um dos motivos pelo qual a procura por esse tipo de curso vem aumentando pelo menos nos últimos dois anos. A conta é simples: com pouca mão de obra e serviço mais caro as pessoas começam a querer aprender a fazer os ajustes das próprias roupas e, quem sabe, até produzi-las.

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Na loja Dina Armarinhos Tecidos, em Santos, que oferta o curso de Corte e Costura desde outubro de 2018 e onde Cristiane é professora, não há mais vagas nas turmas de quarta, quinta, sexta e sábados e já existem 15 pessoas na lista de espera.

No começo, só havia aula às sextas-feiras, mas a procura foi tanta que Cristiane precisou remanejar as alunas do seu próprio ateliê, que hoje só possui duas vagas. No Cristiane Trevisan Ateliê existem turmas diferentes de segunda a sexta-feira, no período noturno.

Em ambos os cursos, com três horas semanais, as turmas são compostas por seis alunos para garantir um ensino mais individualizado. “As aulas podem ser feitas por pessoas com diferentes níveis de conhecimento.

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Os iniciantes começam com exercícios para aprender a manusear a máquina e fazer linhas retas e curvas. Juntando os tecidos fazem a primeira peça, uma bolsa. Depois, avançam para saias, blusas, calças, vestidos, peças masculinas etc. Qualquer um pode aprender. É do zero ao zíper”, diverte-se.

A funcionária pública Adriana Marques, 47 anos, decidiu fazer o curso há três meses por não se sentir representada pelo mercado. “A moda plus size é cara e as peças não combinam comigo. Não cai bem no corpo, ou é muito largo ou muito justo. Vim porque quero fazer minhas próprias roupas”, diz.

Para também se aperfeiçoar na profissão, a blogueira e consultora de moda, Marceli Paulino, 30 anos, iniciou o curso em dezembro de 2018 e desde então, sua visão sobre a área mudou. “Já tinha um olhar crítico sobre moda, mas depois de começar a aprender como se faz, consigo ver que muitas peças não condizem com o preço e consigo entender por que muitas roupas são caras. Também acho muito bacana você poder criar uma peça que é sua cara e única”, analisa.

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Ao contrário de antigamente, as turmas não são compostas por senhoras. Há adolescentes a partir dos 16 anos e mulheres profissionalmente ativas. O valor do investimento mensal varia de R$ 150 a R$ 180.

EMPREENDEDORISMO

Outras razões que influenciam o aumento da procura de cursos de corte e costura foram citadas tanto por Cristiane como pela também professora de costura e modelagem há 15 anos, Camila Gonçalves. “Para mim, fazer moda é uma terapia e muitos alunos vêm em busca disso, de reativar memórias afetivas da infância ou desenvolver uma nova habilidade. Outros querem alternativas para complementar renda ou empreender”, analisa.

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Camila já atuou em grandes empresas de confecção, marcas internacionais, deu aulas em ensino técnico e universidade, e desde setembro de 2015 decidiu se dedicar ao seu próprio negócio, o Atelier Camila Gonçalves.

“Trabalhar com moda me apresentou o prazer e a alegria de transformar tecidos em peças lindas que vestem pessoas diferentes, fazendo-as se sentirem bem”, revela.

Com cinco pessoas por turma, há cursos com enfoques diferentes: Costura Essencial (para iniciantes e focado em ajustes e reparos); Minhas Roupas, Eu que Faço! (todos os níveis, foco em técnicas para construção de roupas e modelagem); Consertos em Jeans; Faça sua Própria Bolsinha; Turbine sua Máquina Doméstica etc.

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Para aqueles que no momento estão sem condições financeiras de investir na área, o Fundo Social de Solidariedade de Santos está com vagas abertas para cursos gratuitos de Desenho de Moda, Modelagem e Corte e Costura. Para se inscrever é necessário levar cópias do RG, CPF, comprovante de residência, uma lata ou pacote de leite em pó integral de 400 gramas. É obrigatório morar em Santos, ser maior de 18 anos e ter renda familiar de até dois salários mínimos. A procura pelo curso de Corte e Costura também aumentou na Prefeitura. Foram 126 formandos em 2017 e 170 em 2018.

CRIANÇA TAMBÉM PODE

Costurar é só coisa de adulto? Não mais. A artesã Rafaela Fidalgo ministra desde outubro de 2018 em seu ateliê Oficinas de Costura Criativa para Crianças acima de 8 anos. Rafaela, que já foi professora em educação infantil, viu nas aulas de costura voltadas para o artesanato uma forma de trabalhar com crianças e desconectá-las dos eletrônicos.

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As aulas são avulsas, duram três horas e ocorrem todos os sábados pela manhã ou tarde. “O intuito é aprender a mexer na máquina, aprimorar a coordenação motora, saber como é feito um trabalho manual e ver uma ideia se transformando numa peça. É muito emocionante contribuir para uma prática que traz tanto afeto”.