Cubatão será a única cidade paulista na área oficial de negociações da COP 30

Município apresentará portfólio de ações ambientais e sociais em Belém, consolidando-se como referência em sustentabilidade

Conhecida como um dos lugares mais poluídos do planeta, Cubatão se tornou referência internacional em recuperação ambiental

Conhecida como um dos lugares mais poluídos do planeta, Cubatão se tornou referência internacional em recuperação ambiental | Divulgação/PMC

Cubatão, uma das nove cidades da Baixada Santista, será a única cidade do Estado de São Paulo a integrar a Zona Azul (Blue Zone), área das negociações oficiais da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), que ocorrerá de 10 a 21 de novembro de 2025, em Belém (PA).

A apresentação do portfólio de iniciativas do município está marcada para o dia 15, às 15 horas, com o prefeito César Nascimento.

A delegação cubatense também será composta pela vice-prefeita e secretária de Habitação, Andrea Castro, e pelo secretário de Meio Ambiente, Segurança Climática e Bem-Estar Animal, Cleiton Jordão.

Eles participarão ainda da Zona Verde (Green Zone) — espaço voltado à sociedade civil, instituições públicas e privadas e lideranças globais que discutem inovação, resiliência e investimentos sustentáveis.

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Durante a entrega de moradias na cidade, na última segunda-feira (20), Andrea Castro destacou a importância da presença de Cubatão na conferência.

“Estamos na COP 30. Cubatão é o único município do Estado de São Paulo que vai ter um papel exclusivo sobre a questão da recuperação ambiental, sobre a cidade verde do mundo — apenas 34 cidades no planeta têm esse título”, afirmou a vice-prefeita.

De ‘Vale da Morte’ a exemplo mundial de sustentabilidade

Três décadas após ser conhecida como o “Vale da Morte”, um dos lugares mais poluídos do planeta, Cubatão se tornou referência internacional em recuperação ambiental.

O município, que recentemente conquistou o selo Tree Cities of the World, apresenta agora um conjunto de iniciativas que unem tecnologia, justiça climática e soluções baseadas na natureza.

Entre as ações de destaque estão cinco projetos habitacionais em andamento, que oferecem moradia digna a milhares de famílias e encerram ocupações em áreas de encosta.

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Outro avanço é a recuperação de três milhões de metros quadrados de manguezais, com a adequação das comunidades Vila Esperança e Vila dos Pescadores.

Segundo Andrea Castro, “além de um desenvolvimento social muito grande, quando você tira 30 mil pessoas de uma linha de pobreza com esses dois projetos, há também a questão da recuperação ambiental. Estamos melhorando as condições climáticas e de poluição do ar para toda a Baixada Santista”.

Inovação, ecologia e resiliência

Entre os projetos que Cubatão levará à COP 30 estão:

  • Parque Natural Cotia, que será revitalizado como polo de ecoturismo sustentável e educação ambiental;
  • Projeto de Biotecnologia para Resíduos Sólidos, que transforma resíduos em biogás e biofertilizantes;
  • Cidade Verde e Tecnológica, que prevê matriz energética renovável e o uso de hidrogênio verde, com meta de tornar o município Carbono Neutro até 2035, por meio de fazendas solares e programa municipal de créditos de carbono;
  • Projeto Cidade Resiliente às Mudanças Climáticas, que transformará o território em “cidade esponja”, com jardins filtrantes, pavimentos permeáveis e telhados verdes, reduzindo riscos de enchentes e ilhas de calor;
  • Corredores Ecológicos, conectando serra, rios e manguezais para reforçar a proteção dos ecossistemas locais;
  • Projeto Cubatão Sustentável, que moderniza a coleta seletiva com frota carbono neutro e ações itinerantes de educação ambiental, incluindo cooperativas de catadores.

O turismo de natureza fecha o portfólio de ações: iniciativas de ecoturismo na Serra do Mar e no estuário, com capacitação comunitária e roteiros de observação de aves, como o guará-vermelho, símbolo da recuperação ambiental de Cubatão.

Com essas ações, Cubatão não apenas se consolida como cidade-modelo em sustentabilidade, mas também reforça sua identidade, autoestima e protagonismo internacional, mostrando que uma comunidade pode superar estigmas históricos e se transformar em referência global de resiliência, urbanismo e inovação ambiental.