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Cresce o número de moradores de rua em Itanhaém

População sem teto cresceu 30% durante a pandemia na cidade

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13 JUL 2020Por Nayara Martins06h59
Foto: NAIR BUENO/DIÁRIO DO LITORAL

No período de pandemia houve um aumento em torno de 30% no número da população de rua em Itanhaém. Entre os meses de abril e maio, Itanhaém recebeu 45 pessoas de outras cidades, vindas de São Paulo, Peruíbe e Santos.

Hoje são 110 pessoas em situação de rua no município, sendo 63 de Itanhaém e o restante de fora. A informação é da coordenadora do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, o Centro Pop, Maria Janete Andrade, que também é assistente social.

"Entre os motivos é por ser uma cidade de praia e também devido ao aumento dos casos de Covid-19, na Capital. Na alta temporada, esse número chega a triplicar", esclarece.

A principal dificuldade para as equipes de abordagem do Centro Pop é convencer os moradores de rua a irem para o abrigo de longa permanência. Nas ruas da região central do município, eles afirmam ganhar mais dinheiro, ao tomar conta de carros. Já no abrigo, eles têm que cumprir as regras de horário e não podem entrar com drogas ou álcool.

NOVO ESPAÇO

Um novo espaço para atender essa população em situação de rua deve começar a funcionar a partir desta segunda-feira, 13, no Centro Pop, localizado na rua Manoel Francisco Lisboa, no bairro Belas Artes. O local é vinculado à Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social.

O objetivo, segundo a coordenadora, é trabalhar com a população de rua, por meio de uma equipe multidisciplinar, com assistente social, psicólogos e educadores sociais.

"Procuramos resgatar a memória afetiva deles, pois todos tem uma história de vida, além promover a reinserção junto à família e ao trabalho".

São oferecidas oficinas de artesanato, atendimento individualizado, sala de multimídia com leitura, jogos e a escrita de cartas à família.

O espaço conta ainda com lavanderia, dormitórios, salas de atendimento, de convivência e entretenimento, reuniões administrativas, além de recepção, banheiros com chuveiros, e o espaço externo com o cultivo da horta comunitária.

Ao chegarem da rua, é feito um atendimento emergencial, onde eles recebem o kit higiene, o banho e o café da manhã. Caso decidam pernoitar, são oferecidas três refeições. A documentação civil também é tirada, e todos recebem o Bolsa Família e são cadastrados no Cadastro Único.

HORTA COMUNITÁRIA

"É uma experiência positiva trabalhar com os moradores de rua e colaborar com a horta orgânica no Centro Pop". A afirmação é do educador social Jonathan Pereira Alves Moreira, 36 anos, e ex-morador de rua. Ele conseguiu se recuperar de uma dependência química com a ajuda da clínica Vida Livre, em 2006.

Fábio da Silva Jorge, 44, é outro morador de rua que está se recuperando de alcoolismo, há três meses. "Se não fosse essa chance de trabalhar na horta não sei o que seria de mim, agora me sinto gente de novo", frisa.

Uma das atividades de reintegração com a comunidade local é a horta comunitária, com o cultivo de mudas de hortaliças.

RECUPERAÇÃO

O Centro Pop realiza um cadastro para cada morador. No atendimento é feita uma triagem e análise dos casos para poder encaminhá-los às clínicas de recuperação de dependentes de drogas ou álcool, ao abrigo de longa permanência ou se preferir apenas passar a noite.

"Após a recuperação em clínicas, por cerca de seis meses, ele vai para o acolhimento na casa de longa permanência, para trabalharmos a reinserção ao mercado de trabalho e à família", explica Maria Janete. Todo o trabalho é feito em parceria com o projeto Fênix.

Os moradores também podem levar os cachorros, seus companheiros fieis de rua. No local eles devem ficar no canil com ração e água.

O Centro Pop possui 50 vagas para o pernoite, mas pode receber até 100 pessoas ao mês. Já na casa de longa permanência são oferecidas 30 vagas, que se localiza no bairro Nova Itanhaém.