Cremesp apura atitude contra médica auditora na Santa Casa

Segundo revelado, profissional teria sido forçada a abandonar o trabalho por ordem da Superintendência

A Delegacia de Santos, do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), abriu sindicância para apurar suposta represália contra a médica-auditora Rita de Cássia da Silva Soares pela Superintendência da Santa Casa de Misericórdia de Santos, encabeçada pelo publicitário Augusto Capodicasa.

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A informação foi revelada na audiência pública realizada no último dia 8, na Câmara de Santos, encabeçada pelo vereador e médico Evaldo Stanislau (Rede). Rita de Cássia foi funcionária da Santa Casa, atualmente é concursada e teria sido forçada a abandonar o trabalho por ordem de Capodicasa.

Rita Soares esteve no hospital para apurar o aumento substancial da conta da Capep Saúde (Caixa de Assistência ao Servidor Público Municipal de Santos) que, em outubro último, teve que pagar pouco mais de R$ 1,5 milhão, quando em média pagava R$ 650 mil por mês pelos serviços à entidade. A prestação chegou a ser suspensa e a Capep, que já pagou R$ 675 mil, ainda deve R$ 870 mil e está negociando a dívida. A Capep funciona com o dinheiro público. 

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“A proibição da entrada de médicos no hospital não é da competência da Superintendência da Santa Casa, mas sim do diretor clínico ou técnico, que não se posicionaram contra. Foi uma postura equivocada. A Presidência da Capep já formulou uma queixa, já foi aberta sindicância e a Administração da Santa Casa será chamada para se explicar”, disse o delegado-superintendente Cremesp, o médido Gabriel David Hushi.

A médica-auditora revela que estava fazendo a auditoria de contas quando chegou a informação que não poderia realizar o trabalho por ordem de Capodicasa.

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“Eu trabalhei no Setor de Faturamento da Santa Casa e não no de Auditoria. Duas pessoas vieram para me retirar do hospital o que é um absurdo. Nunca mais voltei. As contas estão sendo realizadas internamente na Capep o que não é ideal, pois fica sendo uma auditoria mais administrativa. O correto é ter os prontuários em mãos para comparar com os registros de cobrança”, afirma a auditora.

Sem impedimento

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A presidente da Capep, Maria da Graça Aulicino Giordano, presente na audiência, confirmou que os diretores clínico e técnicos não foram contrários à auditora. “Fiz um parecer junto ao Cremesp e obtive como resposta que não há qualquer impedimento legal dela auditar as contas da Santa Casa”, disse Maria Giordano, que salientou que continuará auditando os valores apresentados pela Santa Casa. 

O vereador Evaldo Stanilsau, que presidiu a audiência, lamentou o episódio. “É muito grave o cerceamento do trabalho de uma médica auditora. Os conselheiros do Cremesp falaram em arbitrariedade, truculência e até força física. Eu repudio de forma veemente esta atitude. Espero que daqui para frente isso não se repita e que o que passou seja apurado. Isso não pode ficar impune”, disse Stanislau.

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Suspensão

Vale lembrar que em outubro último a Santa Casa suspendeu temporariamente o atendimento de cerca de 13 mil servidores de Santos e seus familiares, algo em torno de 26 mil pessoas, em função de uma dívida da Capep Saúde, que foi surpreendida com a medida, já que nunca havia atrasado os repasses ao hospital. O Sindicato dos Servidores Estatutários Municipais de Santos (Sindest) oficiou a Prefeitura e ameaçou levar caso ao Ministério Público.

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Santa Casa

A Superintendência da Santa Casa informou ontem que prestará todas as informações necessárias aos órgãos competentes na oportunidade correta. Revela ainda que Rita de Cássia trabalhava em no Hospital pelo Regime da CLT e, em 15 de agosto último, teria comunicado espontaneamente a sua demissão para assumir o cargo de médica auditora junto a CAPEP.

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“Por conta deste fato, a visando evitar conflitos de interesses, a Superintendência solicitou a indicação de outro profissional, o que foi aceito pela CAPEP-Santos, que indicou o médico Sidney de Brito Costa”, afirma em nota.

A Superintendência finaliza explicando que o aumento substancial dos valores se deu por conta da otimização dos processos de fechamento das contas hospitalares, sem aumento da tabela. “Sensível com o problema, Augusto Capodicasa está negociando com a CAPEP-Santos os valores por ela já confessados como devidos”, encerra.