Crematório é tema de debate em sessão da Câmara de Santos

Requerimento feito por Augusto Duarte (PSDB) questiona a Prefeitura sobre a possibilidade de construção do equipamento no município

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06 JUN 2017Por Diário do Litoral11h00
Augusto Duarte alertou para a falta de escoamento correto do necrochorume nos cemitérios de Santos. Ponto foi citado pelo ex-vereador Arlindo Barros, em 2009Foto: Rodrigo Montaldi/DL

A possibilidade da construção de um crematório municipal foi um dos temas discutidos durante a sessão da Câmara de Santos, realizada ontem.

O debate se deu por causa de um requerimento apresentado pelo vereador Augusto Duarte (PSDB), que solicitou estudos, por parte do Executivo, para a construção do equipamento.

Em sua justificativa, Duarte citou a escassez de vagas nos cemitérios, fator que é agravado pela perpetuação de campas.
Além de diminuir a saturação dos cemitérios municipais, o vereador também alertou que não existe um escoamento corretos dos líquidos gerados pela decomposição de cadáveres (necrochorume) nos cemitérios da cidade, o que pode ocasionar a poluição de lençóis freáticos.

O requerimento foi encaminhado à Comissão Especial de Vereadores (CEV), que trata do acompanhamento das condições, manutenção e verificação de irregularidades de cemitérios municipais. Ela deu parecer favorável  ao envio de  um ofício à Prefeitura.

No entanto, o presidente da CEV, Antonio Carlos Banha Joaquim (PMDB), destacou a dificuldade em se ter tal equipamento na cidade.

“Logicamente que gostaríamos de ter um equipamento como esse, mas não é tão fácil assim. A própria Vila Alpina (São Paulo), que tem uma dotação orçamentária diferenciada da nossa, já está fechando o seu crematório municipal. Já temos dois fechados em São Paulo. É um negócio de grande custo. Temos que discutir todas as ideias. Mas, se nós não conseguimos nem acertar ainda a questão do enterro e do velório social, que nós já temos um velório na Areia Branca, por questão de custo. Logicamente que sonhar pode, mas temos que trabalhar dentro do plausível”, avaliou Banha.

Augusto Duarte avisou que tem a intenção de realizar uma audiência pública sobre o tema e que irá fazer visitas aos crematórios de Campinas e São Paulo.

“Campinas, inclusive, está na construção do segundo crematório. Vamos lá até para tentar trazer técnicos especialistas nessa matéria para nossa cidade para debatermos a sustentabilidade desse crematório”, comentou o parlamentar.

Em 2009

A construção de um crematório em Santos foi muito discutida em 2009, em um pleito encabeçado pelo então vereador Arlindo Barros (PSDB).

Barros chegou a colher 8 mil assinaturas pedindo a instalação do equipamento no município.

À época, o ex-vereador chegou a comentar sobre o crematório da Vila Alpina, inaugurado em 1974 e citado por ­Banha. O crematório é um dos maiores do mundo, com 134 mil m² de área verde e 4.700 m² de área construída.

“Com essa estrutura gigantesca, lógico que teria um alto custo operacional, principalmente com recursos humanos e materiais”, analisou Barros.

Em defesa do equipamento, o tucano havia dito que Santos não precisa de um terreno como o existente em São Paulo para ter um crematório.

Além disso, Barros também chegou a citar a questão da contaminação de lençóis freáticos devido ao ­necrochorume.

O parlamentar ressaltava também a questão econômica para a cidade. “Não há mais espaço para construirmos novos cemitérios, a solução está em crematórios e cemitérios verticais públicos, com estudos de impacto ambiental e com preços acessíveis à população ao invés dos R$ 6.000,00 cobrados atualmente”, disse o vereador à época.