Creches fecham e mães não sabem o que fazer em São Vicente

Pais e funcionários de três unidades da Área Continental protestaram contra a situação

Desde novembro, três creches municipais da Área Continental de São Vicente estão sem atender aproximadamente 300 crianças. Na tarde de ontem (4), pais e funcionários protestaram na porta das unidades. Sem ter com quem deixar os filhos, muitas mães perderam seus empregos. A Prefeitura disse que promoveu um redimensionamento da rede, mas não informou se as crianças dessas unidades serão remanejadas para outras.

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“Trabalhava todos os dias, mas tive que optar em trabalhar apenas nos finais de semana porque não tenho com quem deixar meu filho. Ou você desiste de trabalhar ou paga com o que não tem para alguém olhar. Tem uma mãe que não teve como deixar de trabalhar. Deixa os filhos menores com o irmão mais velho. Acabam ficando na rua. Isso não é justo”, disse a operadora de caixa Elizabeth Neto, que mora na Gleba II.

A dona de casa Edisonete dos Santos Gonçalves assumiu os cuidados do neto de quatro anos desde que a creche Tercio Augusto Garcia, na Gleba II, parou de atender as crianças em novembro do ano passado. “Acabei ficando para a mãe trabalhar. Não posso mais fazer nada. A minha filha trabalha todos os dias e não posso deixar o menino sozinho. A gente liga na Prefeitura e ninguém fala nada. São até ignorantes às vezes”, afirmou.

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Jackelline Monteiro está desempregada. O filho de três anos também frequentava a creche Tercio Augusto Garcia, que atende 100 crianças. Sem ter com quem deixar o menino, encontrar um emprego não é uma tarefa fácil. “Fica difícil arranjar um emprego desse jeito. Estamos abandonados e sem saber nada. Ninguém fala nada. A gente pergunta para a prefeitura e nunca tem resposta”, disse.

Os pais disseram que algumas crianças foram encaminhadas para outra unidade, que já está lotada, no Parque das Bandeiras. Para chegar até o local, eles precisam atravessar a rodovia Padre Manoel da Nóbrega. Eles também relataram que há mais de quatro anos a Prefeitura iniciou a obra de uma creche na Rua 20. O prédio está abandonado, assim como outras unidades em construção no Samaritá e no Jardim Rio Branco.

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“As mães têm reclamado porque querem atendimento da creche. A gente entende o lado delas, mas o lado dos funcionários também está complicado. O pessoal está sem receber desde novembro, tem contas para pagar e não sabe mais o que fazer”, disse Andreia Lima, dirigente comunitária da creche Criança Feliz, que atende 75 crianças, e fica no Parque das Bandeiras. A outra unidade onde funcionários e pais protestaram foi a Herbert de Souza, na Vila Mathias.

Meio milhão

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O presidente da Associação Viva Gleba II, Mauro Luiz Preto, que é responsável pelos funcionários que atuam nas três unidades, disse que os atrasos nos repasses são constantes, mas, desde novembro, eles não forma mais feitos. Com isso, aproximadamente 24 colaboradores estão sem salários e benefícios. A dívida da Prefeitura com a entidade, segundo ele, é de cerca de R$ 500 mil.

“Eles informaram que tinha terminado o convênio, mas nada de concreto. Nada no papel e nem oficial. Nós queremos saber como ficará o encaminhamento das crianças e o pagamento dos funcionários. Os repasses em atraso referentes as três creches somam quase meio milhão. As aulas começaram no dia 25 de janeiro e até agora não tem uma resposta oficial. Os pais nos procuram e precisamos dar uma satisfação. Precisamos resolver essa questão, afinal são oito anos de serviços prestados com qualidade. Se não for continuar o convênio queremos pagar os direitos dos funcionários. Não é justo o que estão fazendo”, disse o presidente da entidade.

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Sem resposta

Procurada, a Prefeitura de São Vicente informou, por meio de nota, que promoveu um redimensionamento na rede, pois algumas creches atendiam um número muito pequeno de crianças.  Segundo a Administração Municipal, em alguns lugares, havia até três unidades em uma mesma rua, e, nesses casos, as crianças foram remanejadas para creches próximas.  

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O Diário do Litoral questionou a Prefeitura sobre o rompimento do convênio com a Associação Viva Gleba II, mas a Administração Municipal não confirmou o fim da parceria e também não informou se as três unidades estão incluídas no projeto de remanejamento de unidades. A Administração apenas disse que, “quanto às pendências, se esforça para quanto às pendências, a Prefeitura se esforça para regularizar todas as situações o mais breve possível”.

Atualmente, a cidade conta com 73 unidades que atendem a 6 mil crianças de zero a 4 anos.