Pais de alunos da creche Vovó Zefa, no Parque Bitaru, não sabem se hoje poderão deixar os filhos na unidade. Avisados pelo Whatsapp, no sábado (6), que não haveria aula ontem (8) devido à paralisação de funcionários, eles tiveram que ‘se virar’ para deixar as crianças em algum lugar e poder trabalhar. Alguns faltaram ao serviço. O motivo da greve é o atraso no pagamento de salários dos trabalhadores da associação que administra o equipamento.
“Recebi um Whatsapp, no grupo da escola, dizendo que não ia ter aula na segunda-feira. Que os funcionários da limpeza e da cozinha já não estavam recebendo há dois meses o salário, e que a partir de segunda-feira não ia haver mais aula”, disse Zaqueu da Silva Pita, de 29 anos. O filho do mecânico tem três anos e frequenta a Vovó Zefa há oito meses.
Diante da informação da paralisação das aulas, os pais se mobilizaram. “A gente se reuniu com outros pais para poder buscar uma maneira de cobrar a Prefeitura de fazer esse repasse para os funcionários voltarem, porque a gente não pode deixar os nossos filhos fora da creche, senão a gente não consegue trabalhar”, afirmou Pita.
Para que a esposa não faltasse ao serviço ele ficou com o filho nesta segunda-feira. “Tive que deixar com a vizinha para vir aqui para ver se a gente consegue voltar com as aulas. A mãe está trabalhando e eu tive que faltar no trabalho para ficar com ele. Fomos avisados no sábado”, disse o mecânico. Ele e outros pais foram à porta da creche conversar com a Reportagem.
A monitora de escola Ana Paula Bezerra faltou ao serviço nesta segunda-feira devido à paralisação dos funcionários.
“Hoje não pude ir porque fui avisada no sábado pelo Whatsapp que não ia ter aula hoje e o meu marido está trabalhando. O meu filho está aqui há oito meses e é a segunda vez que para. Ficou fechada aí retornou. A gente não tem uma segurança. O pessoal da associação fala que é atraso no pagamento, que eles não têm culpa, que a culpa é da Prefeitura que não repassa. E a gente é que paga porque precisa”, afirmou.
Juliana Nogueira está desempregada. Nos dias em que o filho de três anos está na creche ela aproveita para buscar recolocação no mercado de trabalho. “Não estou trabalhando no momento. Estou procurando serviço. Hoje, deixei com a minha mãe. A gente precisa que as crianças tenha um futuro”, destacou.
Blog
A filha do produtor audiovisual Ailton Martins é aluna da Vovó Zefa. Ele utilizou seu blog na internet para denunciar o problema e pedir apoio da comunidade. “Uma situação absurda. A gente vê o caos da Administração Pública. Esse recurso vem do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica). Tem uma planilha que eu divulguei na internet. É repassado esse valor para a Prefeitura. Tem um atraso, às vezes, da Federação. A gente pensa no valor desse recurso e na forma como a educação está sucateada é um absurdo. Você percebe uma péssima administração e uma precarização do trabalho das pessoas que trabalham aqui”, destacou.
Esta é a terceira unidade que a filha de Martins, que é autista, passa. “A minha filha é autista. Estou vindo da terceira creche que fecha no município. Todas as creches por problema de pagamento. Uma, inclusive, fechou e depois voltou com outra associação”, destacou.
O pais das crianças matriculadas na unidade elaboraram um abaixo-assinado virtual onde chamam atenção sobre a situação da creche. “Manifestamos nosso repúdio à situação de constantes atrasos salariais em que as funcionárias da creche se encontram. Não queremos mudança da competente gestão local da creche nem da equipe de funcionárias que têm cuidado zelosamente das nossas crianças. Prefeitura, repasse as verbas! Associação Beneficente Renova Ação, pague em dia as funcionárias!”, diz o documento.
A Reportagem questionou a Prefeitura sobre a situação da creche e se ela continuaria fechada nos próximos dias. A Administração Municipal não se manifestou até o fechamento desta edição. O Diário do Litoral também não encontrou representantes da associação que administra unidade.
