CPFL prevê que consumo de energia em 2015 deve encolher entre 3% e 5%

A queda do consumo, com uma recuperação dos níveis dos reservatórios até o final do período chuvoso, em abril, seria suficiente para evitar um racionamento

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18 MAR 201513h12

O presidente da CPLF Energia, Wilson Ferreira Jr., acredita que o consumo de energia deve apresentar retração de 3% a 5% em 2015 na comparação com o ano passado. O número, segundo o executivo, considera as indicações de desaceleração da atividade econômica e uma eventual redução do consumo motivada por campanhas de conscientização do governo federal e das distribuidoras. Caso o consumo caia 5%, o risco de haver um racionamento de energia ficaria afastado, na visão de Ferreira.

"Vemos que o PIB caminha para operar abaixo de zero. No cenário macroeconômico que a gente está, vemos uma queda de 3%. E com o resultado que os consumidores vierem a fazer, virá superior a 3% podendo chegar a 5%", afirmou Ferreira, em coletiva de imprensa realizada durante a realização do Seminário Internacional "A Energia na Cidade do Futuro - Visão 2030", organizado pela companhia.

A queda do consumo, com uma recuperação dos níveis dos reservatórios até o final do período chuvoso, em abril, seria suficiente para evitar um racionamento. Nesse caso, destaca Ferreira, o nível dos reservatórios no País precisaria chegar a um patamar entre 35% e 40% da capacidade de armazenamento.

Caso o consumo caia 5%, o risco de haver um racionamento de energia ficaria afastado, na visão de Ferreira (Foto: Divulgação)

Ferreira destaca que o problema enfrentado pelo País neste momento é ocasionado pela falta de chuvas. Como a base elétrica brasileira é hidráulica, somente a volta das chuvas poderia amenizar o atual cenário de crise hídrica.

Questionado se um racionamento poderia amenizar os problemas do setor, já que poderia permitir uma recuperação mais consistente do volume de água nos reservatórios, Ferreira foi taxativo na resposta: "O racionamento é a pior coisa que pode acontecer. Você poupa reservatórios se precisa poupar. Em 2001 não tínhamos alternativa, mas neste momento estamos reduzindo a demanda e estamos adicionando fontes", disse o executivo, relembrando o problema enfrentado pelo Brasil no início da década passada, quando a falta de chuvas e a inexistência de uma capacidade térmica excedente impediram um ajuste entre oferta e demanda.

Neste momento, pondera Ferreira, a situação é diferente. "Estamos entregando a usina de Santo Antônio e Jirau e projetos eólicos. Neste momento estamos crescendo a oferta e vemos uma ligeira redução da demanda", disse. Com isso, complementa o executivo, a situação do sistema elétrico nacional poderia chegar ao final de 2015 em condições semelhantes àquelas vistas no final do ano passado. E, com a aproximação de uma nova temporada de chuvas, as chances de recuperação no nível dos reservatórios também seriam maiores.