Covid-19 dificulta o emprego na melhor idade

Levantamento diz que 'velhofobia' atrelada a idosos serem considerados como grupo de risco prejudica a recolocação

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27 SET 2020Por LG Rodrigues09h06
CEO afirma que pessoas de mais de 50 anos também são 'digitais'.Foto: JOHN SCHNOBRICH/UNSPLASH

Uma pesquisa feita por uma plataforma voltada para a geração de oportunidades de emprego e capacitação do público da terceira idade aponta que eles se sentem vítimas de preconceito desde o início da pandemia por terem sido inseridas no grupo de risco do novo coronavírus.

De acordo com levantamento realizado pela empresa Maturi, o público que tem 50 anos ou mais, chamados pela própria instituição de 'maturis', tem sofrido com problemas para obter colocação ou recolocação no mercado de trabalho devido à pandemia do coronavírus, que deixou não apenas o ambiente profissional mais instável como também tornou mais complexo um eventual retorno a quem está atualmente desempregado.

De acordo com a empresa, o público da terceira idade já enfrentava casos de 'velhofobia', definição dada pela instituição para o preconceito que o público maduro já enfrentava em um mercado competitivo e que não reconhece a experiência e comprometimento dos mais velhos.

A pesquisa realizada pela Maturi, entretanto, apontou que o coronavírus ampliou a dificuldade do profissional da terceira idade de se recolocar no mercado de trabalho. O levantamento, que entrevistou mais de 4 mil pessoas aponta que 39,2% consideram que a denominação 'grupo de risco' fez aumentar, ainda mais, o preconceito em torno desses profissionais.

Para essa parcela da população, o nome causa uma impressão errada de que pessoas maduras sejam mais fragilizadas e suscetíveis a adoecerem e que, por isso, não são positivas para empresas. Além disso, quem discorda da nomenclatura afirma que, na atual situação do mundo, comportamentos de risco são o que verdadeiramente importam, os quais não são ditados pela idade.

"É uma visão errônea que muitos empregadores possuem é de que os maduros não são digitais. Pelo contrário, percebemos uma participação muito ativa deles em nossos cursos e eventos online, além da familiaridade com as ferramentas tecnológicas", diz Mórris Litvak, CEO da Maturi, que também destaca que o preconceito é um dos maiores obstáculos dos maturis, quando o assunto é a busca por oportunidades.

A plataforma Maturi foi criada para tentar prestar auxílio e buscar a recolocação dos profissionais com 50 anos de idade ou mais. A empresa percebeu a necessidade de oferecer mais ferramentas para os profissionais buscarem oportunidades e irem além do modelo de emprego tradicional, com forte incentivo ao empreendedorismo. Atualmente, a plataforma registra mais de 80 mil acessos mensais.

"O mundo mudou, os '50 ' mudaram e nossa mentalidade dentro da Maturi também. Nós percebemos que mais que encontrar vagas e incentivar que empresários abrissem as portas para a experiência e comprometimento dos maturis, era preciso investir em conhecimento, capacitação e estímulo de novos horizontes para que esses profissionais possam abrir seus próprios negócios", comenta Litvak.

Dentre os entrevistados para o levantamento, 52% eram mulheres e 48% eram homens. Destes, 61% são casados ou estão em uma união estável, enquanto 22% são divorciados, 14% estão solteiros e 6% são viúvos. Durante o isolamento social, 77% afirmaram só sair para realizar o essencial, 12% afirmam que não saem de casa de modo algum, enquanto 9% saem para trabalhar e 2% não aderiram ao isolamento.

Devido à pandemia, alguns deles adotaram estratégias financeiras durante o isolamento social, para isso, 60,1% afirmaram que reduziram ou cortaram gastos, 31,4% não precisaram recorrer a nenhuma estratégia a curto e médio prazo, 30,5% procuraram por um novo ou segundo emprego, 26,8% retiraram alguma quantia da poupança e 0,4% recorreu ao auxílio emergencial do Governo Federal.

Dos entrevistados, 38,1% são empresários ou empregadores e 34,7% têm empregos formais. Já 32,5% são autônomos, prestadores de serviço ou profissionais liberais; 10,9% estão desempregados; 10,3% têm empregos informais e, por fim, 2,4% são aposentados.