Conselho Tutelar encontra carne vencida em escola de Guarujá

Polícia e Vigilância foram acionadas. Prefeitura garante que carne aguardava devolução

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05 SET 201410h37

O Conselho Tutelar de Guarujá flagrou ontem dois pacotes de carne e um de salsicha vencidos na Escola Municipal Hermínia Neves Vitiello, no bairro de Santa Rosa, em Guarujá. A Vigilância Sanitária foi acionada e a Polícia Militar registrou boletim de ocorrência. Relatório, fotos e documentos serão encaminhados ao Ministério Público (MP).

Segundo a conselheira Railda Santos Pereira Andrade, o flagrante foi às 10h30, junto com as conselheiras Kátia Anselmo e Marcela Pereira dos Santos Bárbara. A carne estava vencida desde maio último. “Esse trabalho foi iniciado há algum tempo. Ontem vistoriamos duas escolas e uma creche”, disse Railda Andrade.      

A questão de carnes com problemas nas escolas já foi denunciada. Em junho último, em diligência informada ao Ministério Público, os vereadores Edilson Dias (PT), Luciano Lopes da Silva, o Luciano China (PMDB) e Givaldo dos Santos Feitoza, o Givaldo do Açougue (PSD) detectaram suposta fraude envolvendo a qualidade e a quantidade da carne oferecida nas creches e escolas do Município.

Segundo o documento, foi constatado que, em pelo menos duas escolas, a carne oferecida na merenda (coxão mole) seria inferior a que foi licitado pela Secretaria de Educação (contrafilé). Na época, os vereadores haviam obtido informações de que a situação estaria ocorrendo em todas as 126 escolas municipais e estaduais de Guarujá.

Pacotes de carne estavam na Escola Hermínia Neves Vitiello (Foto: Divulgação)

Os parlamentares, membros da Comissão de Fiscalização de Controle da Câmara, registraram boletim de ocorrência (5740/14) e iniciaram investigação, ainda em andamento. Eles averiguam supostas irregularidades relacionadas a outros itens e até indícios de superfaturamento. Os vereadores vão encaminhar o trabalho à Polícia e ao Ministério Público (MPF).

Também esse ano, o Conselho de Alimentação Escolar (CAE) fez denúncia de que os alimentos fornecidos nas escolas não atendiam às exigências contratuais; registravam inferioridade nutricional e que a Prefeitura não estaria cumprindo o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Prefeitura

A Diretoria de Vigilância Sanitária esclarece que não foram encontrados produtos vencidos ou fora dos padrões de identidade, qualidade e segurança. A fiscal, presente ao local, que estava acompanhada de duas nutricionistas (uma da unidade e outras da empresa terceirizada), além de um policial militar, constatou que as instalações e equipamentos estavam em boas condições de higiene e funcionamento. Foi apresentado manual de boas práticas de manipulação de alimentos e os alimentos estavam armazenados corretamente nos freezeres, geladeiras e estoque.

Quanto ao produto que gerou reclamação por parte das conselheiras tutelares, a carne, estava congelada, apresentando característica dentro dos padrões de qualidade, embora estivesse agregada às outras, aguardando devolução ao fornecedor, pois estavam em desacordo com o contratado, conforme informações prestadas pelas próprias nutricionistas que estavam na unidade.

Já com relação ao pacote de salsicha, armazenado no freezer por questão de segurança, tratava-se de doação de pai de aluno por motivo de festa escolar. O produto, embora não apresentasse características adequadas e organolépticas, ou seja, não apresentava características que desaprovassem o seu consumo, foi recolhido por não dispor de data de congelamento. Na embalagem, constava produto resfriado.