Cotidiano
Equipes técnicas do município realizam orientações presenciais, distribuem panfletos informativos e instalam placas educativas nas regiões onde os gaviões foram avistados
De acordo com especialistas, a espécie envolvida é o gavião-asa-de-telha (Parabuteo unicinctus), que não oferece perigo e raramente ataca humanos / Pedro Behne
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Após relatos de ataques de gaviões e a polêmica em torno da presença da ave em áreas urbanas, a Prefeitura de Santos iniciou uma campanha de educação ambiental para orientar a população sobre a convivência segura com a espécie.
Equipes técnicas do município realizam orientações presenciais, distribuem panfletos informativos e instalam placas educativas nas regiões onde os gaviões foram avistados. A iniciativa tem como objetivo informar moradores e frequentadores dessas áreas, reforçando a importância da convivência responsável com a fauna silvestre, protegida por lei, além de reduzir riscos tanto para as pessoas quanto para os animais.
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De acordo com especialistas, a espécie envolvida é o gavião-asa-de-telha (Parabuteo unicinctus), que não oferece perigo e raramente ataca humanos. Segundo os técnicos, o animal apenas tenta coexistir e se adaptar à nova realidade do habitat urbano, além de defender sua cria durante o período reprodutivo.
O gavião-asa-de-telha habita regiões campestres, áreas de várzea, manguezais, pastagens, campos de cultivo e biomas como o cerrado e a caatinga. Nos últimos anos, tornou-se cada vez mais comum em áreas urbanas de cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Santos, desde que encontre presas suficientes para sua alimentação. Em Santos, a espécie encontrou um ambiente favorável principalmente nos canais, devido à presença de árvores altas.
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O biólogo e autor do livro Aves da Costa da Mata Atlântica, Leonardo Casadei, explica que a ave tem se alimentado do pombo-doméstico, o que é positivo do ponto de vista da saúde pública, já que essa espécie pode transmitir doenças aos humanos.
Uma característica marcante do gavião-asa-de-telha é a caça em bandos, comportamento pouco comum entre aves de rapina, que geralmente são solitárias. A espécie é considerada bastante inteligente, utilizando a caça cooperativa para capturar presas.
Segundo Casadei, ataques a pessoas não são comuns e ocorrem raramente. 'Provavelmente trata-se de algum indivíduo mais territorial, com ninho próximo, defendendo a cria', explica.
'Na verdade, ele só quer afugentar as pessoas. Não quer atacar ou machucar. Em um desses rasantes, pode acontecer algum ferimento, como foi noticiado, mas é uma situação difícil de ocorrer', afirma o biólogo.
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A orientação, em caso de aproximação ou ataque, é proteger a cabeça e os olhos e deixar o local o mais rápido possível, pois pode haver um ninho nas proximidades. Sempre que possível, recomenda-se evitar a circulação por essas áreas.
Casadei reforça que o animal não deve ser demonizado. 'No passado, corujas foram mortas por serem associadas a mau agouro. Tanto as corujas quanto os gaviões são animais lindos e essenciais para a natureza e para nós', destaca.
O material distribuído na campanha explica como agir ao avistar um gavião e reforça que a ave não deve ser alimentada, provocada ou acuada, além da necessidade de evitar qualquer contato direto.
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Em caso de ferimentos provocados por eventual contato com aves, a recomendação é procurar uma unidade de saúde para avaliação, profilaxia e indicação de vacinas, conforme orientação médica.
A prefeitura também lembra que maltratar, matar ou capturar animais silvestres é crime ambiental. Denúncias devem ser encaminhadas aos órgãos competentes.
Moradores que encontrarem gaviões ou outros animais silvestres feridos devem acionar o Grupamento Ambiental da Guarda Civil Municipal, pelo telefone 153, ou o Corpo de Bombeiros, pelo 193. Denúncias de crimes ambientais podem ser feitas à Polícia Militar Ambiental, pelo telefone 190.
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Em Santos, o gavião-asa-de-telha já foi fotografado 175 vezes e possui quatro registros sonoros catalogados nos arquivos do site WikiAves.