Comunidades indígenas da Região aguardam apoio da Funai

A maior parte das famílias nas aldeias tupi-guarani depende de auxílio das prefeituras e da Funai, em especial nas áreas da Educação e da Saúde

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18 ABR 2020Por Nayara Martins09h15
Preocupação das lideranças indígenas é que o vírus não contamine as famílias nas aldeias do litoral sul.Preocupação das lideranças indígenas é que o vírus não contamine as famílias nas aldeias do litoral sul.Foto: ARQUIVO/NAYARA MARTINS

Comunidades indígenas localizadas nas cidades de Itanhaém, Mongaguá e Peruíbe estão aguardando a assistência e a entrega de cestas básicas a serem realizadas pela Fundação Nacional do Índio (Funai), neste período de pandemia do coronavírus no País. A maior parte das famílias nas aldeias tupi-guarani depende de auxílio das prefeituras e da Funai, em especial nas áreas da Educação e da Saúde.

Algumas comunidades indígenas trabalham com o projeto Turismo de Base Comunitária, com o objetivo de receber grupos de turistas e estudantes para conhecer a cultura e o modo de vida indígenas. Porém, por conta da pandemia, eles não estão recebendo os grupos.

Na aldeia Tabaçu Reko Ypy, localizada na Terra Indígena Piaçaguera, em Peruíbe, a liderança da comunidade, Itamirim afirma que, até o momento, ainda não receberam as cestas básicas da Funai.

"Recebemos algumas doações de alimentos de ONGs e de amigos. Estamos ainda compartilhando as doações com as outras aldeias da região, para incentivá-los a não sair. Nossa preocupação é que o vírus não entre nas comunidades indígenas. Muitas pessoas entregam doações de cestas na sede da Funai para que sejam repassadas às aldeias, mas aqui ainda não chegaram", observa.

Segundo ela, eles estão tomando as medidas preventivas de higienização das mãos e dos alimentos, além de usar os chás e o conhecimento tradicional. A aldeia conta com dez famílias, sendo 22 crianças e 18 adultos.

Conforme o cacique Arildo dos Santos, da aldeia Awa Porungawa Djú, também na TI Piaçaguera, até o momento, também não receberam nenhuma assistência da Funai.

"O que precisamos mais agora é o alimento, qualquer doação é bem-vinda". A aldeia Porungawa conta hoje com dez famílias e 16 crianças.

FUNAI

A Funai informa, por meio da sua Coordenação Regional Litoral Sudeste, em Itanhaém, que assiste as comunidades indígenas nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, atendendo as recomendações das autoridades federais, estaduais e municipais.

A orientação é pela permanência de todos os indígenas em suas aldeias e a proibição de entrada de pessoas para todos os fins, a não ser que sejam servidores da Funai e da Saúde.

A Funai se reuniu com o Banco de Alimentos de Itanhaém e a secretaria de Desenvolvimento Econômico e decidiu que os alimentos oriundos das Terras Indígenas seriam destinados prioritariamente para sanar a insegurança alimentar nas aldeias do município.

A Funai afirma que iniciou a entrega dos alimentos no dia 6 e algumas aldeias receberam, além de doação de cestas básicas, caixas de mandioca, palmito pupunha e banana nanica.

Conforme a Funai, em Itanhaém há três aldeias indígenas com 42 famílias; em Mongaguá há quatro aldeias com 57 famílias e, em Peruíbe, são 12 aldeias e 106 famílias indígenas.

PREFEITURAS

A prefeitura de Peruíbe informa que a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social iniciou um atendimento às famílias em situação de vulnerabilidade para a entrega de cestas básicas, incluindo as comunidades indígenas.

Já a prefeitura de Mongaguá explica que faz o contato com os representantes das comunidades, por meio de comunicação digital e ligações telefônicas.

A Diretoria Municipal de Educação já entregou 61 kits de alimentos da merenda escolar aos alunos indígenas, nas terras indígenas em Aguapeú, Itaóca e Cerro Corá e vai efetuar uma nova entrega.