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Comunidades carentes da região precisam de ajuda

Famílias já não têm mais o comer. Quem afirma é o representante da Central Única das Favelas (CUFA) da região, Deraldo Silva

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06 ABR 2020Por Vanessa Pimentel11h00
A campanha pede doação de alimentos, produtos de higiene pessoal e material de limpeza.Foto: Divulgação/CUFA

Famílias que moram em comunidades carentes da Baixada Santista já não têm mais o comer. Quem afirma é o representante da Central Única das Favelas (CUFA) da região, Deraldo Silva. É ele quem coordena nas nove cidades metropolitanas a campanha @CUFAcontraovirus, iniciada em março assim que as notícias sobre o espalhamento da doença no país começaram a ser publicadas. A ação da CUFA acontece por todo o Brasil. 

A maioria que vive em áreas vulneráveis sustenta a casa com renda diária, através da venda de produtos em pequenos comércios, ou pelas ruas das cidades. Há também os profissionais informais e as diaristas, sem trabalho desde que a quarentena foi decretada. 

Segundo Deraldo, as pessoas sabem da importância do isolamento neste período, mas estão preocupadas com o agravamento das condições básicas de sobrevivência e por dependerem de medidas do Governo Federal e de doações dos vizinhos mais abastados.  

”Já falta comida para hoje em muitas favelas. Quem mais nos procura são as mães chefes de famílias que trabalham como diaristas e estão sem receber. Precisamos aumentar o número de arrecadação para conseguirmos dar conta da demanda porque tem muita gente precisando", explica Deraldo. 

A campanha pede doação de alimentos, produtos de higiene pessoal e material de limpeza. Na região, há pontos de arrecadação fixos nos seguintes endereços: Rua Joaquim Barbosa dos Santos, 180, Japuí; e Av. Pe Manoel da Nóbrega, 1350, em frente ao pouso da asa delta, ambos em São Vicente. 

A CUFA também agenda a retirada de doações para quem não quiser sair de casa, em qualquer lugar da Baixada. Basta entrar em contato pelo Whatsapp (13) 99720-2382. 

Até o momento, as comunidades que estão recebendo ajuda são: favela da Prainha e Barreira do João Guarda, em Guarujá; México 70 e Vila Margarida, em São Vicente; Caieiras, em Praia Grande; Vila Oceanópolis, em Mongaguá; Suarão, em Itanhaém e Jardim Veneza, em Peruíbe. 

Em Santos, a CUFA está em contato com quem mora na Vila Telma e Vila Gilda e o atendimento por lá deve começar em breve. 

Quem preferir fazer doação em dinheiro, pode acessar o site vakinha.com.br e digitar o ID da campanha 955926. 

"Na semana passada entregamos 193 kits de material de limpeza e higiene para os moradores do México 70, mas foi muito pouco perto do que eles precisam", explica Deraldo. 

 

Ele acredita que a campanha ainda está se consolidando na região e em breve, as doações devem aumentar. 

A rede atacadista Makro também pretende começar uma parceria com a CUFA em nível nacional. Na região, as duas lojas, uma em Praia Grande e a outra em Santos, estão alinhando a estratégia que, se concretizada, pode ajudar as comunidades com grandes quantidades de alimentos e produtos.

CAMPANHA “MÃES DA FAVELA”

A Central Única das Favelas (CUFA) lançou no último dia 3 a Campanha “Mães da Favela”. O objetivo é auxiliar mães solo moradoras de favelas de 17 estados e do Distrito Federal que estão sendo fortemente atingidas pelos reflexos do Coronavírus (Covid-19). O programa social faz parte do projeto “CUFA Contra o Vírus”.

A ideia é contemplar as mulheres com R$ 120 por dois meses. O valor, apelidado de ‘Vale Mãe’, será usado na compra de cestas básicas. 

“A CUFA já entregou mais 100 toneladas de alimentos em todo o Brasil. Durante essa entrega, suas lideranças e voluntários ouviram que muitas mulheres precisavam de auxílio para comprar não só alimentos, mas também remédios e gás. Logo, a organização decidiu ajudar financeiramente para que possam escolher os itens que precisam”, conta Celso Athayde, fundador da CUFA.

O repasse deve acontecer em 15 de abril e 15 de maio, via aplicativo PicPay. “As doações são recebidas através do site oficial da campanha e do app. Quem quiser doar, seja pessoa física ou jurídica, transfere da sua conta na plataforma para a conta da CUFA. Nós recebemos e fazemos a distribuição para as mães”, explica Athayde.

Para assegurar a transparência do processo, haverá um contador de entrada de recursos na página do site e uma auditoria externa, feita pela Proaudit. A Idtech Acesso Digital auxiliará o cadastro das mães com a tecnologia de reconhecimento facial, garantindo que elas serão as reais beneficiárias. A escolha das mulheres fica a cargo das lideranças das CUFAs nos estados, entidades responsáveis pela identificação daquelas que demandam maior auxílio para criar e sustentar os seus filhos.

“Temos milhões de mulheres que estão desamparadas por todo o Brasil, sem condições de colocar dinheiro em casa por conta do isolamento. Faremos o máximo possível para atenuarmos as suas dificuldades tendo em vista que 50% dos lares são chefiados por mães”, ressalta Athayde.