O que parecia algo banal acabou se transformando em um longo perÃodo de isolamento, dor intensa e incertezas após o diagnóstico de mpox. / Divulgação/OMS
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O surgimento de três pequenas lesões no peito parecia algo simples. No inÃcio, o paciente — um agente da PolÃcia Federal de 47 anos — acreditou que se tratasse apenas de espinhas ou alguma reação alérgica.
No entanto, o que parecia algo banal acabou se transformando em um longo perÃodo de isolamento, dor intensa e incertezas após o diagnóstico de mpox.
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Em entrevista ao portal Terra, o homem — cujo nome foi preservado nesta reportagem — contou que os primeiros sinais apareceram em agosto de 2022.
Poucos dias depois, ele recebeu uma mensagem de uma pessoa com quem havia tido contato informando que havia procurado atendimento médico e que havia alta probabilidade de transmissão da mpox.
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Diante do alerta, ele decidiu procurar atendimento médico em um hospital em São Paulo.
Naquele momento, segundo o relato, a doença ainda era relativamente nova no Brasil e havia pouca familiaridade com os protocolos médicos.
De acordo com ele, foi necessário insistir para que o exame fosse realizado.
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'Eu fiquei desesperado. Tinha que buscar médicos infectologistas, alguém com experiência', contou ao Terra.
Após a confirmação da infecção, o paciente iniciou acompanhamento com especialistas em infectologia. Mesmo assim, havia muitas dúvidas sobre a evolução da doença naquele momento.
Poucos dias após o diagnóstico, surgiram as dores mais intensas. O paciente desenvolveu neuropatia, uma condição que provoca dor nos nervos.
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Segundo ele, a sensação era extremamente dolorosa.
'Era como se estivesse sendo agulhado e queimado ao mesmo tempo', relatou.
A dor evoluiu rapidamente e chegou a um ponto considerado insuportável. Para conseguir dormir, ele precisou recorrer a medicações mais fortes e ansiolÃticos.
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As três lesões iniciais ficaram muito próximas umas das outras e acabaram abrindo a pele. O processo de cicatrização foi lento e durou cerca de 60 dias.
Durante todo esse perÃodo, o paciente permaneceu isolado em casa para evitar a transmissão da doença.
'Eu só descia para buscar comida e voltava para casa', contou.
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Ele afirmou que, por morar sozinho, conseguiu cumprir o isolamento sem colocar outras pessoas em risco.
Embora o estigma social não tenha sido a parte mais difÃcil do processo, o medo de complicações graves causou grande preocupação.
Ao acompanhar notÃcias sobre a doença, ele passou a temer consequências mais severas.
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'Teve gente que teve no olho e acabou perdendo a visão. Teve gente que teve na boca e precisou se alimentar por sonda', lembrou.
Após cerca de dois meses, as lesões cicatrizaram e o paciente recebeu alta. No entanto, com a imunidade fragilizada, ele acabou desenvolvendo uma infecção no dedo, que exigiu cirurgia e um novo perÃodo de afastamento.
Ele acredita que o problema pode ter sido consequência da queda da imunidade após a doença.
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Hoje recuperado, o agente alerta que a mpox pode começar com sinais quase imperceptÃveis, o que facilita a transmissão.
Segundo ele, as primeiras lesões podem parecer algo mÃnimo.
'É uma coisa muito pequena, como se fosse um cabelinho inflamado. Você não imagina que aquilo pode ser o inÃcio da doença', relatou.
A mpox é causada pelo vÃrus Monkeypox e é transmitida principalmente pelo contato próximo com lesões de pele, fluidos corporais, mucosas ou objetos contaminados. Entre os sintomas mais comuns estão erupções cutâneas, febre, dores no corpo e inchaço dos gânglios.
Embora a maioria dos casos evolua de forma leve, especialistas alertam que a doença pode provocar complicações e dor intensa, especialmente em pessoas mais vulneráveis.