Comissão ‘empurra’ suposto ‘nepotismo’ de Carabina

Segundo apurado pelo Diário, denúncia seria de conhecimento da Casa desde dezembro do ano passado

Embora a denúncia tenha sido protocolada na Câmara de Santos em   4 de dezembro do ano passado, o presidente da Comissão de Ética, Decoro e Corregedoria Parlamentar da Casa, vereador Sérgio Santana (PR), prefere aguardar um ofício do Ministério Público (MP) para iniciar qualquer procedimento para analisar a conduta do vereador Jorge Vieira da Silva Filho, o Carabina (PSDB), acusado de ter cometido nepotismo ao contratar como assessor o servidor que vive em união estável com sua filha.

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O caso é objeto de uma ação de improbidade administrativa com pedido de liminar (decisão provisória e antecipada), promovida pelo 14º promotor público de Santos, Eduardo Antonio Taves Romero. Nepotismo é nomeação de parente para o exercício de cargo e função pública. “Fiquei sabendo pelo jornal e vamos fornecer as informações se a Promotoria quiser. Já existe uma ação e ela será analisada somente quando chegar à Câmara. Por enquanto, só temos as informações do jornal”, disse, confirmando que só uma provocação da Promotoria iniciaria um procedimento no legislativo santista, que constitucionalmente é um órgão independente e deveria abrir procedimento de ofício.       
   
A ação

Segundo consta na ação, a prova de nepotismo se deu por conta de um áudio em que consta um diálogo entre o denunciante e o vereador, que afirma que nomeou o servidor para trabalhar em seu gabinete com a finalidade de atender interesse pessoal de sua filha para melhorar a receita do casal. A situação também teria sido amplamente divulgada nas redes sociais.  

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Para Eduardo Romero, houve evidente situação de nepotismo, impedido na súmula vinculante 13 do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele alega não ter dúvida da violação aos princípios da impessoalidade e da igualdade; da moralidade, da eficiência e da indisponibilidade do interesse público, infringindo artigos das constituições estadual e federal.

O promotor requer o ressarcimento integral do dano (salários pagos); perda da função pública; suspensão dos direitos políticos por cinco anos e pagamento de multa civil de pelo menos 12 vezes o valor da remuneração de Carabina.

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Liminarmente, o promotor pede que o funcionário público seja reintegrado à função de motorista da Prefeitura; que Carabina seja notificado e apresente sua defesa sob pena de revelia; que a Câmara de Santos seja também notificada e que o motorista tenha a mesma penalidade do vereador, além de ser declarada a nulidade da nomeação. O valor da causa é de 100 vezes o salário do assessor de Carabina, que equivale a R$ 723 mil reais.

Carabina já se manifestou a respeito do assunto. Disse desconhecer a ação e, informado sobre ela, foi direto: “estão com inveja de mim. Não pratico nepotismo e estou nem aí. Estou ajudando meu povo e meus amigos, fazendo a minha parte”, conclui.