Comércios familiares de Santos apostam no bom atendimento e fidelidade

Lojistas podem celebrar o Dia do Comerciante com a certeza de que suas marcas registradas de fidelidade e comprometimento com qualidade são o grande diferencial

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16 JUL 2019Por LG Rodrigues07h20
As flores recebem atenção redobrada de Felipe e todos seus funcionários devido à vida curta e o desejo de entregar belos arranjosFoto: Nair Bueno/Diário do Litoral

Em meio à ‘superpopulação’ de lojas de grandes redes de marcas nacionais e internacionais, os comércios familiares ainda seguem firmes e fortes. Sem dar sinais de parar tão cedo e já preparando as próximas gerações, dois lojistas de Santos, no litoral de São Paulo, já podem celebrar o Dia do Comerciante, comemorado neste 16 de julho, com a certeza de que suas marcas registradas de fidelidade e comprometimento com qualidade são o grande diferencial frente às multinacionais.

Rosa Maria da Piedade Fonseca, de 59 anos, praticamente cresceu correndo pelos cruzamentos do Super Centro Boqueirão desde os 8 anos de idade quando a mãe e o pai, que trabalhavam como feirantes, decidiram adquirir uma loja no local após um boato de que as feiras livres da cidade estavam com os dias contados.

O que era inicialmente um pequeno comércio de roupas em 1968, quando abriu, rapidamente se tornou um legado da família que tanto ela, quanto a irmã Ana Maria da Piedade Monteiro, administram há mais de 50 anos.

“O pessoal dos comércios novos geralmente vêm muito rápido e vão embora muito rápido. Nós fomos ensinadas a trabalhar com nossos pais e optamos a continuar o trabalho deles mesmo depois de 1991, quando nossa mãe faleceu”, afirma Rosa.

Apesar de destacar que as épocas sejam diferentes e a realidade financeira dos moradores oscile muito dependendo do cenário econômico, Rosa explica que os comércios familiares ainda são procurados devido à proximidade e os laços criados entre lojistas e clientes.

“A fidelidade que eu tenho da loja com os meus clientes e eles comigo é muito importante. E outra coisa é conhecer meu cliente e saber já os gostos dele, então quando vem algo novo no estoque eu já o aviso que é possível que ele goste das novidades. Quando você chega numa loja grande, nem sempre tem alguém pra te atender e às vezes você pede uma peça de um tamanho específico e o atendente nem sempre trata o cliente como ele quer ou precisa”, afirma.

Rosa ainda destaca que a fidelidade foi algo deixado pela própria mãe enquanto ela ainda administrava a loja com a ajuda das filhas e as aconselhava sobre a cordialidade e seletividade com os clientes que visitam o estabelecimento das irmãs há mais de décadas.

“Costumo dizer que a gente é psicóloga de balcão, lidamos com todos os tipos de pessoas e a gente tem que ter uma diplomacia e um rebolado muito grande para atender. A educação é tudo. Não podemos tratar as pessoas com indiferença ou da mesma maneira porque nem todo mundo chega no mesmo estado de espírito, muita gente quer conversar e encontra isso no nosso estabelecimento”, explica.

O discurso não é muito diferente daquele de Felipe Villarinho Alvarez. Aos 50 anos de idade, o dono de floricultura também afirma que o segredo em manter um comércio iniciado dentro da família de fato se encontra na proximidade entre o lojista e o cliente desde o momento em que eles se encontram pela primeira vez.

A história de como o negócio da família começou é ainda mais antiga. Ainda em 1937, os avós de Felipe se tornaram os primeiros feirantes a comercializar flores pela cidade enquanto também vendiam também frutas e verduras. A vontade de ter um estabelecimento fixo ocorreu em 1965 quando o Super Centro Boqueirão começou.

“Ainda mantivemos a barraca de feira até 2000, mas sempre prezamos muito pela qualidade de atendimento que sempre demos e por esse motivo nós sempre gostamos de focar e dar total atenção a cada serviço que prestamos. Nós fazemos eventos, fornecemos a navios, temos um setor funerário da Santa Casa. Gostamos de um trabalho personalizado, de dar atenção e por isso achamos melhor focar a barraca para focar no trabalho”.

E se engana quem acredita que o foco se deve apenas com os clientes. O produto, nesse caso, as flores, também recebe atenção redobrada de Felipe e todos seus funcionários devido à vida curta dela e o desejo de entregar os arranjos com o maior capricho possível.

“Aqui foi meu jardim de infância, já com meus 15 anos eu assumi a floricultura, lá em 1984. De lá pra cá, mudou tudo, o comércio, os clientes, hoje temos internet, vimos uma mudança em tudo, inclusive nas flores, mas existe espaço para todas as empresas. Passamos por tantas crises, mas se você faz um trabalho bom, honesto e dá atenção especial ao cliente. Você tem sucesso”, explica Felipe.

Ele relembra o tempo em que os grandes supermercados chegaram e havia um temor que eles pudessem acabar com os negócios de família. Apesar disso, porém, ele ainda esbanja otimismo e bom humor quando fala do futuro de sua floricultura ao mesmo tempo em que já prepara o filho para assumir o legado da família.

Uma coisa é certa, os comércios de família seguem nas nossas cidades e não vão a lugar algum.

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