Comerciantes querem Bondes de volta à Praça Mauá, em Santos

Entrevistados pelo Diário, eles informaram que desde que a estação de embarque e desembarque foi transferida para o Valongo, o número de frequentadores do comércio não é o mesm

Comentar
Compartilhar
27 FEV 2018Por Carlos Ratton08h00
Comerciantes reivindicam a volta do ponto de embarque e desembarque dos bondes na Praça MauáFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Comerciantes estão reivindicando a volta do ponto de embarque e desembarque dos bondes turísticos do Centro na Praça Mauá. Ontem, alguns entrevistados pelo Diário do Litoral informaram que desde que a estação de embarque e desembarque foi transferida para o Valongo, em frente ao Museu Pelé, o número de frequentadores do comércio não é o mesmo.

“É um fator histórico, faz parte da Praça Mauá. Foi levado para o Valongo onde não há nem metade da estrutura comercial daqui. O bonde não está parando aqui e está prejudicando os comerciantes. Foi nos informado que o turista vem de lá (Valongo) para cá e isso não ocorre. Eu vi o bonde nascer aqui e quero ele de volta”, afirma Sérgio Maia, sócio-proprietário do Restaurante Jamblan.

Márcia de Oliveira Rodrigues Pedroso, esposa do proprietário da A Musical, afirma que o retorno é importante. “Quando o bonde parava aqui, o movimento era muito bom. As pessoas tomavam café, almoçavam, compravam presentes. Estamos aqui há 80 anos. Investimos na loja e agora estamos sentindo uma recaída de movimento. Os bondes aqui seriam importantes para todos os comerciantes da Praça Mauá, que ainda mantém seu comércio vivo”, afirma.  

Audiência

O vereador Geonísio Pereira de Aguiar, o Boquinha (PSDB), que é proprietário do Allegra Café, está inconformado com a situação e alerta que o retorno dos bondes à Praça Mauá e outros problemas serão discutidos em uma audiência na Câmara, no próximo dia 9, às 19 horas.

“Já estamos fazendo inúmeras discussões para saber qual será o destino do Centro. Quando chegamos às 15 horas, parece que estamos num domingo. Fica tudo vazio. As empresas do Porto estão partindo para outros pontos da Cidade, pois não aquentam ter prédios vazios ao lado do seu. Os que acreditaram no Alegra Centro estão desestimulados. É preciso rever esse projeto, principalmente na questão de reforma dos imóveis”, afirma Boquinha.

O vereador afirma que quase 600 imóveis estão fechados e 70 terrenos estão inutilizados. O Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) progressivo, segundo afirma, nunca foi usado em Santos. Além disso, é da opinião que imóveis foram tombados erroneamente, pois seriam antigos, mas não históricos.

“Marquises continuam caindo e não estamos vendo providências para minimizar a questão. As pessoas estão inseguras e os comerciantes estão investindo em outros locais. Para piorar, o bonde saiu daqui e foi para outro local que não tem a mesma estrutura daqui. Eu sugeri pelo menos uma parada aqui, mas não fui ouvido. São evidentes as opções da Praça Mauá, embora não estamos tendo mais atrativos culturais e de turismo no local. Os comerciantes querem ajudar, mas se não houver uma mudança, o Centro vai acabar”, finaliza, enfatizando que a Associação Comercial e o Clube de Dirigentes Lojistas (CDL) estão também discutindo a questão.          

A Linha Turística do Bonde, que conta com sete elétricos em funcionamento, entre eles o Bonde Café, Bonde Pelé e o Bonde Arte começa no Valongo. A bilheteria funciona no Museu Pelé, em frente à estação, e os bondes circulam de terça a domingo, das 11 às 17 horas.

Prefeitura

A Prefeitura afirma que a transferência do ponto de embarque, da Praça Mauá para o Largo Marquês de Monte Alegre, em 6 de janeiro de 2016, garantiu aos passageiros ampla área coberta para espera do embarque, ambiente climatizado para compra de ingressos, sanitários, cafeteria e mais tempo para curtir outras atrações turísticas do Centro Histórico.  “A área coberta tem aproximadamente 400 m², que protegem os visitantes tanto nos dias mais quentes quanto nos chuvosos”, diz  a ­Administração Municipal.

Já a bilheteria, instalada no Museu Pelé, segundo a Prefeitura, oferece, além de mais segurança nas operações com dinheiro, área climatizada para compra dos ingressos, cafeteria e sanitários. Para quem deseja aproveitar outra atração turística enquanto aguarda a saída do bonde, as opções são visitas ao Santuário do Valongo, Museu de Arte Sacra, Museu do Café ou ao próprio Museu Pelé.

Conforme argumenta a gestão municipal, aos domingos, feriados e pontos facultativos, os estabelecimentos da Praça Mauá estão fechados, o que não ocorre com o Museu Pelé, que mantém-se aberto de terça a domingo, inclusive em feriados e pontos facultativos.

“Do ponto de vista operacional, a proximidade do ponto de embarque com a garagem, onde acontece a manutenção dos elétricos, trouxe mais agilidade na tomada de decisões da equipe da CET, responsável pelo funcionamento dos veículos, e eventual troca de bondes quando necessário”, afirma a Prefeitura.

Levantamento realizado pela  Secretaria de Turismo (Setur) em 2016, junto a 300 passageiros da linha turística, mostrou 85% de aprovação do ponto de embarque/desembarque.