Cotidiano

Com quase 33% das casas vazias, litoral de SP vira campeão de imóveis desocupados no estado

Levantamentos da Fundação Seade mostram que o uso ocasional de imóveis é muito mais comum no litoral do que em outras partes do estado

Fábio Rocha

Publicado em 13/03/2026 às 12:33

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O litoral paulista se torna um exemplo claro de como o turismo molda o mercado imobiliário / Reprodução

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Quem visita o litoral de São Paulo durante feriados ou férias costuma encontrar praias movimentadas, trânsito intenso e comércios cheios.

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No entanto, basta a temporada terminar para que o cenário mude completamente: muitas ruas ficam silenciosas e diversas casas permanecem fechadas por meses.

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Esse contraste faz parte de uma característica marcante da região. Um grande número de imóveis não é utilizado como moradia permanente, funcionando apenas como refúgio de descanso em determinados períodos do ano.

Um fenômeno que aparece nos números

Levantamentos da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) mostram que o uso ocasional de imóveis é muito mais comum no litoral do que em outras partes do estado.

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Em 2022, aproximadamente 6% das residências em todo o estado de São Paulo eram utilizadas apenas em momentos específicos, como férias ou fins de semana. Já nas cidades litorâneas, essa proporção cresce de forma expressiva: quase um terço das casas permanece fechado durante grande parte do ano.

Nas demais cidades paulistas, o índice é bem menor, ficando em torno de 4,3%. A diferença evidencia como o perfil turístico da região influencia diretamente o modo como os imóveis são utilizados.

Nair Bueno/DL
Nair Bueno/DL
Nair Bueno/DL
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Reprodução
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Divulgação
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Casas de descanso e tradição familiar

Uma das razões para esse cenário está na própria história do litoral paulista como destino de lazer. Ao longo das décadas, muitas famílias adquiriram casas de praia para aproveitar feriados prolongados e períodos de férias.

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Esses imóveis acabam se tornando parte da tradição familiar, passando de geração em geração. Apesar disso, permanecem desocupados durante boa parte do ano, sendo usados apenas em datas específicas.

Assim, a região acaba concentrando um grande número de residências que não fazem parte do cotidiano das cidades.

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O crescimento do aluguel por temporada

Outro fator que contribui para o aumento de imóveis vazios fora da alta temporada é a popularização do aluguel de curta duração. Plataformas digitais ampliaram a possibilidade de locação para turistas, incentivando proprietários a manter casas disponíveis para visitantes.

Nesses casos, muitos donos preferem deixar o imóvel fechado até surgir uma reserva, principalmente em períodos de maior procura, como verão e feriados prolongados.

Esse modelo ajuda a explicar por que diversas residências parecem “em espera” durante meses.

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Consequências para a economia local

A grande quantidade de casas vazias ao longo do ano influencia diretamente a dinâmica das cidades litorâneas. Fora da temporada turística, o movimento em restaurantes, mercados e lojas costuma diminuir consideravelmente.

Para pequenos empreendedores, essa variação pode dificultar a manutenção de negócios e empregos durante todo o ano.

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Por outro lado, quando chega o verão ou um feriado prolongado, a situação se inverte. A chegada de visitantes movimenta hotéis, bares e serviços, gerando um impulso importante para a economia regional.

Um equilíbrio entre turismo e moradia

O cenário revela um desafio comum em cidades turísticas: equilibrar o uso dos imóveis entre lazer e moradia permanente. Enquanto as casas de temporada ajudam a impulsionar o turismo, elas também podem influenciar o preço das propriedades e a oferta de habitação para moradores locais.

Assim, o litoral paulista se torna um exemplo claro de como o turismo molda o mercado imobiliário e o ritmo de vida das cidades, alternando períodos de intensa movimentação com meses de tranquilidade quase total.

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