Com idades entre 14 e 17 anos, adolescentes que furtavam apartamentos são detidos

Trio usava uniforme de escola para passar sem ser questionado por porteiros e outros funcionários

De mochila e uniforme escolar, três adolescentes brancos -a menina de laço rosa na cabeça- entram sem dificuldade em condomínios de São Paulo. Não levantam suspeita, mas não são moradores dali. São infratores que furtam os apartamentos.

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Imagens das câmeras de monitoramento de um prédio de classe média alta na Vila Andrade, zona sul da capital paulista, mostram a garota e um garoto entrando pela portaria seguindo um casal de moradores, no dia 7 de junho. O outro adolescente entra sozinho, após falar no interfone.

Eles tentam furtar o apartamento de um aposentado, que estava fora naquele momento, arrombando a porta da área de serviço. Mas, por estar em reforma, a casa não tinha bens materiais além dos móveis, que acabaram não sendo levados.

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O grupo então arrombam outra porta do mesmo andar. O dono, um administrador de empresas, estava trabalhando. Quem estava lá era a trabalhadora responsável pela limpeza da casa, só que no quarto dos fundos. Ela se assustou com o barulho, mas quando chegou na cozinha viu que haviam levado seu celular e uma tesoura. Também cortaram o fio do interfone.

O caso foi registrado como furto qualificado, com autor desconhecido.

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No dia seguinte, 8 de junho, eles entraram em outro condomínio, em Barueri, na Grande São Paulo. Mas acabaram reconhecidos por um policial civil enquanto estavam sentados no corredor que dá acesso aos elevadores.

Isso porque o agente se lembrou de fotos que recebeu com as características de adolescentes suspeitos de furtar o prédio na zona sul paulistana. Foi o laço rosa no cabelo da menina, o mesmo usado um dia antes, que chamou a sua atenção.

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O policial perguntou aos três o que faziam ali e onde moravam, mas ficou sem resposta. Nenhum apartamento havia sido invadido, mas, com eles, foram achados uma chave de fenda, uma tesoura e uma faca.

Os três são estudantes e moram na Bela Vista, região central da capital. A garota tem 14 anos e os outros dois, 16 e 17 anos.

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Na delegacia, eles confessaram que tinham a intenção de furtar os apartamentos e que um dia antes haviam de fato praticado o furto.

Os adolescentes também contaram que conseguiram uniformes de uma escola particular adventista e conceituada para dar credibilidade e acesso aos prédios. Além disso, faziam pesquisas na internet sobre o condomínio e, na portaria, informavam que eram parentes de moradores, o que garantia o acesso livre para circulação.

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O delegado do 2º DP de Barueri registrou o caso como ato infracional de violação de domicílio e liberou os adolescentes após assinatura de termo pelos representantes legais.

O pai de um dos adolescentes disse à Folha que não entende porque o filho se envolveu em furtos. A família, humilde, não deixa faltar o essencial. Ele atribuiu às más companhias dos amigos a atitude.

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Segundo o advogado especializado em direito penal Acacio Miranda da Silva Filho, o delegado não deveria apreender os jovens, que não estavam efetuando um furto no momento em que foram levados para a delegacia.

Mas, com o envio do termo de apreensão ao Juizado da Infância e da Adolescência, um juiz pode analisar o histórico dos outros furtos cometidos pelos adolescentes e determinar a penalidade, inclusive a mais gravde, de internação.

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Há casos em que o adolescente não é imediatamente liberado, mesmo com a presença dos pais. Para isso, o delegado leva em consideração a gravidade do ato e o seu histórico.

Como o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) é subjetivo nesse ponto, por vezes, abre-se margem para o racismo e o classismo, diz o advogado.

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“É a mesma seletividade que existe no sistema penal [com adultos]. Existe também com os adolescentes uma maior propensão a internar negros e pobres. Além de mais preconceito com determinados tipos de infração, como o tráfico de drogas, ou com menores que estão em situação de rua. É hipocrisia pensar que não existe isso”, afirma Acacio Miranda.

A Folha tentou contato com os condomínios para saber porque os adolescentes conseguiram entrar no prédio tão facilmente, mas não obteve resposta até esta publicação.