Com greve dos garis, acúmulo de lixo aumenta em 130 cidades paulistas

Os garis reivindicam reajuste de 11,73%, mas o Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana no Estado de São Paulo oferece 7,68%

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30 MAR 201515h48

A greve dos garis do estado de São Paulo completou oito dias. Com a paralisação, o acúmulo de lixo aumentou pelas ruas e calçadas de 130 cidades da Grande São Paulo e do interior paulista. Em Diadema, a situação é crítica. Moradores e comerciantes tentam se adaptar e conviver com o problema.

Na Rua 24 de Maio, o lixo e o entulho tomam o espaço da calçada em frente a um centro cultural de hip hop. A reportagem da Agência Brasil flagrou pessoas jogando todo tipo de entulho no local. “Tem um pessoal de fora que vem aqui descarregar carrinhos de entulho. Por isso, temos de conviver com rato e bicho morto”, reclamou Enidia de Oliveira Vieira, aposentada e moradora há 45 anos da 24 de Maio.

Em meio ao lixo, havia móveis, eletrodomésticos, telha, madeira e alimentos em decomposição. Segundo Andreia Uchoa, proprietária de um restaurante, o volume de lixo no local é tão grande que frequentemente consegue fechar metade da rua. “Temos de dedetizar mensalmente o comércio. A sujeira inclui muita barata, rato, cachorro, gato morto. Quando está calor, não se aguenta o cheiro de lixo deteriorando. Somos obrigados a trabalhar com as portas fechadas”, acrescentou Andreia.

Na Rua Santa Clara, em frente um supermercado, há outro ponto onde o lixo vem sendo depositado. “Quando chove, o cheiro sobe. É horrível. Isto nunca ocorreu. Tem de ficar passando veneno e guardando o nosso lixo aqui dentro. Ontem (29), estavam jogando água sanitária no lixo para diminuir o cheiro”, criticou Cleonice Salvati, de 53 anos, proprietária do estabelecimento.

Cláudio de Lima, aposentado, de 60 anos, mora ao lado de uma montanha de lixo formada na Rua Hungria. “Minha mulher encontrou banana e uva comidos em casa. Quando fomos ver, era um rato. Foi uma tristeza tirar o rato. Antes, nunca tínhamos tido rato e agora começou a aparecer.”

Os garis reivindicam reajuste de 11,73%, mas o Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana no Estado de São Paulo oferece 7,68%. De acordo com a Federação de Trabalhadores em Serviços, Asseio e Conservação Ambiental, Urbana e Áreas Verdes do Estado de São Paulo, entre as cidades em situação crítica estão as da região do ABC (exceto Rio Grande da Serra e São Bernardo do Campo), Piracicaba, Taboão da Serra, Araçatuba e Itanhaém.

Amanhã (31), a partir das 14h30, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) faz nova audiência de conciliação entre  representantes do sindicato partonal e os trabalhadores que prestam serviço na região do ABC, Piracicaba e região. A audiência será conduzida pelo vice-presidente judicial do TRT, desembargador Wilson Fernandes, que mediará possível acordo entre as partes.

A nova tentativa de conciliação ocorre após cumprimento de mandados de constatação por oficiais de justiça do TRT-2. Nos dias 25, 26 e 27, os oficiais visitaram cidades da região do Grande ABC para verificar se foi cumprida a liminar concedida pelo TRT-2, que determina o funcionamento de 70% aos serviços de limpeza pública, coleta domiciliar e varrição de ruas e 100% aos serviços de coleta hospitalar e aterro sanitário.

A mesa de negociações reunirá novamente o Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana no Estado de São Paulo, a Federação dos Trabalhadores em Serviços, Asseio e Conservação Ambiental, Urbana e Áreas Verdes no Estado de São Paulo, além dos sindicatos dos Empregados em Empresas de Prestação de Serviços de Asseio e Conservação, Limpeza Urbana e Manutenção de Áreas Verde Públicas e Privadas de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires e dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação e Trabalhadores na Limpeza Urbana e Áreas Verdes de Piracicaba e Região.