Com aposentadoria do papa, igreja fica sem líder

Agora começa o período conhecido como "Sede Vacante" ou "Sé Vacante", a transição entre o fim de um papado e o início de outro

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01 MAR 201312h05

A igreja católica acordou nesta sexta-feira sem um líder, após a renúncia de Bento XVI. O agora "papa emérito" prometeu obediência a seu sucessor e se descreveu como um "simples peregrino" que inicia a última peregrinação de sua vida.

Agora começa o período conhecido como "Sede Vacante" ou "Sé Vacante", a transição entre o fim de um papado e o início de outro. Durante estes poucos dias - não mais do que 20 - um grupo pequeno de pessoas assume a Santa Sé, guiando o Colégio de Cardeais em suas deliberações e organizando o conclave que vai eleger o sucessor de Bento XVI.

Com o fim do papado de Bento XVI às 20h de quinta-feira (horário local), cada chefe de departamento no Vaticano perdeu seu emprego, exceto aqueles cujas funções são cruciais para o bom funcionamento do período de transição. Na segunda-feira, os cardeais iniciam as reuniões para estabelecer a data do conclave e discutir os problemas enfrentados pela igreja.

Bento XVI renunciou ao pontificado nesta quinta-feira (28) (Foto: Divulgação)

Início da aposentadoria

O Vaticano disse que Bento XVI passou suas primeiras horas de aposentadoria rezando, assistindo televisão e caminhando.

Nesta sexta-feira 91º), o Vaticano divulgou detalhes sobre a vida do papa emérito no interior de Castel Gandolfo, o retiro de férias onde o primeiro papa a renunciar em 600 anos vai permanecer por algum tempo.

O secretário de Bento XVI, monsenhor Georg Gaenswein, relatou ao Vaticano que após sua despedida pública o papa jantou, fez sua caminhada costumeira no palácio e assistiu as notícias na televisão sobre seu último dia de pontificado. Gaenswein disse que ele dormiu bem, celebrou uma missa como de costume e tomou seu café da manhã.

Segundo Gaenswein, Bento XVI está relaxado e a prova disso é o fato de ele ter voltado a tocas piano nos últimos dias.

Cardeal australiano faz novas críticas ao papa

O cardeal australiano George Pell, cujas declarações, aparentemente críticas, sobre a renúncia do papa foram minimizadas na quinta-feira, fez novo comentários a respeito do episódio nesta sexta-feira.

Em entrevista à Associated Press, Pell disse que a renúncia do papa não cria um precedente, porque a igreja católica romana não precisa que "os sucessores de Pedro fiquem entrando e saindo".

"Eu espero que não tenhamos uma sucessão de papas que renunciam rapidamente."

Pell estava explicando sua declaração anterior, quando disse que a decisão de Bento XVI de renunciar foi "levemente desestabilizadora".

Apesar de sua preocupação sobre o impacto da renúncia, Pell disse que "temos apenas de olhar para ele (Bento XVI) para ver como ele está doente. Ele piorou ainda mais nos últimos meses."

Em outra entrevista, o cardeal Timothy Doland, de Nova York, disse na quinta-feira que provavelmente o que Pell quis dizer foi que a renúncia "nos chocou". As informações são da Associated Press.