Coleta de lixo é retomada, mas ameaça de greve total continua na Baixada Santista

Justiça garante 70% do serviço, mas impasse sobre pagamentos pode travar limpeza urbana novamente na sexta-feira

Sindicato e empresas aguardam perícia judicial; nova audiência pode mudar o rumo dos serviços na região

Sindicato e empresas aguardam perícia judicial; nova audiência pode mudar o rumo dos serviços na região | Nair Bueno/DL

A coleta de lixo e os serviços de limpeza urbana começaram a ser retomados parcialmente na Baixada Santista após audiência realizada na noite desta segunda-feira (16), de acordo com a nota divulgada pelas empresas Terracom Construções, o Consórcio PG Eco Ambiental, a concessionária Terra Santos Ambiental e o sindicato da categoria, o SIEMACO Baixada Santista.

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Durante o encontro, ficou definido que o sindicato deveria realizar assembleias com os trabalhadores para garantir a retomada dos serviços essenciais com, no mínimo, 70% do efetivo em atividade. A medida atende a uma determinação da Justiça do Trabalho, que reconheceu a essencialidade da limpeza urbana e a necessidade de manutenção dos serviços à população.

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Impasse com PPR e volta gradual 

As empresas informaram ainda que os valores do Programa de Participação nos Resultados (PPR) foram calculados e pagos conforme critérios definidos em Acordo Coletivo de Trabalho, com base em metas previamente estabelecidas.

Em Santos, a varrição foi totalmente restabelecida, enquanto a coleta funciona com 70% dos trabalhadores. Já no Guarujá, o índice também é de 70% de adesão, como nas demais cidades. 

Apesar da retomada parcial, o impasse entre trabalhadores e empresas continua. Segundo o presidente do sindicato, André Domingues, a categoria aguarda a realização de uma perícia nas unidades operacionais para verificar possíveis divergências nos valores pagos aos trabalhadores e não descarta possibilidade de greve.

“Estamos aguardando uma perícia em todas as unidades para saber quanto ainda falta ser pago. A partir disso, haverá uma audiência na sexta-feira, às 16h, no Tribunal do Trabalho, que deve definir os próximos passos”, afirmou.

“Pedimos que a população tenha um pouco de paciência”

Domingues também destacou que a adesão dos trabalhadores às decisões ocorre por meio de assembleias. “A gente propõe 100%, mas os próprios trabalhadores decidem. Na maioria das cidades, ficou definido 70% em atividade e 30% nas unidades”, explicou.

Sobre a reação da população, o sindicalista pediu compreensão diante da paralisação parcial dos serviços. “Pedimos que a população tenha um pouco de paciência. É uma categoria que trabalha dia e noite, e logo tudo deve se normalizar”, disse.

O sindicato também contesta os valores pagos no PPR, alegando falta de transparência por parte das empresas. De acordo com Domingues, trabalhadores relataram ter recebido quantias abaixo do esperado, o que motivou a judicialização do caso.

Uma nova audiência de conciliação foi marcada para o dia 20 de março. Até lá, os serviços devem continuar sendo realizados conforme determinação judicial, com manutenção mínima das atividades essenciais.