Colapso nas barcas prejudica 28 mil usuários que fazem a travessia Santos/Vicente de Carvalho

A Marinha suspendeu ontem (25) três das quatro catamarãs oferecidas pela Dersa. A falta de segurança foi o motivo da determinação

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26 ABR 2019Por Carlos Ratton07h20
Catamarãs sucateadas foram impedidas de operar pela MarinhaFoto: Nair Bueno/DL

Cerca de 28 mil usuários do serviço de travessia Santos/Vicente de Carvalho (Guarujá) e sentido contrário - 20 que atravessam pelo sistema operado pela Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) e oito por intermédio dos catraieiros - foram prejudicados desde as primeiras horas de ontem por conta da suspensão, pela Marinha, de três das quatro catamarãs oferecidas pela Dersa, contratada pelo Governo do Estado. A falta de segurança foi o motivo da determinação da Marinha.

Os catraieiros que costumam disponibilizar 20 embarcações diárias tiveram que dobrar o número de barcas para suprir a demanda e ainda deixar 20 de emergência. Muitos trabalhadores e trabalhadoras perderam horário e se arriscaram dentro da única embarcação que a Dersa colocou à disposição no meio da manhã. Muitos ciclistas tiveram que subir nas barcas com suas bicicletas nos braços.

Segundo informações obtidas pela Reportagem, a situação das barcas ontem era a seguinte: A catamarã Paecará (maior de todas) lacrada; a LS5 com soldas soltas e encostada para reparos e a catamarã Sereia encostada sem condições de navegação. A única em operação era a catamarã Itapema (menor que as demais). A praça de máquinas da Dersa estava inundada. O sistema operava com cinco embarcações mas, meses atrás, sem qualquer motivo aparente, a Dersa enviou duas para a Travessia São Sebastião - Ilhabela.

Dersa

O Diário questionou ontem a Dersa sobre quando as três catamarãs voltariam a operar; quais os problemas apresentados nas embarcações; quais seriam as alternativas para os usuários e quando as duas que estão em São Sebastião irão retornar para a Baixada. A empresa respondeu que a travessia continuará sendo feita com uma lancha, pois as duas seguem em manutenção, ainda sem previsão para entrar em operação.

A empresa lembra que foram comprados novos motores e peças sobressalentes, com investimento de mais de R$ 10 milhões. Além disso, firmou contrato com uma empresa especializada na recuperação de motores, a fim de manter as unidades que ainda não requerem substituição em perfeitas condições de operacionalidade.

Os usuários têm à disposição os seguintes canais de informação: site www.dersa.sp.gov.br; Twitter @travessiasdersa, telefone 0800 7733 711 e o aplicativo Travessias para smartphones.

Precariedade

Desde 2014, o Diário vem denunciando a situação precária das barcas que fazem a travessia. Em janeiro de 2015, o então governador Geraldo Alckmin (PSDB) entregava a embarcação LS-03 'Guará', a terceira de quatro equipamentos que contavam com aparelhos de ar-condicionado, poltronas com encosto de cabeça e permitem o embarque de 370 pessoas cada. Em novembro do mesmo ano, as promessas de mais qualidade no transporte hidroviário 'cairam por terra' diante das inúmeras reclamações dos usuários.

Superlotação

Na ocasião, a reportagem detectou que muitas embarcações já paravam por problemas mecânicos; os aparelhos de ar-condicionado não eram suficientes para minimizar o calor; o barulho dos motores prejudicavam os ouvidos; algumas televisões não funcionavam e eram constantes as reclamações de atrasos nas viagens, o que, segundo os usuários, causavam superlotação nas embarcações, atrapalhando a vida de quem tinha horário para ingressar no trabalho.

Dobradora

O catraieiro Adilson Santos, que pertence a Associação dos Catraieiros de Vicente de Carvalho, disse que a categoria teve que trabalhar de forma dobrada para atender a demanda da Dersa. "A situação já era esperada. Não há, por parte da Dersa, manutenção preventiva. É só corretiva. A Paecará é excelente, mas a falta de manutenção acabou por inutiliza-la ontem", finalizou.