Codesavi fecha unidade na Área Continental de São Vicente

Funcionários denunciam represália à participação deles na greve e falta de materiais para serviços de manutenção em creches e escolas

O aviso de fechamento pegou os funcionários do posto de apoio da Companhia de Desenvolvimento de São Vicente, na Rua Sete, no Parque das Bandeiras, de surpresa. A equipe foi informada de que deveria se apresentar na Subprefeitura da Área Continental. As ferramentas foram retiradas do local, que teve suas atividades encerradas na última sexta-feira (4). Os trabalhadores dizem que a medida foi uma represália da diretoria à participação deles na greve, realizada no mês passado.

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“O Flávio (presidente da Codesavi) mandou avisar na terça-feira que fecharia o posto, mas não deu muita explicação. Tentei argumentar com ele que seria um retrocesso, mas não teve jeito. Ele disse que é por conta de despesa, mas o aluguel é R$ 600,00 e eles já não pagam há mais de um ano. É uma represália porque participamos da greve e apoiamos a chapa do sindicato que eles não apoiavam”, disse Francisco de Souza Pereira, assistente técnico e responsável pela unidade.

Souza, conhecido por Bodinho, é funcionário de cargo comissionado. Segundo ele, a indicação dele e da equipe (cinco funcionários entre eles carpinteiros e auxiliares) foi feita pelo prefeito. Na unidade, os funcionários atendiam demandas da Área Continental como limpeza de ruas, reformas de praças, creches e escolas e confecção de tampas de galerias.

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“A gente tinha 20 formas para fazer tampa. No tempo em que ficamos aqui confeccionamos mais de 1.200 tampas. As equipes vinham pegar para levar para outros pontos da Cidade. Cada tampa que fazemos custa R$ 34,00 e há informação de que já compraram por R$ 300,00 a peça”, afirmou Bodinho.

A Reportagem esteve no galpão na última quinta-feira (3). Em um notebook, ele e outro funcionário mostraram as imagens das reformas de creches e serviços de manutenção que fizeram ao longo de mais de um ano e meio.

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“A unidade facilitava o contato com moradores e diretores de creches e escolas daqui, que sempre nos pediam socorro. A impressão que se tem é de que eles (Codesavi) queria que a gente ficasse quieto no nosso canto sem fazer nada, mas a gente não é disso”, disse Bodinho.

Naquele dia, a equipe estava realizando serviços emergenciais na EMEF Gilson Kool Monteiro, na Vila Mathias. “Estamos lá com ferramenta que pegamos emprestado na comunidade, porque já levaram tudo daqui. A escola está pedindo atenção por ofício à Codesavi desde setembro e até agora não foi atendida”, afirmou Bodinho.

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Aluguel

O galpão onde funcionava a unidade foi alugado pelo valor mensal de R$ 600,00. Segundo o proprietário do terreno, a Codesavi não paga a locação há mais de um ano. Ainda assim, ele não manifestou interesse em retomar o espaço e, inclusive, gostaria que os trabalhos continuassem a ser realizados na unidade.

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“Eu não pedi o terreno. O valor do aluguel era simbólico. Poderia ter alugado por um valor mais alto para outra pessoa. Por mim eles ficariam. São pessoas idôneas (a equipe) que conheço há muitos anos e reconheço o trabalho que eles fazem”, disse Geraldo Nunes Leite, proprietário do terreno.

Procurada, a Codesavi informou que a medida segue a política de contenção de gastos e que os funcionários foram remanejados para a Subprefeitura da Área Continental. “Com isso, termina a despesa com a locação do imóvel”, diz a nota. A empresa não se manifestou sobre a denúncia de possível represália.

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Creches estão sem manutenção por falta de material

Carlos Soares é assistente da Codesavi e encarregado da equipe de manutenção de creches da companhia. Há cerca de cinco meses, devido à falta de material, eles não conseguem realizar serviços nas unidades.

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“Os fornecedores estão há muito tempo sem receber. Cortaram o crédito. Tem unidade que fica pedindo e a gente fala que tem de ter paciência e aguardar. Estamos queimando horário porque não tem o que fazer. Sem material, a gente fica de braços cruzados”, disse Soares. De acordo com o funcionário, a pasta de ofícios de solicitação de reparos conta com aproximadamente 200 pedidos.

Segundo o encarregado, uma das situações mais críticas é a da Creche Municipal CAIC, no Humaitá. Com o sistema elétrico deteriorado, a unidade requer com urgência a troca de toda a fiação. “Já deu curto-circuito. Fizemos o levantamento do que precisava e levamos para a Codesavi, mas nada foi feito”, afirmou.

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Assim como Bodinho, Soares é cargo comissionado na Codesavi. Ele acredita também em represália por parte da direção da empresa e, inclusive, avalia que haverá demissões. “Como eu, ele e outros chefes de manutenção não recebem salário, trabalham sem material e ainda é perseguido. A gente sabe que pode ser demitido, já falaram que ia ter corte, mas do jeito que está a situação ou a coisa muda de verdade ou é melhor fechar de vez”, disse.

Contrato

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A Prefeitura de São Vicente mantém contrato com a Codesavi para a manutenção de creches e escolas. O Diário do Litoral buscou informações sobre os repasses realizados para essa finalidade, no entanto, até o fechamento desta edição, a Administração Municipal não encaminhou respostas sobre valores contratuais, últimos repasses e fiscalização dos serviços.

O Município recebeu de janeiro até o momento mais de R$ 11 milhões em recursos do Fundo de Desenvolvimento e Manutenção do Ensino Básico (Fundeb), que é destinado para a valorização de professores e profissionais da Educação, e também pode ser revertido para a manutenção de unidades educacionais.