Codesavi demite em massa em São Vicente

Empresa de economia mista alega dificuldades financeiras e dispensa funcionários concursados

Foi buscando a estabilidade do serviço público que, em 2005, o auxiliar de serviços gerais Wagner Clemente da Silva, de 45 anos, prestou concurso para o cadastro reserva da Companhia de Desenvolvimento de São Vicente (Codesavi). Em 2007 foi chamado para assumir o cargo. Deixou o emprego como porteiro de um edifício em Santos e ingressou na empresa de economia mista vicentina. Na última quarta-feira (22), por telegrama, recebeu o aviso que seria demitido. Ele é um dos mais de 100 trabalhadores dispensados pela companhia nesta semana.

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“Quando cheguei em casa do trabalho vi o telegrama, que pedia para eu comparecer no RH. Comentei com os meus encarregados e eles tentaram conversar com o gerente a meu respeito. No outro dia fui trabalhar e eles disseram que não conseguiram nada. Fui no RH e me comunicaram que estava sendo demitido. Não assinei nada. Pegaram duas testemunhas, funcionárias lá de dentro, que assinaram o papel e me entregaram o papel de Aviso Prévio e do Exame Demissional”, afirmou Silva.

O ajudante geral trabalhava há nove anos na Codesavi como trabalhador braçal nas ruas de São Vicente. Pelo ofício recebia o salário de aproximadamente R$ 1.300. Ele é separado, tem dois filhos e paga pensão alimentícia. Ontem (24), ao realizar o Exame Demissional, viu que não era o único a ser demitido. “Vai ficar muito difícil a minha situação agora. Prestei concurso achando que teria estabilidade. Deixei emprego de porteiro em um prédio. Tem gente sendo mandada embora com 20/25 anos de casa. Gente idosa já. A maioria é tudo concursado e trabalhador braçal. Um clima muito triste”, afirmou.

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Silva contou que a empresa há muito tempo não efetua de forma correta os depósitos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Nem mesmo o empréstimo consignado em folha tem sido honrado pela companhia, que desconta os valores do trabalhadores, mas não repassa às operadoras de crédito.

“Não tenho nem R$ 500,00 depositado no Fundo de Garantia. Não sei qual o critério para escolher quem vão mandar embora. Eles alegaram (gerentes) que foi retaliação porque colocou a Codesavi na Justiça em uma ação conjunta para ver o consignado e o FGTS. Mas também tem gente que não assinou e está na lista. A gente não sabe de nada, apenas que não deram preferência para os cargos comissionados que ganham muito mais do que nós”, destacou Silva.

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O ajudante geral procurou um advogado e deve mover uma ação contra a empresa. “Vai ficar difícil a situação agora. Vamos tentar reverter ou, se não tiver jeito, receber tudo certinho”, disse.

Demissões

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Procurada, a Codesavi confirmou a demissão dos trabalhadores. Por meio de nota informou que foram dispensados 108 funcionários. Segundo a empresa, as demissões atendem ao Plano de Enxugamento da Folha proposto pela diretoria para poder se enquadrar financeiramente ao atual momento.

A Reportagem questionou os critérios adotados para a demissão dos trabalhadores, bem como se os dispensados tratam-se de funcionários concursados ou em cargo de comissão. No entanto, a companhia não respondeu aos questionamentos.

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Sindicato não vai homologar sem pagamento

O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil da Baixada Santista (Sintracomos) disse que não vai homologar as demissões da Codesavi caso a empresa não deposite as quantias devidas aos trabalhadores, inclusive o FGTS que está sendo discutido na Justiça. Os números de dispensados informados pela companhia diferem da informação da entidade sindical, que aponta 189 desligamentos, sendo 100 comissionados e 89 de concursados.

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“Não fazemos a homologação se não depositarem todos os direitos dos trabalhadores, inclusive o Fundo de Garantia e a multa de 40%. Somos contrários a toda e qualquer demissão na empresa”, afirmou Macaé Marcos Braz de Oliveira, presidente do Sintracomos. Ele informou que a informação que a entidade teve é de que foram demitidos, até o momento, 100 funcionários comissionados e 89 concursados do setor operacional.

Macaé disse que em reunião com o prefeito Luis Cláudio Bili (PR), o chefe do executivo vicentino destacou as dificuldades financeiras da cidade e que as demissões já eram cogitadas. “Ele disse que não tem dinheiro para pagar os funcionários e que acabaria fechando a empresa ou reduzindo o quadro em 50% para a conta poder fechar. Acabou optando pelas demissões”, afirmou. A companhia tem um quadro de 1.150 trabalhadores. Ele não soube informar, quantos seriam comissionados deste total.

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No próximo dia 3, às 10h, deve acontecer uma nova audiência na justiça para decidir sobre a questão do FGTS que há mais de 10 anos a empresa não deposita de forma correta.

Lixo

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Nos últimos três anos, os funcionários da Codesavi protagonizaram diversas greves. Atraso no pagamento de salário, corte do plano de saúde, ausência dos depósitos do FGTS e do repasse de empréstimos consignados às operadores de crédito estão entre os problemas sofridos pelos trabalhadores. O caso é acompanhado pelo Tribunal Regional Trabalhista (TRT).

A Codesavi é o principal braço da Prefeitura, responsável por serviços de conservação, limpeza e manutenção de equipamentos públicos. Devido as constantes greves, o município tem sofrido com grande quantidade de lixo, principalmente entulho, espalhado pelas ruas e praças, além de vias esburacadas e com condições precárias de tráfego.

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Câmara abre comissão para investigar Codesavi

A Câmara de São Vicente aprovou, na última quinta-feira (23), a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar os contratos firmados pela Codesavi. Segundo o autor da proposta, vereador Diogo Batista (PTB), a direção da companhia estaria priorizando o pagamento de empresas, que supostamente não estariam realizando os serviços, ao invés dos trabalhadores.

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“As empresas que mais receberam nos últimos três anos são empresas de limpeza urbana e obras de recapeamento. Vamos investigar esses pagamentos, se essas empresas realmente prestaram o serviço. Informações extraoficiais é que as empresas não prestam o serviço e são emitidas notas”, afirmou Batista.

O parlamentar disse que o pedido de abertura da CEI foi baseado em informações colhidas por ele nos portais da Transparência da Prefeitura e da Codesavi. “De janeiro até 31 de maio deste ano a Prefeitura repassou R$ 34 milhões para a Codesavi e outros R$ 4,6 milhões foram repassados de convênios dos governos federal e estadual”, disse.

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Batista disse que ficou sabendo da demissão em massa na Codesavi, na última quinta-feira, e que o assunto também será abordado pela CEI. “Existem mais de 300 cargos comissionados e estão mandando os concursados embora. A maioria dos comissionados (70%) vai apoiar o ex-presidente da Codesavi que é candidato a vereador e os outros são ligados a alguns vereadores ou outros políticos”, afirmou o vereador, que disse não ter cargos indicados na empresa de economia mista.

A Codesavi encerrou o ano de 2015 com uma dívida de mais de R$ 266 milhões. Segundo o balanço, apresentado no site da empresa, que a situação é devido a inadimplência de seu acionista majoritário controlador, neste caso a Prefeitura de São Vicente. Na oportunidade, a diretoria da companhia apresentou um plano de ação para melhorar o quadro de deficiência, que incluía a renegociação dos créditos e débitos com fornecedores, parcelamento de impostos e redução de custos operacionais.

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Foi buscando a estabilidade do serviço público que, em 2005, o auxiliar de serviços gerais Wagner Clemente da Silva, de 45 anos, prestou concurso para o cadastro reserva da Companhia de Desenvolvimento de São Vicente (Codesavi). Em 2007 foi chamado para assumir o cargo. Deixou o emprego como porteiro de um edifício em Santos e ingressou na empresa de economia mista vicentina. Na última quarta-feira (22), por telegrama, recebeu o aviso que seria demitido. Ele é um dos mais de 100 trabalhadores dispensados pela companhia nesta semana.

“Quando cheguei em casa do trabalho vi o telegrama, que pedia para eu comparecer no RH. Comentei com os meus encarregados e eles tentaram conversar com o gerente a meu respeito. No outro dia fui trabalhar e eles disseram que não conseguiram nada. Fui no RH e me comunicaram que estava sendo demitido. Não assinei nada. Pegaram duas testemunhas, funcionárias lá de dentro, que assinaram o papel e me entregaram o papel de Aviso Prévio e do Exame Demissional”, afirmou Silva.

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O ajudante geral trabalhava há nove anos na Codesavi como trabalhador braçal nas ruas de São Vicente. Pelo ofício recebia o salário de aproximadamente R$ 1.300. Ele é separado, tem dois filhos e paga pensão alimentícia. Ontem (24), ao realizar o Exame Demissional, viu que não era o único a ser demitido. “Vai ficar muito difícil a minha situação agora. Prestei concurso achando que teria estabilidade. Deixei emprego de porteiro em um prédio. Tem gente sendo mandada embora com 20/25 anos de casa. Gente idosa já. A maioria é tudo concursado e trabalhador braçal. Um clima muito triste”, afirmou.

Silva contou que a empresa há muito tempo não efetua de forma correta os depósitos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Nem mesmo o empréstimo consignado em folha tem sido honrado pela companhia, que desconta os valores do trabalhadores, mas não repassa às operadoras de crédito.

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“Não tenho nem R$ 500,00 depositado no Fundo de Garantia. Não sei qual o critério para escolher quem vão mandar embora. Eles alegaram (gerentes) que foi retaliação porque colocou a Codesavi na Justiça em uma ação conjunta para ver o consignado e o FGTS. Mas também tem gente que não assinou e está na lista. A gente não sabe de nada, apenas que não deram preferência para os cargos comissionados que ganham muito mais do que nós”, destacou Silva.

O ajudante geral procurou um advogado e deve mover uma ação contra a empresa. “Vai ficar difícil a situação agora. Vamos tentar reverter ou, se não tiver jeito, receber tudo certinho”, disse.

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Demissões

Procurada, a Codesavi confirmou a demissão dos trabalhadores. Por meio de nota informou que foram dispensados 108 funcionários. Segundo a empresa, as demissões atendem ao Plano de Enxugamento da Folha proposto pela diretoria para poder se enquadrar financeiramente ao atual momento.

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Sindicato não vai homologar sem pagamento

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O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil da Baixada Santista (Sintracomos) disse que não vai homologar as demissões da Codesavi caso a empresa não deposite as quantias devidas aos trabalhadores, inclusive o FGTS que está sendo discutido na Justiça. Os números de dispensados informados pela companhia diferem da informação da entidade sindical, que aponta 189 desligamentos, sendo 100 comissionados e 89 de concursados.

“Não fazemos a homologação se não depositarem todos os direitos dos trabalhadores, inclusive o Fundo de Garantia e a multa de 40%. Somos contrários a toda e qualquer demissão na empresa”, afirmou Macaé Marcos Braz de Oliveira, presidente do Sintracomos. Ele informou que a informação que a entidade teve é de que foram demitidos, até o momento, 100 funcionários comissionados e 89 concursados do setor operacional.

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No próximo dia 3, às 10h, deve acontecer uma nova audiência na justiça para decidir sobre a questão do FGTS que há mais de 10 anos a empresa não deposita de forma correta.

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Nos últimos três anos, os funcionários da Codesavi protagonizaram diversas greves. Atraso no pagamento de salário, corte do plano de saúde, ausência dos depósitos do FGTS e do repasse de empréstimos consignados às operadores de crédito estão entre os problemas sofridos pelos trabalhadores. O caso é acompanhado pelo Tribunal Regional Trabalhista (TRT).

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Câmara abre comissão para investigar Codesavi

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A Câmara de São Vicente aprovou, na última quinta-feira (23), a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar os contratos firmados pela Codesavi. Segundo o autor da proposta, vereador Diogo Batista (PTB), a direção da companhia estaria priorizando o pagamento de empresas, que supostamente não estariam realizando os serviços, ao invés dos trabalhadores.

“As empresas que mais receberam nos últimos três anos são empresas de limpeza urbana e obras de recapeamento. Vamos investigar esses pagamentos, se essas empresas realmente prestaram o serviço. Informações extraoficiais é que as empresas não prestam o serviço e são emitidas notas”, afirmou Batista.

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O parlamentar disse que o pedido de abertura da CEI foi baseado em informações colhidas por ele nos portais da Transparência da Prefeitura e da Codesavi. “De janeiro até 31 de maio deste ano a Prefeitura repassou R$ 34 milhões para a Codesavi e outros R$ 4,6 milhões foram repassados de convênios dos governos federal e estadual”, disse.

Batista disse que ficou sabendo da demissão em massa na Codesavi, na última quinta-feira, e que o assunto também será abordado pela CEI. “Existem mais de 300 cargos comissionados e estão mandando os concursados embora. A maioria dos comissionados (70%) vai apoiar o ex-presidente da Codesavi que é candidato a vereador e os outros são ligados a alguns vereadores ou outros políticos”, afirmou o vereador, que disse não ter cargos indicados na empresa de economia mista.

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A Codesavi encerrou o ano de 2015 com uma dívida de mais de R$ 266 milhões. Segundo o balanço, apresentado no site da empresa, que a situação é devido a inadimplência de seu acionista majoritário controlador, neste caso a Prefeitura de São Vicente. Na oportunidade, a diretoria da companhia apresentou um plano de ação para melhorar o quadro de deficiência, que incluía a renegociação dos créditos e débitos com fornecedores, parcelamento de impostos e redução de custos operacionais.