Cotidiano
Pesquisa identifica contaminantes derivados da atividade humana em tubarões e revela impacto crescente da poluição até em áreas consideradas preservadas
A presença desses compostos indica que eles estão biodisponÃveis no ambiente, ou seja, sendo absorvidos pelos organismos marinhos / Pixabay
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Pesquisadores identificaram a presença de cocaÃna, cafeÃna e medicamentos no organismo de tubarões capturados nas Bahamas, acendendo um alerta sobre a poluição marinha até mesmo em áreas consideradas preservadas.
O estudo, publicado na revista Environmental Pollution, analisou amostras coletadas na Ilha de Eleuthera e aponta que resÃduos quÃmicos provenientes da atividade humana já estão circulando no ambiente marinho local. Esta é a primeira vez que esse tipo de contaminação é registrado em tubarões na região.
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A pesquisa avaliou cinco espécies, mas a presença de substâncias foi confirmada no tubarão-recifal-do-caribe (Carcharhinus perezi), no tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum) e no tubarão-limão (Negaprion brevirostris). Além da cocaÃna, foram detectados vestÃgios de diclofenaco, um anti-inflamatório, acetaminofeno (paracetamol) e cafeÃna. Entre eles, o diclofenaco foi o mais frequente, identificado em sete indivÃduos do tubarão-recifal-do-caribe, por meio de análises de espectrometria de massas.
Três espécies foram confirmadas com substancias. PixabayA presença desses compostos indica que eles estão biodisponÃveis no ambiente, ou seja, sendo absorvidos pelos organismos marinhos. Segundo os pesquisadores, essa exposição já provoca efeitos nos animais. Tubarões contaminados apresentaram alterações em indicadores de saúde, como nÃveis de triglicerÃdeos, ureia e lactato, sinais de estresse fisiológico que podem afetar funções metabólicas, renais e hepáticas.
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Substâncias estimulantes, como cocaÃna e cafeÃna, já foram associadas em outros vertebrados a alterações no metabolismo e ao acúmulo de lactato, o que reforça a preocupação com os impactos a longo prazo nesses predadores.
O estudo aponta que o avanço urbano e o turismo são os principais responsáveis. PixabayO estudo aponta que o avanço urbano e o crescimento do turismo são os principais responsáveis por essa contaminação. O aumento do volume de esgoto e o descarte inadequado de resÃduos fazem com que esses compostos quÃmicos cheguem aos habitats costeiros, onde os tubarões vivem e se alimentam.
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Apesar de serem frequentemente vistas como um paraÃso natural, as Bahamas enfrentam uma pressão ambiental crescente. Diante disso, os autores destacam a necessidade urgente de polÃticas de conservação e gestão ambiental para proteger a biodiversidade marinha, essencial para a economia e a cultura da região.