Cotidiano
Réptil da espécie Bothrops jararaca foi flagrado em área urbana após fortes chuvas
É comum que serpentes busquem o calor do motor de veículos parados / Gustavo Carvalho
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Uma cobra da espécie Jararaca (Bothrops jararaca) foi flagrada na Avenida Padre Anchieta, a principal via de Peruíbe, logo após as fortes chuvas que atingiram a cidade. O animal foi filmado pelo atleta Gustavo Carvalho em frente ao seu local de trabalho. Segundo o relato, a serpente apresentava sinais de debilidade.
“Ela estava a duas quadras daqui, antes do Extra. Fui comprar algo e, na volta, a vi se debatendo. Parecia estar morrendo, mas não estava esmagada nem apresentava ferimentos aparentes”, conta Gustavo.
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Como o local é urbanizado e distante de áreas de mata densa, o atleta acredita que o réptil tenha chegado ao centro de forma inusitada: “Achei muito estranho, pois não há vegetação perto. Provavelmente veio enrolada em algum carro e desceu quando o veículo estacionou. O calor do asfalto ou do motor pode ter feito mal a ela”.
A bióloga Lígia Amorim, especialista em serpentes, confirmou a identificação do animal e reiterou a hipótese de transporte acidental. De acordo com a especialista, é comum que serpentes busquem o calor do motor de veículos parados, sendo transportadas quando o condutor dá a partida. “Quando o motor esquenta demais durante o trajeto, elas tentam descer assim que o carro para”, explica.
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Embora a jararaca seja responsável pela maioria dos acidentes ofídicos no Brasil, especialistas reforçam que o animal não deve ser agredido. Ao encontrar uma serpente em área urbana, a recomendação é:
Em caso de picada, a vítima deve ser levada imediatamente à unidade de pronto atendimento mais próxima. É fundamental manter o acidentado calmo e hidratado. Nunca faça torniquetes, cortes no local da picada ou tente sugar o veneno, pois essas práticas agravam o quadro clínico.
A Bothrops jararaca é a serpente mais comum no Sudeste brasileiro, habitando áreas de Mata Atlântica. Segundo dados do Ministério da Saúde, o grupo das jararacas foi responsável por 69,3% dos acidentes ofídicos no Brasil em 2022, chegando a 72% dos casos no estado de São Paulo.
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O veneno da espécie varia com a idade: as jovens possuem maior ação anticoagulante; enquanto a picada dos adultos tem ação inflamatória mais intensa, podendo causar dor severa, inchaço, sangramentos e, em casos graves, insuficiência renal aguda.